Sociedade

Índice de Desenvolvimento Humano em outro patamar

Brasil atinge maior IDHM da história e entra no grupo dos países com "Muito Alto Desenvolvimento". Lula celebra e analista aponta gargalos

O Brasil alcançou ontem um fato inédito de figurar entre os países com “Muito Alto Desenvolvimento Humano”, na avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Dados divulgados pela entidade, por meio do relatório do Radar IDHM, mostram que o país atingiu 0,805 no índice que varia entre 0 e 1. Ainda segundo o documento, a pontuação foi atingida com base nos dados de educação, trabalho e longevidade coletados entre os anos de 2012 e 2024.

O principal motor desse marco, conforme o documento publicado nesta terça-feira (26/5), foi a dimensão da educação, que saltou de 0,679 em 2012 para 0,798 no último registro, em 2024. Os indicadores de longevidade e a recuperação nos níveis de renda pós-pandemia também contribuíram para consolidar a nova posição do país no ranking global.

As informações divulgadas pelo radar da Pnud foram celebradas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele, que será candidato à reeleição nas eleições de outubro, interpretou o relatório como munição para mostrar que o Brasil está no “caminho certo”.

"Pela primeira vez na história, o Brasil alcança o patamar mais elevado do Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM). O IDHM avalia o bem-estar de uma população numa escala que varia de 0 a 1. Um país é classificado no patamar de Muito Alto Desenvolvimento Humano quando seu índice atinge ou supera 0,800. E foi esta a barreira que ultrapassamos. Chegamos a 0,805 em 2024", destacou Lula, em publicação nas redes sociais.

Na publicação do petista, ele pondera que, embora o Pnud tenha registrado crescimento no IDHM brasileiro, o país ainda tem "um longo caminho pela frente", e que os resultados refletem políticas adotadas por seu governo. 

"Não é coincidência, mas reflexo de escolhas políticas consistentes e coordenadas, com impacto direto nos indicadores de educação, longevidade e renda mapeados pelo IDHM. O maior destaque no período foi a educação, que saltou de 0,679 para 0,798 desde 2012", pontuou.

"Outro avanço significativo veio na redução da desigualdade racial: o IDHM da população negra cresceu 10,3% entre 2012 e 2024, quase o dobro do da população branca (5,5%), que partia de patamar mais alto", acrescentou o presidente, citando aumentos nos níveis de desenvolvimento regional, sobretudo entre as regiões Norte e Nordeste.

Desigualdades regionais

O diretor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Social, Marcelo Neri, equiparou o simbolismo da entrada do Brasil no grupo de IDH Muito Alto com a saída do país do Mapa da Fome no início dos anos 2000. "O Brasil sempre foi um país reconhecido pelo crescimento econômico, mas não pelos avanços sociais. A partir da redemocratização, isso mudou e passamos a ver avanços sociais mais fortes do que os econômicos. Quando olhamos o tripé do IDH (saúde, educação e renda), a renda continua sendo o pior colocado", disse Neri.

Para o diretor da FGV Social, o grande desafio da próxima década será fazer com que o expressivo avanço educacional se converta em produtividade e eficiência econômica. "O avanço na educação é importante, é uma educação cidadã, mas ela precisa estar melhor conectada com o mercado de trabalho. O Brasil fez o dever de casa na educação, mas precisa aprimorar a conexão entre qualidade educacional e produtividade, que é onde ainda estamos pecando", apontou o economista.

Essa busca por produtividade esbarra diretamente nos debates sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Marcelo Neri sugere que medidas desse teor precisam ser monitoradas de perto.

"A redução de jornada pode ter impactos importantes na qualidade de vida e na saúde, mas eles precisam ser demonstrados em avaliações, não podem ser tomados como conquistados de antemão. Precisamos monitorar após a implementação e aprender com as experiências de outros países e com a nossa própria história, como a Constituição de 88, que reduziu a jornada de 48 para 44 horas", concluiu.

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