
Enquanto governos, bancos de desenvolvimento e instituições multilaterais intensificam negociações sobre quanto e como financiar a agenda climática global, experiências de base comunitária na Amazônia buscam ocupar outro espaço nesse debate, e demonstrar, na prática, como o financiamento direto aos territórios já vem produzindo resultados em conservação ambiental, geração de renda e fortalecimento social.
Esse é o tema do Encontro Regional da Teia da Sociobiodiversidade, que acontece entre os dias 23 e 25 de junho, em Brasília, reunindo mais de 70 lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas, extrativistas, agricultores familiares e representantes de iniciativas comunitárias de diferentes estados da Amazônia.
O encontro, organizado pelo Fundo Casa Socioambiental em parceria com o Fundo Socioambiental CAIXA, pretende dar visibilidade a projetos que operam na chamada economia da sociobiodiversidade, um conjunto de atividades que articula produção econômica, conservação ambiental e valorização de conhecimentos tradicionais.
A iniciativa funciona como um ponto de encontro entre experiências que, em geral, permanecem dispersas em territórios de difícil acesso e com baixa inserção nos grandes financiamentos climáticos. A proposta é reunir evidências de que parte das soluções para a crise climática já existem, mas dependem de fluxos de recursos mais diretos e adaptados às realidades locais.
A discussão sobre financiamento climático tem ocupado espaço crescente em fóruns internacionais, com foco em metas de mitigação de emissões, preservação de florestas e transição energética. No entanto, organizações comunitárias e pesquisadores da área socioambiental apontam uma lacuna persistente: a dificuldade de garantir que recursos cheguem de forma desburocratizada e contínua às comunidades que atuam na linha de frente da conservação.
É nesse ponto que iniciativas como a Teia da Sociobiodiversidade se inserem. Segundo dados das organizações envolvidas, a rede já apoiou 405 projetos em todo o país, com aportes de até R$100 mil por iniciativa, somando cerca de R$ 40 milhões em investimentos. As ações alcançam comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas, marisqueiras, quebradeiras de coco e agricultores familiares, entre outros grupos.
Ao longo dos três dias de programação em Brasília, lideranças comunitárias vão apresentar experiências que combinam produção econômica e conservação ambiental em diferentes biomas da Amazônia. Entre os temas estão agroecologia, bioeconomia, recuperação de áreas degradadas, proteção territorial e fortalecimento de cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Para representantes do projeto, o apoio financeiro direto tem impacto que vai além da infraestrutura produtiva, ao incluir formação técnica e organização comunitária. “O apoio direto é fundamental para fortalecer iniciativas comunitárias, pois possibilita investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação”, afirma Wildson Silva, integrante da iniciativa.
Um dos pontos centrais do encontro será a chamada Mostra da Sociobiodiversidade, onde organizações participantes apresentarão alimentos tradicionais, biojoias, artesanato, fibras naturais e produtos agroecológicos. A ideia é criar um espaço de intercâmbio entre diferentes territórios amazônicos e, ao mesmo tempo, aproximar essas experiências de atores institucionais e formuladores de políticas públicas.
A diretora executiva do Fundo Casa Socioambiental, Cristina Orpheo, resume essa perspectiva ao defender que o investimento direto nas comunidades fortalece respostas já em curso nos territórios. “Investir diretamente nas comunidades é fortalecer soluções que já existem. São iniciativas que unem geração de renda, conservação ambiental, valorização cultural e respostas concretas para desafios que fazem parte do cotidiano dessas populações”, afirma Cristina
O encontro acontece na Casa Dom Luciano, em Brasília, entre os dias 23 e 25 de junho, e deve reunir lideranças de diferentes regiões da Amazônia em rodas de conversa, intercâmbios e atividades públicas.
Serviço
- Encontro Regional da Teia da Sociobiodiversidade – Região Norte
- Data: 23 a 25 de junho de 2026
- Horário: 9h às 18h
- Local: Casa Dom Luciano (SGAN 905 – Asa Norte, Brasília – DF)
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