A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira (2/7), o pastor Márcio Poncio durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais para o Comando Vermelho (CV).
Segundo informações confirmadas ao Correio, também são alvos da operação o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que já se encontra preso, e o contraventor Adilsinho. A investigação aponta indícios de vínculos entre políticos e integrantes da organização criminosa, hipótese que está sendo aprofundada pela PF.
A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e também mira suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões entre integrantes da facção criminosa e agentes públicos do Estado do Rio de Janeiro.
Além dos mandados de prisão, o STF determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. Ao todo, estão sendo cumpridos 14 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Em nota, a Polícia Federal informou que a nova etapa da operação busca "aprofundar a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo 'capo' da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro".
De acordo com as investigações, esta quinta fase da Operação Unha e Carne foi desencadeada após a análise de documentos apreendidos em etapas anteriores. Entre os materiais recolhidos estão listas que relacionariam autoridades públicas a integrantes do crime organizado, com registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras compatíveis com um esquema de lavagem de dinheiro.
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido para identificar o fluxo dos recursos, os beneficiários do esquema e eventuais intermediários e operadores financeiros. Até o momento, os investigados ainda poderão apresentar defesa no decorrer das investigações, que permanecem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
