CIÊNCIA

Cápsula de celulose revoluciona uso de bioinseticida no agronegócio

Técnica aumenta a viabilidade de fungo benéfico para 85%; solução garante liberação gradual na lavoura e exige menos aplicações de defensivos

Microesferas de polímero com íons de alumínio encapsulam fungos para controle biológico de pragas -  (crédito: Antonio Boiaro Caxa/Uniara)
Microesferas de polímero com íons de alumínio encapsulam fungos para controle biológico de pragas - (crédito: Antonio Boiaro Caxa/Uniara)

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma técnica que aumenta a vida útil de fungos usados no controle biológico de pragas. A solução resolve um dos principais desafios do setor: a perda de viabilidade dos microrganismos durante o armazenamento.

Utilizando um polímero à base de celulose e íons de alumínio, a equipe criou microesferas para encapsular e proteger o fungo Beauveria bassiana. Com isso, a germinação do fungo atingiu 85% após cinco meses de congelamento, um aumento significativo em relação aos 69% do fungo puro.

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O trabalho foi desenvolvido por cientistas vinculados ao Centro de Manejo Sustentável de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas (CEMASU), um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) financiado pela FAPESP e sediado no Instituto Biológico. Os resultados foram publicados em março no periódico científico ACS Omega.

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Como funciona a cápsula

O processo, chamado de gelificação ionotrópica, consiste em gotejar um material em outro para formar esferas. "Têm por fora uma casca de polímero com o microrganismo dentro. Com isso, preserva-se o conteúdo para que haja uma liberação prolongada", explica Hernane da Silva Barud, coordenador do estudo.

O material da cápsula é a carboximetilcelulose, um derivado da celulose usado na indústria de alimentos para dar textura a sorvetes. Os íons de alumínio funcionam como uma "cola" para dar o formato tridimensional às esferas.

A formulação é preenchida com células reprodutivas do B. bassiana. Após a aplicação na lavoura, essas células liberam esporos que colonizam e matam os insetos-praga, causando uma doença conhecida como muscardina branca. O mecanismo natural não causa danos a mamíferos.

Entre os alvos do fungo estão:

  • dípteros (moscas e mosquitos);

  • coleópteros (besouros);

  • hemípteros (percevejos);

  • lepidópteros (mariposas, borboletas e suas lagartas);

  • isópteros (cupins);

  • ortópteros (gafanhotos).

Testes e próximos passos

Os pesquisadores compararam duas formas de encapsulamento. Uma usou carboximetilcelulose com alumínio e outra, com cálcio. As esferas com alumínio mantiveram o formato esférico e uniforme, enquanto as de cálcio apresentaram colapso estrutural, formando conglomerados.

Imagens de microscopia mostraram que a superfície das esferas de alumínio era levemente áspera, e a das de cálcio, irregular. "As de alumínio apresentam maior uniformidade, o que permite ter um maior controle de qualidade", afirma Barud.

O grupo agora pretende realizar ensaios em campo para avaliar a viabilidade do produto. Também serão testados outros fungos para diferentes culturas agrícolas e o armazenamento em geladeira convencional (4 °C) e temperatura ambiente. Outra possibilidade é o uso na pecuária, para combater carrapatos.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 05/08/2026 09:33 / atualizado em 05/08/2026 09:33
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