
Três espaços que preservam diferentes capítulos da história da população negra no Brasil passaram a integrar uma iniciativa internacional dedicada à memória da escravidão e da resistência ao sistema escravista. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou, na sexta-feira (23/10), a inclusão de locais no Rio de Janeiro, na Bahia e em Alagoas na Rede de Lugares de História e Memória relacionados à Escravidão e ao Tráfico de Pessoas Escravizadas.
Os novos integrantes são o Cais do Valongo, na capital fluminense; a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador; e a Serra da Barriga, em União dos Palmares. Embora tenham trajetórias distintas, os três lugares ajudam a compreender tanto a violência da escravização quanto as formas de organização, solidariedade e resistência construídas pela população negra ao longo da história brasileira.
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No Rio de Janeiro, o Cais do Valongo conserva vestígios de um dos principais locais de chegada de africanas e africanos escravizados às Américas. Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2017, o sítio arqueológico constitui um testemunho material do tráfico transatlântico e da dimensão que a escravidão alcançou no país.
A memória da resistência também está presente na Serra da Barriga, em Alagoas, onde se encontra o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. O território guarda a história de uma das mais importantes experiências de enfrentamento ao regime escravista no Brasil, tornando-se uma referência da luta da população negra pela liberdade.
Já em Salvador, a Sociedade Protetora dos Desvalidos representa outra dimensão dessa trajetória. Sua história, iniciada no século XIX, está associada à criação de redes de apoio e solidariedade entre pessoas negras, demonstrando a importância da organização coletiva diante das desigualdades e das consequências da escravidão.
Preservação e educação
O reconhecimento amplia a presença brasileira na rede internacional criada pela Unesco em 2024. A iniciativa reúne lugares associados à escravidão e ao tráfico de pessoas escravizadas, com o objetivo de assegurar a preservação desses espaços e estimular a transmissão de suas histórias às novas gerações.
Além da proteção da memória, o projeto incentiva a troca de experiências entre os participantes e o desenvolvimento de atividades educativas, especialmente aquelas que envolvem as comunidades ligadas aos territórios reconhecidos.
O Brasil já contava com três instituições na iniciativa: o Museu da Inconfidência, em Minas Gerais, o Museu Casa da Hera e o Museu da República, ambos no Rio de Janeiro. Com as novas inscrições, o país passa a ter seis representantes na rede.
A apresentação das candidaturas nacionais é coordenada pelas Comissões Nacionais para a Unesco. No caso brasileiro, essa atribuição cabe ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pela articulação do país com a organização internacional.
Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro comemorou a inclusão dos três locais e destacou a importância do reconhecimento para a preservação da memória histórica.
Segundo o MRE, a medida também busca valorizar as experiências de resistência da população negra e fortalecer iniciativas de educação que permitam às novas gerações conhecer as consequências da escravidão e o papel daqueles que lutaram contra ela.
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