Pela primeira vez desde o acidente que matou o motorista Ornaldo da Silva Viana, em 31 de março de 2024, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho confessou ter ingerido bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche azul envolvido na colisão fatal com o Renault Sandero da vítima, na Zona Leste de São Paulo. O depoimento foi feito nesta quinta-feira (29/10), no segundo dia de julgamento do caso.
Antes de confessar, o réu se dirigiu aos familiares de Ornaldo e pediu perdão pelo acidente. Indo às lágrimas, Sastre afirmou que sofre todos os dias com as consequências dos atos cometidos. "Confesso, sim, que, no dia dos fatos, eu ingeri bebida alcoólica", declarou.
Anteriormente, ele já havia negado o uso de álcool na noite do acidente, afirmando que consumiu apenas água. Sastre saía de uma casa de poker com amigos e a namorada pouco antes da colisão. Testemunhas confirmaram que ele foi visto ingerindo bebida alcoólica.
O Ministério Público (MP) pede uma pena de mais de 20 anos de prisão para o empresário. Ele é acusado de dirigir embriagado e bater o carro esportivo de luxo a 136 km/h na traseira do carro da vítima, de 52 anos. O caso aconteceu na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, cujo limite de velocidade é de 50 km/h.
Sartre deixou o local do acidente após a colisão e se apresentou à polícia no dia seguinte. Ele está preso preventivamente desde maio de 2024.
O julgamento
O caso de Sastre começou a ser julgado na quarta-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Ao todo, 14 testemunhas serão ouvidas. O primeiro a prestar depoimento foi Marcus Vinícius Rocha, amigo de Sartre que estava no carro no momento da colisão.
Marcus, que também ficou ferido no acidente, confirmou que o empresário estava alterado após ter bebido. A ex-namorada, que também prestou depoimento, confirmou o testemunho do amigo do réu.
Também foram ouvidos o filho e a mãe da vítima. Os familiares relataram problemas psicológicos e financeiros enfrentados após a morte de Ornaldo. Segundo eles, a família ainda é cobrada pelo banco, devido ao financiamento do carro do motorista de aplicativo.
A defesa
O advogado do réu, Jonas Marzagão, sustenta que o Porsche apresentou falha técnica pouco antes da batida. Um perito chegou a ser contratado pela defesa para reforçar a tese, que não foi acatada pelos jurados.
Marzagão também afirma que o cliente é o único motorista envolvido em um acidente que segue preso no Estado de São Paulo.
"Todos os réus nos casos similares estão respondendo em liberdade, inclusive com teste de bafômetro comprovando o uso de bebida alcoólica, e fuga do local do acidente. O que não aconteceu no caso de Fernando. Ele não fez o bafômetro na ocasião porque a polícia não tinha o aparelho para fazer no momento", aponta.
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