Dermatite atópica exige tratamento adequado para evitar evolução

Alcançar a atividade mínima da doença está associado a melhorias substanciais nos sintomas cutâneos e, consequentemente, na qualidade de vida dos pacientes

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postado em 29/04/2026 00:00
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Matéria escrita por Gabriella Collodetti, jornalista do CB Brands – Estúdio de Conteúdo, Marketing e Projetos Especiais do Correio Braziliense

Ainda na infância, Sofia Prata, que atualmente tem 16 anos, sofria com uma coceira insistente. Atrapalhando seu sono e trazendo dificuldades para seu dia a dia, aquela sensação constante na pele era mais do que um simples incômodo: era o primeiro sinal de uma batalha silenciosa contra a dermatite atópica, doença inflamatória crônica. Sem conseguir chegar em um diagnóstico preciso, sua rotina foi sendo modificada por uma condição que não se via ou sentia apenas na pele, mas também deixava marcas emocionais profundas. 

A sua jornada começou quando Sofia tinha apenas 10 anos. Após a definição da doença, Sofia conseguiu buscar tratamento. “Ao longo dos anos, eu usei cremes específicos para hidratação e controle dos sintomas, muitos deles de alto custo. Eu não gosto de passar, mas é importante sempre hidratar para melhorar a sensação e aspecto da pele, pois ela fica bem áspera pela coceira que a dermatite provoca”, conta. 

Diante do sofrimento de Sofia, a mãe Maria Cida Prata passou a reconhecer, cada vez mais, a importância do diagnóstico precoce, escuta atenta aos cuidadores e acesso facilitado aos tratamentos, incluindo não apenas medicamentos, mas também cremes e produtos básicos, que são caros e essenciais para o controle da doença.

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"É muito importante que  o acesso ao tratamento no sistema de saúde seja facilitado, porque o custo do cuidado é alto e muitas famílias não conseguem arcar sozinhas. Qualquer avanço nesse sentido representa alívio para quem vive essa realidade", defende. 

Para ela, é essencial um olhar mais atento para que casos, como o de sua filha, não passem despercebidos. “Muitas crianças e adolescentes enfrentam bullying, e o impacto emocional é grande, muitas vezes até causando o isolamento. É fundamental que médicos e gestores de saúde entendam o quanto essa jornada é pesada para os pacientes e suas famílias e o quanto decisões tardias podem agravar ainda mais o sofrimento”, pontua. 

Doença inflamatória crônica, a dermatite atópica é caracterizada por lesões e coceira intensa, que costuma apresentar períodos de crise e, nos casos mais graves, persistir mesmo fora dessas fases. Wagner Galvão, médico dermatologista, informa que trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo, já que o objetivo do tratamento é reduzir as lesões, o prurido e a frequência das crises. 

"A dermatite atópica é considerada uma doença sistêmica porque frequentemente está associada a outras condições, como asma e rinite alérgica, o que demonstra que o processo inflamatório não se limita apenas à pele", explica o especialista. O dermatologista ressalta que, além das manifestações cutâneas, a dermatite atópica tem um impacto significativo na qualidade de vida do paciente. 

Galvão indica que há prejuízos importantes na qualidade de vida, comprometimento do sono e repercussões emocionais, como aumento da ansiedade, depressão e isolamento social. Em crianças e adolescentes, o impacto se estende também à família. O profissional aponta ainda que pacientes com dermatite atópica grave chegam a limitar suas escolhas profissionais para evitar exposição social, o que tangibiliza o peso emocional e social da doença.

“A dermatite atópica ainda é frequentemente tratada de forma insuficiente. Isso gera frustração, favorece o abandono do tratamento e mantém o paciente em um ciclo contínuo de inflamação e desconforto. Quando a doença não é controlada adequadamente, o sofrimento persiste e a qualidade de vida fica seriamente comprometida”, contextualiza. 

No âmbito de desenvolvimento emocional e social de um indivíduo, a ausência de acompanhamento da enfermidade pode gerar um impacto muito significativo. Isso porque, segundo o médico, a coceira intensa e persistente leva ao estigma social e ao isolamento. “Estudos mostram que o desconforto causado pela coceira crônica pode ser comparável ou até superior ao da dor crônica”, indica. 

Nos casos mais graves, as lesões podem se tornar extensas e atingir grandes áreas do corpo, acompanhadas de prurido intenso. Por essa razão, Galvão reforça que o tratamento adequado reduz o risco de desenvolvimento de outras condições associadas à dermatite atópica. Na prática, quando o paciente está bem controlado, há uma melhora expressiva da qualidade de vida e a retomada das atividades diárias. 

Tratamentos e avanços recentes

Nos últimos anos, o tratamento da dermatite atópica deixou de ser apenas um controle paliativo dos sintomas para entrar em uma nova era de terapias avançadas e protocolos personalizados. Avanços na compreensão dos mecanismos imunológicos da doença abriram caminho para medicamentos inovadores, capazes de agir em alvos específicos da inflamação, oferecendo mais eficácia, segurança e qualidade de vida aos pacientes.

Recentemente, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da condição foi atualizado, incluindo novas opções de terapias avançadas para crianças e adolescentes. Ainda há, entretanto, etapas burocráticas para que ele seja implementado efetivamente para que, de fato, os tratamentos cheguem até as mãos de profissionais da saúde e pacientes. 

O dermatologista explica que, na prática, o protocolo estabelece critérios claros para o acesso ao tratamento, definindo faixas etárias, gravidade da doença e terapias prévias necessárias, além de disponibilizar novas opções terapêuticas. Isso traz mais organização ao processo e segurança tanto para os profissionais quanto para os pacientes. Galvão indica que essas novas terapias trazem maior eficácia e melhor perfil de segurança, sendo opções que permitem um controle mais consistente da doença. 

“A atualização do protocolo representa um avanço importante, pois amplia o acesso ao tratamento para pacientes que dependem do SUS. Embora existam pontos a serem aprimorados, há consenso entre as sociedades médicas de que se trata de um passo relevante para a assistência desses pacientes e mudança no padrão de cuidado da condição no Brasil”, complementa. 

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