Escola Montessori aposta na autonomia como base da aprendizagem

Com 56 anos de atuação na capital, instituição une currículo pedagógico e desenvolvimento emocional para formar estudantes independentes e seguros de suas escolhas

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postado em 27/09/2026 00:00
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Matéria escrita por Gabriella Collodetti, jornalista do CB Brands – Estúdio de Conteúdo, Marketing e Projetos Especiais do Correio Braziliense

Em uma trajetória de 56 anos dedicada à educação em Brasília, a Escola Montessori construiu uma proposta que entende o aprendizado como um processo que vai além dos conteúdos curriculares. Da Educação Infantil ao Ensino Fundamental II, a metodologia Montessori acompanha cada etapa do desenvolvimento dos estudantes, criando condições para que eles aprendam a fazer escolhas, assumam responsabilidades, desenvolvam o pensamento crítico e avancem com autonomia e segurança diante dos novos desafios da vida escolar.

De acordo com a diretora pedagógica Tânia Payne, o objetivo da instituição é promover uma educação integral. “Educar vai além da construção de conhecimentos acadêmicos. A escola participa da formação do estudante que aprende a pensar, fazer escolhas, assumir responsabilidades e se relacionar com o mundo de forma cada vez mais consciente”, explica. Na prática, isso significa criar condições para que o estudante aprenda os conteúdos e, ao mesmo tempo, desenvolva responsabilidade, capacidade de fazer escolhas, conviver, argumentar e compreender seu papel no mundo. 

Na percepção de Tânia, formar um estudante não é apenas ensinar a ler, escrever, calcular ou memorizar informações. Esses conhecimentos, segundo a diretora pedagógica, são indispensáveis, mas precisam fazer sentido e estar a serviço de uma formação maior. Dessa forma, a Escola Montessori aposta em construir uma base sólida para o estudante, permitindo que ele avance sem depender de alguém dizendo o que ele deve fazer, como fazer ou qual caminho seguir. “Quando essa base é construída desde os primeiros anos, o estudante desenvolve recursos para conduzir sua própria aprendizagem com cada vez mais autonomia. É uma construção que o acompanha ao longo da trajetória escolar e se estende para além dela”, reforça. 

Para equilibrar excelência acadêmica e desenvolvimento emocional e social, a instituição aposta em um ensino guiado, onde o educador atua como alguém que observa, orienta, apresenta possibilidades e acompanha cada etapa do desenvolvimento do aluno. “O que permanece é a confiança no potencial de desenvolvimento de cada estudante e o compromisso de oferecer as condições necessárias para que esse potencial possa se manifestar”, ressalta Tânia.

Ambiente preparado 

Na Escola Montessori, o estudante é incentivado a aprender a organizar materiais, administrar melhor o tempo, fazer escolhas, avaliar caminhos, buscar soluções e pedir ajuda quando necessário. A instituição também considera fundamental a capacidade de concentração, a curiosidade, o pensamento crítico e a convivência respeitosa. Para isso, aposta-se em uma sala onde o ambiente de aprendizagem é ativo. 

"Os estudantes não permanecem apenas esperando que o professor transmita uma informação. Eles trabalham, investigam, manipulam materiais, registram descobertas, trocam experiências e avançam progressivamente em suas aprendizagens", explica Cleia Antunes, supervisora do Método. 

Apesar de existir planejamento e currículo pedagógico, o que muda na instituição é a forma como o estudante se relaciona com o conhecimento. Isso significa que o educador apresenta caminhos e acompanha o processo, mas também cria espaço para que o estudante pense, experimente e conquiste independência. 

Para a família de Gabriel, 13 anos, e Marina, 7, ambos alunos da Escola Montessori desde os 18 meses, a escolha pela instituição aconteceu principalmente pelos valores. "Hoje o conteúdo está em todo lugar. O que não está acessível em qualquer lugar é aprender a ser gente", afirma a mãe Mainara Teles Dourado. A busca era por uma escola que, além do desenvolvimento acadêmico, ensinasse cooperação, empatia, respeito e responsabilidade. 

Essa educação integral, segundo os pais, aparece nas pequenas experiências do cotidiano. Aprender a se vestir, calçar os próprios sapatos, organizar a mochila, servir a própria água, guardar os materiais, limpar o que derramou e concluir o que começou são práticas que ajudam a construir autonomia desde cedo. “Ali ninguém faz pela criança. Ninguém também deixa a criança sozinha. O adulto espera, observa e ajuda só no ponto exato em que é necessário”, relata.

Os efeitos dessa formação também ultrapassam os muros da escola. Em casa, os filhos passaram a cuidar do próprio espaço, resolver conflitos com palavras e oferecer ajuda espontaneamente. Para a família, é justamente nessa combinação entre aprendizagem, autonomia, convivência e acolhimento que a proposta de educação integral ganha sentido. 

No caso de Gabriel, que é um estudante neurodivergente, essa caminhada teve um significado ainda mais especial: ao longo dos anos, ele desenvolveu formas mais autônomas de comunicar quando precisa de apoio e de lidar com mudanças na rotina. “Eu não queria que meus filhos fossem um número de matrícula dentro de uma turma de trinta. Eu queria que fossem reconhecidos como pessoas, respeitadas na sua forma de aprender, no seu ritmo, no seu jeito de ver o mundo”, acrescenta Mainara.

Mais do que acompanhar o estudante em seu percurso acadêmico, a escola busca oferecer condições para que ele se reconheça como sujeito ativo de sua própria aprendizagem e como parte de uma comunidade. É um processo contínuo, que respeita diferentes ritmos e trajetórias e que envolve educadores, estudantes e famílias. Ao final, a autonomia deixa de ser apenas uma habilidade a ser ensinada e passa a ser uma forma de estar no mundo: com responsabilidade, curiosidade, respeito ao outro e segurança para enfrentar o próximo passo.

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