Materia escrita por Gabriella Collodetti, jornalista do CB Brands, estúdio de conteúdo do Correio Braziliense
Na última segunda-feira (10), iniciou a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém (PA). Desde 1995, o evento, organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), reúne líderes mundiais, cientistas, organizações e sociedade civil para discutir estratégias de combate às mudanças climáticas e alinhar compromissos globais em defesa do planeta. Com presença intensa, o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) participa com uma agenda de eventos, painéis e encontros estratégicos para reforçar os compromissos da mineração com a agenda climática.
De acordo com o IBRAM, o seu papel na COP30 é destacar as iniciativas e práticas que estão sendo implementadas para reduzir a pegada ambiental da mineração e promover, ainda, a responsabilidade social corporativa. Até o dia 19 de novembro, a entidade realizará debates sobre o papel do setor mineral na transição energética, na economia verde e como a atividade pode ser cada vez mais responsável e inovadora.
A programação inclui painéis na Bluezone (Zona Azul), centro diplomático da conferência, e na Greenzone (Zona Verde), aberta ao público da COP30; reuniões com governadores e prefeitos da Amazônia Legal; encontros com líderes empresariais, organismos internacionais e representantes da sociedade civil; além de eventos culturais e de relacionamento. Também haverá atividades nos diversos espaços de discussão espalhados, como a Freezone, a EY House e a Casa CEBRI.
Para Raul Jungmann, presidente do IBRAM, a Conferência representa uma oportunidade histórica para o Brasil e para o setor mineral. “Enxergamos como um palco de protagonismo, pois coloca o país no centro das discussões globais sobre clima, energia e minerais críticos", destaca. O executivo ressalta que o segmento está comprometido com a agenda climática e apresenta compromissos concretos alinhados ao Acordo de Paris e às metas da COP30.
Antes do início da Conferência, o IBRAM apresentou um documento que reúne os compromissos do setor mineral brasileiro voltados à sustentabilidade e à transição energética global. A entidade destaca o papel estratégico do país na produção de Minerais Críticos e Estratégicos (MCEs), fundamentais para tecnologias de baixo carbono, e aponta a COP30 como uma oportunidade para o Brasil exercer liderança na diplomacia mineral.
O plano estabelece compromissos até 2030: ampliar o uso de fontes renováveis na matriz energética, aumentar o ganho líquido em biodiversidade, reduzir o consumo de água nova, incentivar planos municipais de adaptação climática e promover a descarbonização do setor e de suas cadeias de valor. O documento também integra esses compromissos a iniciativas internacionais, como as do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), e ao Plano Clima Nacional, além de reconhecer os desafios regulatórios e financeiros que ainda precisam ser superados.
"Nosso compromisso é impulsionar a transição energética, ampliando em 15% a participação de fontes renováveis na matriz do setor; conservar a biodiversidade e restaurar ecossistemas, elevando em 10% a razão entre áreas protegidas e áreas impactadas pelas operações; promover a eficiência hídrica, reduzindo em 10% o uso específico de água nova na mineração; e fomentar a adaptação climática, por meio da elaboração de 30 planos municipais de adaptação às mudanças do clima em municípios mineradores." Raul Jungmann, presidente do IBRAM
De acordo com o IBRAM, esses compromissos formam um roteiro prático para construir a “Mineração do Futuro” no Brasil. Eles representam uma mudança de paradigma: o setor deixa de ser apenas um extrator de recursos naturais para se tornar um parceiro essencial na construção de uma economia global sustentável, resiliente e de baixo carbono. Ao priorizar energia renovável, impacto ambiental positivo, eficiência no uso de recursos, resiliência comunitária e descarbonização profunda, a mineração brasileira se prepara para assumir um papel de liderança nas discussões globais sobre clima e energia, incluindo a próxima COP30.
"Queremos consolidar o Brasil como líder global de uma transição energética justa e sustentável, atraindo investimentos em mineração responsável e de baixo carbono. O país tem potencial para se tornar destino de referência em minerais críticos e estratégicos, com cadeias de valor sustentáveis e foco na industrialização local. Defendemos uma governança sólida para o setor, com um ambiente de negócios saudável, respeito aos direitos e rastreabilidade em toda a cadeia. A mineração tem papel estratégico para a descarbonização e para o desenvolvimento nacional, além de contribuir para a adaptação climática dos territórios minerados, com justiça social e visão de longo prazo", destaca Jungmann.
Mineração e mudança climática
Com uma série de e-Books técnicos, o IBRAM leva à COP30 diversas abordagens sobre o envolvimento da mineração nas soluções para o enfrentamento dos efeitos da mudança climática sobre o planeta. Entre as publicações, destacam-se:
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A visão do setor mineral sobre a agenda de adaptação às mudanças climáticas: apresenta a agenda de adaptação no cenário internacional e no cenário nacional, além da avaliação de riscos e vulnerabilidades e a agenda de adaptação na mineração;
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Mineração e Mercado de Carbono: indica o posicionamento do setor mineral sobre o sistema brasileiro de comércio de emissões (SBCE);
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Minerais Críticos e Estratégicos (MCEs) no Brasil – um passaporte para o futuro: oferece um enquadramento técnico-estratégico dos MCEs e as suas implicações para a organização produtiva do país.
Financiamento Climático e Mineração – o ecossistema do financiamento climático para o setor mineral: documento que apresenta os principais fundos globais para financiamento climático, além da relevância da iniciativa para a mineração.
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