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Lilliane Leal de Moraes Couto passa os dias cuidando de outras pessoas. Psiquiatra e psicoterapeuta, 45 anos, está acostumada a tomar decisões, buscar respostas e acompanhar o tempo de quem trata. Aos 45, teve de ocupar a posição oposta. Percebeu um nódulo palpável na mama, procurou atendimento e descobriu um câncer. Veio o susto, o medo e a surpresa, porque não tem histórico familiar da doença.
“Talvez o maior desafio tenha sido aprender a ter paciência para ser paciente. Para quem está acostumada a cuidar, tomar decisões e buscar respostas, esperar os resultados dos exames, cada etapa do tratamento e o próprio tempo do pós-operatório pode ser muito difícil”, relata.
Lilliane se trata no Hospital Brasília, da Rede Américas, segunda maior rede privada de hospitais do Brasil. Está no pós-operatório e ainda não iniciou a radioterapia. A formação médica a ajuda a reconhecer a ansiedade sem alimentar medo por antecipação, e a estratégia que encontrou foi voltar ao presente, olhar o que é possível fazer naquele dia e confiar as decisões clínicas a quem é responsável por elas. “Aprendi que cada etapa é um processo e que não preciso viver todas elas ao mesmo tempo. Preciso viver o que está diante de mim agora.” Confiar exige que alguém esteja conduzindo. Qual exame vem primeiro, com qual especialista falar e quanto tempo entre um protocolo e outro.
Quase quatro diagnósticos por dia no DF
Descontado o câncer de pele não melanoma, o câncer de mama é o tumor mais incidente entre as brasileiras. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028, cerca de 30% de todos os cânceres na população feminina. No Distrito Federal, a projeção para 2026 é de 1.410 casos, com taxa de 89,31 para cada 100 mil mulheres, bem acima da média nacional de 71,57.
Natália Polidorio, mastologista do Hospital Brasília e líder nacional de Mastologia da Rede Américas, observa que a incidência segue subindo e que os casos têm aparecido em mulheres cada vez mais jovens, apesar dos avanços das últimas décadas em diagnóstico e tratamento.
O caso de Lilliane mostra por que a ausência de casos na família não dispensa atenção. A detecção precoce trabalha em duas frentes. Uma investiga rápido quem tem sinal ou sintoma. A outra rastreia quem não tem nenhum. Jana Pacífico, coordenadora do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Brasília Águas Claras, orienta que o rastreamento comece aos 40 anos, com exame anual, e que cada mulher converse com o médico sobre os próprios fatores de risco.
Pedem avaliação nódulos na mama ou na axila, mudanças persistentes na pele ou no formato da mama e saída de secreção pelo mamilo. Natália recomenda que a mulher conheça as próprias mamas, porque reconhecer o que é habitual ajuda a perceber o que mudou. Ela lembra que atividade física regular, alimentação equilibrada e controle do peso reduzem risco, ainda que não exista prevenção para todos os casos. E que o compromisso do Outubro Rosa precisa durar o ano inteiro.
Da suspeita à biópsia, dentro da mesma unidade
A partir da alteração detectada, tempo vira tratamento. A investigação pode envolver exames de imagem, avaliação especializada e, quando indicada, biópsia. No Hospital Brasília Águas Claras, tudo isso acontece na própria unidade. De lá, o caso segue para a equipe de mastologia e, quando necessário, para a oncologia clínica.
“A paciente não precisa receber o resultado suspeito e, sozinha, tentar descobrir qual será o próximo passo”, afirma Jana.
Fora de uma estrutura integrada, cada etapa costuma exigir uma nova corrida atrás de encaminhamento, agenda e profissional disponível. Dentro da rede, mastologia, oncologia, cirurgia, diagnóstico por imagem, radioterapia e suporte psicológico compartilham o mesmo fluxo de informação.
Uma oncologia que cresceu para encurtar esse caminho
Em 2026, a Rede Américas ampliou a estrutura oncológica no Distrito Federal. Chegaram 14 novos especialistas, entre seis oncologistas, quatro oncologistas assistentes e quatro hematologistas, com atuação distribuída pelo Hospital Brasília, Hospital Brasília Águas Claras, Hospital Alvorada Brasília e Unidade Avançada de Ceilândia. Em 13 de agosto, a rede inaugurou o Centro Oncológico do Hospital Alvorada Brasília.
A expansão reforça quatro linhas de cuidado prioritárias, e a de mama é uma delas, ao lado dos tumores do trato gastrointestinal, de pulmão e ginecológicos.
Para quem está em tratamento, o efeito aparece em consulta mais perto de casa, menos deslocamento entre serviços, menos espera entre uma etapa e a seguinte. Reunir competências complementares na mesma rede também permite que um caso com característica fora do comum encontre o profissional certo sem recomeçar o percurso em outro lugar.
Quem acompanha a paciente entre uma etapa e outra
Consultas, diagnóstico, cirurgia, tratamentos sistêmicos, infusão, internação e seguimento acontecem dentro da própria Rede Américas. Na prática, exames, laudos e decisões circulam entre as equipes sem que a paciente precise carregar informação de um serviço para outro.
“A detecção precoce é fundamental, mas seus benefícios dependem também de uma jornada assistencial estruturada, que garanta agilidade na investigação diagnóstica e continuidade do cuidado. Não basta identificar uma alteração suspeita na mamografia; é essencial que a paciente tenha acesso oportuno à avaliação especializada e, quando necessário, ao tratamento adequado”, diz Jana. “Em oncologia, tempo e coordenação importam de forma significativa.”
Nesse percurso trabalham oncologia clínica, hematologia, cirurgia oncológica, diagnóstico, patologia, radiologia, enfermagem e equipes de suporte, com psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas acompanhando a paciente ao longo do tratamento. Protocolos baseados em evidências e discussões multidisciplinares orientam as decisões clínicas e reduzem a fragmentação do cuidado.
Confirmado o diagnóstico, a equipe define o tratamento a partir do estágio da doença, das características do tumor e das necessidades da paciente.
“A decisão não pode mais estar concentrada em um único especialista. O tratamento é multidisciplinar e individualizado”, afirma Romualdo Barroso, oncologista do Hospital Brasília, líder nacional de Câncer de Mama e diretor nacional de Pesquisa Clínica da Rede Américas.
O cuidado pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou terapias direcionadas, em combinações e ordens diferentes. Algumas pacientes começam pela cirurgia. Outras se beneficiam de tratamento sistêmico antes dela. Exames patológicos e biomarcadores ajudam a equipe a estimar o que traz benefício em cada caso.
“Uma parte igualmente importante da inovação é descobrir quem não precisa de determinado tratamento. Não é tratar mais; é oferecer a cada paciente o tratamento necessário, nem mais, nem menos”, diz Romualdo.
A pesquisa clínica caminha junto. A Oncologia Américas mantém 14 centros de pesquisa e mais de 250 estudos em andamento, com 2.500 participantes. “Na Rede Américas, conectamos diferentes competências ao longo da jornada da paciente. As discussões multidisciplinares integram os resultados dos exames e aproximam a assistência da pesquisa clínica. Em um ambiente de rápida inovação, o acesso a estudos clínicos também cria oportunidades para que pacientes possam receber estratégias que ajudam a construir o tratamento do futuro”, afirma.
Viver mais e viver melhor
A assistência também olha para como a mulher atravessa o tratamento. Qualidade de vida, acolhimento e acompanhamento emocional fazem parte do plano. “As nossas pacientes estão vivendo mais, mas precisamos que elas vivam melhor”, resume Jana.
Para Lilliane, trocar o papel de cuidadora pelo de paciente virou exercício diário de abrir mão do controle e aceitar a própria vulnerabilidade, passagem que ela considera especialmente dura para quem trabalha na saúde e está habituada a orientar condutas. “Sair da posição de cuidadora e permitir ser cuidada talvez seja uma das maiores aprendizagens desse processo.”
Às mulheres que enfrentam a mesma doença, ela lembra que cuidar do corpo, da mente, das relações e dos afetos durante o tratamento pesa tanto quanto cumprir cada etapa clínica. “Não temos como prever tudo, mas podemos escolher como viver cada etapa. No fim, não se trata apenas de atravessar o câncer. Trata-se também de continuar vivendo.”
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- Hospital Brasília
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Oncologia Américas em números
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38 unidades oncológicas · mais de 400 médicos · mais de 50 mil pacientes atendidos por mês · mais de 250 consultórios · mais de 430 boxes de infusão · 14 centros de pesquisa clínica · mais de 250 estudos clínicos · 2.500 participantes em estudos. |
