Matéria escrita por Gabriella Collodetti, jornalista do CB Brands – Estúdio de Conteúdo, Marketing e Projetos Especiais do Correio Braziliense
As grandes economias do mundo têm um ponto em comum: uma indústria forte, diversificada e inovadora. É neste segmento que há a transformação do conhecimento em tecnologia, matéria-prima em produtos de alto valor agregado e investimento em empregos qualificados. Países que lideram a economia global, como Estados Unidos, Alemanha e China, consolidaram sua competitividade internacional apoiados em parques industriais robustos, capazes de impulsionar a produtividade, estimular a inovação e fortalecer cadeias produtivas inteiras.
No caso do Brasil, que já teve na indústria sua principal força, mas viu o setor perder participação nas últimas décadas, o desafio está em fortalecer o setor para ampliar sua capacidade de criar empregos, agregar valor à produção brasileira e aumentar a competitividade do país no cenário internacional. Hoje, a indústria brasileira é responsável por 23,4% do PIB nacional. A relevância desse segmento ganha ainda mais destaque nesta segunda-feira (25), data em que é celebrado o Dia da Indústria, em homenagem ao industrial Roberto Simonsen.
De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a cada R$ 1 produzido na indústria, são gerados R$ 2,44 na economia brasileira. "A indústria manufatureira é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Temos feito muitos esforços na qualificação de mão de obra, tecnologia, inovação e sustentabilidade no setor industrial", ressalta Ricardo Alban, presidente da entidade.
Atualmente, o setor emprega 11,8 milhões de trabalhadores, o equivalente a 20,6% dos empregos formais do Brasil. Os salários pagos também estão acima da média nacional em diferentes níveis de escolaridade: entre profissionais com ensino superior completo, a remuneração média chega a R$ 8.746, frente aos R$ 6.639 da média brasileira; já entre trabalhadores com ensino médio completo, o rendimento médio é de R$ 2.933, superior aos R$ 2.499 registrados no conjunto da economia.
Com o objetivo de fomentar o crescimento da economia, a CNI lançou, em março deste ano, o "Projeto para o Brasil 2050", que prevê uma construção a longo prazo liderada pelo setor produtivo. A iniciativa reúne 50 propostas voltadas ao fortalecimento do equilíbrio fiscal e de vantagens competitivas, à melhora do ambiente de negócios, além do impulsionamento a iniciativas que o Brasil tem potencial, como a economia circular, o desenvolvimento de data centers e de combustíveis sustentáveis.
“Os setores econômicos discutem a proposta de um grande pacto. Não é um pacto para qualquer que seja o governo de plantão. Precisamos construir um consenso em torno de metas fiscais e de políticas econômicas estruturantes, garantindo que, enquanto se busca o equilíbrio das contas públicas, haja estímulos para os investimentos, para assim voltarmos a crescer”, ressalta Alban.
Segundo o presidente da CNI, a expectativa é que a iniciativa envolva todos os poderes públicos constituídos – além de empresários e trabalhadores – para que, posteriormente, seja apresentado um plano focado no país. Na percepção de Alban, um dos aspectos essenciais diz respeito à necessidade de abordar, com responsabilidade, a taxa de juros brasileira.
“Estamos propondo uma reflexão sobre o futuro que queremos, com ações efetivas e a construção de um pacto que envolva o setor produtivo, o poder público e a sociedade em torno de um plano de longo prazo em favor do desenvolvimento do país nos próximos anos”, afirma o presidente da CNI.
De acordo com a Confederação, o projeto surge em um contexto em que a indústria aponta a necessidade de um direcionamento claro e coordenado entre os setores público e privado, sob o risco de o país perder avanços recentes e enfrentar novos períodos de instabilidade econômica.
“Os desafios que se acumulam na economia brasileira – fiscais, sociais e produtivos – não são novidade. Mas a complexidade do presente exige mais do que diagnósticos conhecidos: urge uma ação coordenada, espírito público e visão de futuro. O tempo das soluções improvisadas ficou para trás. Se quisermos um amanhã mais próspero, é preciso construí-lo a partir de um presente sólido, ancorado numa economia forte, moderna e inclusiva”, acrescenta Alban.
Impactos do Custo Brasil
O Custo Brasil gera uma despesa anual de R$ 1,7 trilhão ao país. Esse conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas prejudica o ambiente de negócios, por encarecer os custos das empresas, atrapalhar a atração de investimentos e comprometer a competitividade do produto nacional.
Pesquisa da CNI mostra que, para 70% dos empresários, o sistema tributário brasileiro é o principal vilão do Custo Brasil. Em seguida, aparece a dificuldade em “contratar mão de obra qualificada”, com 62%; “financiar o negócio”, 27%; e “segurança jurídica e regulatória”, 24%.
“É preciso reduzir o Custo Brasil para recuperarmos a competitividade da indústria e promovermos um ambiente mais eficiente e competitivo tanto no mercado interno quanto externo. Caso o país não avance em ritmo superior ao dos países da OCDE, o Custo Brasil continuará a crescer, representando um obstáculo ao desenvolvimento econômico sustentável e à atração de investimentos no cenário global”, explica Alban.
O presidente da CNI aponta a importância de o Brasil preservar avanços institucionais que ajudaram a dar mais previsibilidade ao ambiente de negócios. "A modernização trabalhista de 2017 trouxe regras mais claras para as relações de trabalho e contribuiu para reduzir a litigância excessiva. Garantir segurança jurídica e estabilidade nas regras é fundamental para que as empresas tenham confiança para investir", indica.
Outro elemento que compõe o Custo Brasil e prejudica a atração de investimentos é a elevada taxa de juros do país. Para a CNI, não há justificativa para os sucessivos aumentos da Selic, que hoje está em 14,5% ao ano. Dessa forma, a entidade ressalta que a prioridade atual deve ser a implementação de uma agenda que viabilize um amplo corte na taxa de juros. Sem esse esforço, atrativos do mercado nacional podem ser anulados, frustrando inúmeros projetos de investimentos.
Alban alerta que somente a partir do enfrentamento dos principais problemas estruturais é que o país terá capacidade de competir com as principais economias no mercado internacional. Para isso, é preciso, segundo ele, simplificar regras, melhorar a infraestrutura e criar um ambiente de negócios mais previsível. "Sem isso, a indústria continuará competindo em desvantagem em relação aos seus concorrentes internacionais", acrescenta.
Dia da Indústria
A CNI lançou campanha institucional que posiciona a indústria como expressão da brasilidade.
Em celebração ao Dia da Indústria, todas as pessoas no Brasil que derem bom dia para a Alexa hoje receberão informações sobre a indústria brasileira.
Conheça a campanha “A indústria cria. A indústria é mais Brasil” no site www.aindustriacria.com.br.
