Alimentos crus ou malcozidos fazem parte da rotina de muitas pessoas, seja em receitas rápidas, seja em pequenos “beliscos” na cozinha, como provar massa de bolo ou carne ainda rosada. Apesar de prático, esse hábito pode representar um risco real para a saúde, principalmente quando certos ingredientes não passam pela temperatura adequada de cozimento. Diversos microrganismos e toxinas podem estar presentes sem alterar cheiro, cor ou sabor do alimento, o que reforça a importância da segurança alimentar diária.
Quais alimentos crus não devem ir direto ao prato
A expressão alimentos que não podem ser consumidos crus inclui tanto produtos de origem animal quanto vegetal. Entre os mais conhecidos estão a carne moída, as aves e o leite não pasteurizado, que devem sempre passar por cozimento ou tratamento térmico adequado antes do consumo.
No grupo dos alimentos vegetais, o consumo cru de farinha crua, feijão cru (especialmente o feijão-vermelho), algumas variedades de feijão-branco, como o feijão-de-lima, e a mandioca (cassava) também merece atenção. Esses ingredientes podem conter toxinas naturais ou microrganismos que só são destruídos com calor suficiente, tornando o cozimento uma etapa essencial para a prevenção de infecções e intoxicações alimentares.
Por que carne frango e leite cru exigem tanto cuidado
No caso da carne bovina, há diferença importante entre cortes inteiros e carnes moídas. Nos bifes, as bactérias tendem a se concentrar na superfície, o que permite que um preparo mais malpassado ainda seja relativamente seguro, desde que a parte externa seja bem selada. Já na carne moída, o processo de moagem distribui possíveis bactérias por toda a peça, exigindo cozimento completo.
As aves, como frango, peru e pato, precisam ser cozidas até atingir temperatura interna adequada, em torno de 75 °C a 80 °C, para reduzir o risco de bactérias como Salmonella e Campylobacter. O leite cru pode carregar diversos microrganismos prejudiciais, motivo pelo qual a pasteurização ou fervura são fundamentais para torná-lo seguro para o consumo diário.
- Carne moída: deve ser bem passada, sem partes rosadas no interior.
- Aves: não devem apresentar regiões cruas ou com suco avermelhado, como aborda o CDC Americano.
- Leite cru: o consumo seguro é aquele que passa por pasteurização ou fervura adequada.

Quais alimentos de origem vegetal não podem ser consumidos crus
Entre os vegetais, a lista de alimentos que não podem ser comidos crus inclui ingredientes muito comuns na cozinha. A farinha de trigo é vista como produto “pronto”, mas o grão não passa por cozimento na produção industrial, permitindo que possíveis bactérias permaneçam, por isso massas cruas de bolo e biscoito devem sempre ser assadas ou cozidas.
Alguns tipos de feijões, como o feijão-vermelho (kidney beans), contêm lectinas tóxicas que podem causar sintomas semelhantes à intoxicação alimentar mesmo em pequenas quantidades cruas. O feijão-de-lima (lima beans) possui linamarina, que pode liberar cianeto se não for bem cozido, assim como a mandioca, especialmente em variedades mais amargas, exigindo descasque, imersão em água e cozimento prolongado.
- Farinha crua: deve sempre passar pelo forno ou pelo cozimento na receita.
- Feijão cru ou malcozido: precisa ser demolhado e cozido em água fervente por tempo suficiente.
- Mandioca (cassava): requer descasque, imersão em água e cozimento prolongado.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Tiago Rocha, que explica sobre a cenoura:
@palestrantetiagorocha NUNCA MAIS COMA CENOURA CRUA. Dr. Tiago Rocha #cenoura #crua #cancer #verduras #dr ♬ som original – Tiago Rocha Palestrante
Como preparar esses alimentos de forma segura em casa
Para reduzir os riscos associados aos alimentos que não podem ser consumidos crus, algumas medidas simples podem ser incorporadas à rotina da cozinha. No caso de feijões secos, recomenda-se deixar os grãos de molho por algumas horas, descartar a água de demolho e cozinhar em água fervente até que estejam bem macios, o que ajuda a inativar toxinas naturais e melhora a digestibilidade.
Na preparação da mandioca, o cuidado começa pelo descarte da casca e de partes escuras ou muito amargas, seguido de corte em pedaços menores, imersão em água e cozimento em bastante água até atingir textura macia. A carne moída deve ser cozida até não haver traços de rosa no interior, e massas com farinha de trigo devem ser levadas ao forno ou frigideira, pois o calor torna o alimento seguro tanto em bolos quanto em biscoitos e pães.
- Lavar bem utensílios que entraram em contato com alimentos crus.
- Evitar usar a mesma tábua para carnes cruas e alimentos já prontos.
- Respeitar tempos e temperaturas de cozimento recomendados para cada alimento.
- Armazenar os alimentos adequadamente, em refrigeração ou congelamento.
Por que vale a pena dar atenção à segurança alimentar diariamente
Mesmo que muitas pessoas nunca tenham passado por episódios graves relacionados a alimentos crus, dados de saúde pública mostram que doenças transmitidas por alimentos continuam frequentes em vários países, inclusive em 2025. A maior parte desses casos poderia ser evitada com práticas simples de higiene, manipulação correta e cozimento adequado.
Conhecer os riscos de ingredientes comuns, como farinha, feijão, mandioca, carne moída, aves e leite cru, permite planejar melhor as refeições e reduzir a exposição a microrganismos e toxinas. Com alguns cuidados na manipulação e no preparo, é possível manter o sabor das receitas e, ao mesmo tempo, priorizar a segurança alimentar em casa, em restaurantes e em ambientes de alimentação coletiva.







