As oleaginosas, como nozes, amêndoas e castanhas, foram por muito tempo vistas com desconfiança devido ao seu alto teor de gordura e calorias. É crucial e inegociável afirmar desde o início: nenhum alimento isolado pode prevenir doenças cardíacas. A saúde do coração depende de um padrão de vida saudável e do acompanhamento médico regular.
Dito isso, décadas de pesquisas científicas robustas não apenas absolveram essas potências nutricionais, mas as posicionaram como um dos pilares de uma dieta cardioprotetora. Este artigo irá explorar, de forma segura e baseada em evidências, os múltiplos mecanismos pelos quais o consumo regular e moderado de oleaginosas pode ajudar a proteger o sistema cardiovascular.
Como as “gorduras boas” das oleaginosas atuam no perfil do colesterol?
O principal benefício das oleaginosas para o coração reside no seu perfil de gorduras. Elas são ricas em gorduras monoinsaturadas e poli-insaturadas, conhecidas como “gorduras boas”. Conforme aponta a American Heart Association, a substituição de gorduras saturadas por essas gorduras mais saudáveis é uma estratégia fundamental para a saúde cardiovascular.
Essas gorduras atuam diretamente no perfil lipídico do sangue, ajudando a diminuir os níveis de colesterol LDL (o “colesterol ruim”). O LDL é a partícula que, em excesso, pode se depositar nas paredes das artérias, formando placas que levam à aterosclerose.
Qual o papel dos ácidos graxos ômega-3 encontrados em certas oleaginosas?
Dentro das gorduras poli-insaturadas, um tipo se destaca por seus benefícios únicos: os ácidos graxos ômega-3. Embora os peixes gordurosos sejam a fonte mais famosa, as nozes são uma das fontes vegetais mais ricas em um tipo de ômega-3 chamado ácido alfa-linolênico (ALA). O ômega-3 é um potente agente anti-inflamatório, ajudando a reduzir a inflamação crônica que é um fator chave no desenvolvimento de doenças cardíacas.

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Como outros compostos das oleaginosas protegem os vasos sanguíneos?
Os benefícios das oleaginosas vão muito além do seu perfil de gorduras. Elas são um pacote de compostos bioativos que atuam em sinergia.
L-arginina
As oleaginosas são uma boa fonte de L-arginina, um aminoácido que o corpo utiliza para produzir óxido nítrico. O óxido nítrico ajuda a relaxar e a dilatar os vasos sanguíneos, melhorando o fluxo de sangue e ajudando a manter a pressão arterial sob controle.
Fibras
A fibra presente nas oleaginosas ajuda a reduzir a absorção de colesterol no intestino e contribui para a saciedade, o que auxilia no controle do peso.
Vitamina E e outros antioxidantes
Muitas oleaginosas, como as amêndoas, são ricas em vitamina E, um poderoso antioxidante que ajuda a prevenir a oxidação do colesterol LDL, um passo crítico na formação das placas de aterosclerose.
O que os grandes estudos populacionais dizem sobre este hábito?
As evidências que apoiam o consumo de oleaginosas são robustas. Grandes estudos observacionais de longo prazo, como os conduzidos pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, encontraram uma forte e consistente associação entre o consumo regular de oleaginosas e um menor risco de morte por doença cardíaca. O famoso estudo PREDIMED também demonstrou que uma dieta mediterrânea suplementada com oleaginosas foi altamente eficaz na redução de eventos cardiovasculares graves.
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Qual a forma correta de incluir as oleaginosas na dieta sem exagerar nas calorias?
Este é o ponto-chave para colher os benefícios sem prejudicar o controle de peso. Como as oleaginosas são ricas em calorias, o controle da porção é fundamental.
A recomendação geral é de cerca de um punhado por dia, o que equivale a aproximadamente 30 gramas. Opte sempre pelas versões naturais ou torradas, sem adição de sal ou açúcar. Se você tem alguma condição cardíaca ou fatores de risco, a criação de um plano alimentar deve ser feita sob a orientação de um médico cardiologista e de um nutricionista.









