Se você está “tossindo cachorro” e nada parece resolver, os benefícios do guaco (Mikania glomerata) podem ser a solução natural mais eficaz disponível na flora medicinal. Esta planta trepadeira é amplamente reconhecida pela ciência por sua capacidade de relaxar a musculatura respiratória e facilitar a expulsão do catarro, agindo como um broncodilatador potente e acessível para crises respiratórias leves e moderadas.
Por que a erva é tão potente contra a tosse?
O segredo da eficácia do guaco reside na cumarina, o composto bioativo responsável pelo cheiro característico de “baunilha” que a planta exala. Ao ser ingerida, a cumarina atua relaxando o músculo liso dos brônquios, o que diminui o chiado no peito e acalma o reflexo da tosse seca ou produtiva.
Estudos revisados pelo National Institutes of Health (NIH) confirmam que os extratos de guaco possuem atividades anti-inflamatórias e broncodilatadoras significativas. A pesquisa indica que a planta inibe mediadores inflamatórios nas vias aéreas, facilitando a respiração quase tão eficazmente quanto alguns medicamentos sintéticos, mas com um perfil de efeitos colaterais diferente.

Como preparar o chá para garantir o efeito?
Muitas pessoas erram ao ferver as folhas do guaco vigorosamente, o que pode degradar parte dos seus óleos essenciais voláteis. Para extrair a cumarina de forma eficiente sem perder as propriedades terapêuticas, o método de infusão é o mais indicado para as folhas secas ou frescas.
A técnica correta consiste em verter água fervente sobre cerca de uma colher de sopa de folhas picadas e abafar o recipiente por pelo menos 10 minutos. Essa “pausa” é crucial para que os princípios ativos migrem para a água. Adicionar mel não serve apenas para adoçar; ele cria uma barreira física na garganta irritada, potencializando o alívio imediato da tosse.
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O xarope caseiro é mais forte que o chá?
Geralmente, sim. O xarope tende a ser mais concentrado porque utiliza uma quantidade maior de folhas reduzidas em uma base de açúcar ou mel, o que ajuda a conservar a cumarina por mais tempo. Além disso, a textura viscosa do xarope adere melhor às mucosas da garganta, oferecendo um alívio tópico prolongado.
No entanto, é preciso cautela com a quantidade de açúcar, que pode ser inflamatório em excesso. Para diabéticos ou pessoas que buscam uma opção menos calórica, o chá (infusão) continua sendo a melhor via de administração, oferecendo os mesmos benefícios broncodilatadores sem o impacto glicêmico do xarope doce.
No vídeo a seguir, o canal Horta Orgânica Urbana Panc, que conta com mais de 18 mil inscritos, explica alguns dos benefícios do guaco:
Quem deve passar longe dessa planta?
Apesar de ser natural, o guaco não é isento de riscos químicos. A mesma cumarina que dilata os brônquios possui um efeito anticoagulante leve, que pode “afinar” o sangue se consumida em grandes quantidades ou por períodos prolongados.
Os principais grupos que devem evitar o consumo incluem:
- Pessoas com distúrbios de coagulação: O uso pode aumentar o risco de hemorragias.
- Usuários de anticoagulantes: Interage com medicamentos como varfarina.
- Gestantes: Pode estimular contrações uterinas indesejadas.
- Crianças menores de 1 ano: Devido ao risco de reações alérgicas ou contaminação (se usado mel).
- Pessoas com doença hepática: O metabolismo da cumarina exige um fígado saudável.
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O guaco pode substituir a bombinha de asma?
Jamais faça essa troca sem orientação médica estrita. Embora o guaco tenha ação broncodilatadora comprovada, sua potência e velocidade de ação são inferiores aos medicamentos de resgate (bombinhas) usados em crises asmáticas agudas.
Em situações de emergência, onde as vias aéreas se fecham rapidamente, confiar apenas no chá pode ser fatal. O guaco deve ser encarado como um tratamento complementar (coadjuvante) para manutenção e alívio de sintomas leves, ajudando a espaçar as crises, mas nunca como substituto de terapias vitais prescritas por pneumologistas.









