Grandes centros urbanos convivem diariamente com partículas microscópicas em suspensão no ar, conhecidas como PM2.5, capazes de alcançar as regiões mais profundas do sistema respiratório. Em 2025, com o aumento de episódios de fumaça por queimadas, congestionamentos intensos e poeira em áreas urbanizadas, o interesse por possíveis formas de proteção pulmonar cresceu. Nesse cenário, a vitamina C tem sido observada como um possível aliado, especialmente por seu papel antioxidante já bem descrito em estudos anteriores e por sua participação na resposta imunológica das vias aéreas, como mostrou a pesquisa “Vitamin C attenuates low-level PM2.5 exposure-induced lung inflammation and mitochondrial loss”.
Vitamina C e PM2.5 podem afetar diretamente a saúde dos pulmões?
A palavra-chave central desse debate é a vitamina C, ligada diretamente à ideia de proteção contra os efeitos da poluição por PM2.5. Essas partículas têm menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, atravessam as vias aéreas superiores e alcançam os alvéolos pulmonares, onde podem desencadear inflamação e estresse oxidativo.
Em estudos recentes, pesquisadores observaram que a vitamina C ajudou a preservar as mitocôndrias das células pulmonares, estruturas frequentemente chamadas de “usinas de energia” celulares. Em modelos animais e em tecidos humanos cultivados em laboratório, essa preservação esteve associada a menor dano estrutural, melhor funcionamento celular e redução de marcadores inflamatórios ligados à exposição contínua à poluição atmosférica.
Vitamina C realmente protege pessoas expostas diariamente à poluição do ar?
A questão central é se a vitamina C pode, de fato, proteger pessoas que respiram ar poluído todos os dias em grandes cidades. Até o momento, as evidências mais diretas vêm de ensaios com animais e com tecidos fora do organismo, o que limita a extrapolação dos resultados para a vida real, com múltiplas fontes de poluição e diferentes períodos de exposição.
Os próprios pesquisadores indicam que as condições de laboratório não reproduzem totalmente a realidade cotidiana. As concentrações de poluentes e a quantidade de vitamina C foram cuidadosamente ajustadas, diferindo de cenários urbanos com picos de queimadas, trânsito intenso ou tempestades de poeira. Mesmo assim, destaca-se que níveis relativamente baixos de PM2.5, próximos aos medidos em muitos países desenvolvidos em 2025, já provocam alterações celulares significativas, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas.
Para ampliarmos o tema, trouxemos o vídeo da nutricionista Patrícia Leite, em que ela aborda diversos alimentos que ajudam os pulmões:
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Como a vitamina C atua no organismo em ambientes urbanos poluídos?
A função antioxidante da vitamina C é o principal mecanismo apontado para explicar os resultados observados em laboratório. Antioxidantes neutralizam radicais livres, substâncias reativas produzidas em excesso quando o organismo entra em contato com poluentes, diminuindo o estresse oxidativo que danifica membranas celulares, proteínas e material genético.
Com base nesses achados, alguns efeitos potenciais foram descritos em estudos experimentais, reforçando a hipótese de que a vitamina C possa ajudar a modular a resposta inflamatória em ambientes com alta carga de poluentes finos. Entre os efeitos relatados, destacam-se:
- Preservação das mitocôndrias, evitando perda da capacidade energética das células;
- Redução de inflamação nas estruturas pulmonares expostas à PM2.5;
- Menor dano por estresse oxidativo, com proteção de componentes celulares sensíveis;
- Mitigação de respostas inflamatórias crônicas, associadas a doenças respiratórias de longo prazo.
Quais cuidados são necessários antes de usar altas doses de vitamina C?
Antes de recorrer a grandes doses de vitamina C como estratégia contra a poluição, especialistas recomendam atenção a limites de ingestão diária e a possíveis efeitos adversos. Cada país estabelece valores considerados seguros, e ultrapassá-los pode causar desconfortos gastrointestinais, risco aumentado de formação de cálculos renais em pessoas predispostas e sobrecarga em indivíduos com doenças específicas.
De forma geral, orienta-se que qualquer mudança significativa no uso de suplementos seja discutida com um profissional de saúde, que avaliará histórico clínico e hábitos de vida. Alguns pontos costumam ser considerados:
- Histórico de doenças respiratórias ou cardiovasculares;
- Nível de exposição à poluição no cotidiano, incluindo trânsito, queimadas e ambientes industriais;
- Uso prévio de suplementos e possíveis interações medicamentosas relevantes;
- Dieta habitual, já que alimentos ricos em vitamina C podem contribuir de maneira importante.

Vitamina C pode ser considerada solução para o problema da poluição do ar?
Os resultados dos estudos com vitamina C e PM2.5 trazem a perspectiva de uma possível medida preventiva de baixo custo, sobretudo em regiões nas quais milhões de pessoas respiram ar poluído diariamente. Entretanto, pesquisadores enfatizam que nenhum suplemento substitui políticas públicas voltadas à redução de emissões, ao monitoramento contínuo da qualidade do ar e à prevenção de queimadas e tempestades de poeira.
A combinação de ações individuais e coletivas aparece como o caminho mais consistente. Enquanto a ciência investiga o papel de antioxidantes como a vitamina C na proteção celular, especialistas em saúde pública defendem o reforço de medidas que diminuam a concentração de partículas finas no ambiente. Dessa forma, a suplementação, quando indicada, tende a ser vista como complemento, e não como única barreira diante de um problema global crescente em 2025.







