Esqueça o mamão papaia e as ameixas secas como suas únicas opções. A ciência digestiva moderna elegeu um novo campeão contra a constipação crônica: o kiwi verde. Estudos clínicos recentes, incluindo pesquisas validadas pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), confirmam que consumir exatamente duas unidades desta fruta por dia pode regular o trânsito intestinal com mais eficácia e menos efeitos colaterais (como gases) do que os remédios naturais tradicionais.
Por que o kiwi supera a ameixa e o psyllium?
Embora as ameixas secas e as fibras de psyllium funcionem, elas têm um “custo” alto para muitos pacientes: inchaço abdominal e excesso de gases. Um estudo multicêntrico publicado no American Journal of Gastroenterology comparou diretamente o efeito do kiwi, do psyllium e das ameixas em pacientes com constipação crônica.
O resultado foi surpreendente. O kiwi foi tão eficaz quanto os outros para aumentar a frequência das idas ao banheiro, mas com uma vantagem crucial: os participantes relataram significativamente menos dor abdominal e desconforto. A fruta age de forma mais “suave”, hidratando as fezes sem causar a fermentação explosiva típica das ameixas ricas em sorbitol.
No vídeo a seguir, da Dra. Ana Carolina P. Botelho, com mais de 10 mil seguidores, é falado alguns dos benefícios do kiwi:
@dra.anabotelho O KWI é rico em actinidina que é uma enzima proteolítica do Kiwi verde que melhora a saúde intestinal, aliviando constipação, promovendo a digestão de proteínas e aumentando bactérias benéficas no intestino. #gastro #intestino #saudeintestinal #constipação #intestinopreso #kwi ♬ Lounge Fashion Chill – MusicHead
O que é a actinidina e como ela “destrava” o intestino?
O segredo do kiwi não é apenas a fibra, mas uma enzima exclusiva chamada actinidina. Enquanto a maioria das frutas oferece apenas volume fecal (fibra), o kiwi verde possui esta enzima proteolítica que auxilia ativamente na digestão de proteínas no estômago e no intestino delgado.
Segundo pesquisadores da Monash University, a combinação da actinidina com a alta capacidade de retenção de água das fibras do kiwi cria fezes mais macias e volumosas. Isso estimula os receptores na parede do intestino a promoverem o movimento peristáltico (as contrações que empurram o bolo fecal), facilitando a evacuação sem a necessidade de fazer força excessiva.
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A regra dos “2 por dia” é realmente necessária?
Sim, a dosagem importa. Os ensaios clínicos mostram que a consistência é a chave para o tratamento. Comer um kiwi esporadicamente é saudável, mas para obter o efeito terapêutico de “relógio biológico”, o protocolo indicado é o consumo de duas unidades médias descascadas diariamente.
Essa quantidade fornece cerca de 4 a 5 gramas de fibra e a dose ideal de enzimas para manter o trânsito fluindo. A regularidade envia um sinal constante ao corpo, reeducando o reflexo de evacuação ao longo de 4 semanas de uso contínuo.

Devo comer com casca ou sem casca?
Nutricionalmente, a casca do kiwi é comestível e triplica a quantidade de fibras ingerida. No entanto, para a maioria das pessoas, a textura é desagradável e pode irritar bocas sensíveis. A boa notícia é que os estudos de eficácia foram feitos com a polpa da fruta (sem casca).
Portanto, você não é obrigado a comer a casca para ter o benefício laxativo. O mais importante é garantir as duas unidades da polpa verde (o kiwi Gold também funciona, mas tem menos actinidina que o verde).
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Quem deve ter cuidado ao consumir?
O kiwi é seguro para a maioria, mas existem exceções. Pessoas com alergia ao látex podem ter uma reação cruzada ao kiwi (síndrome látex-fruta). Além disso, se você sofre de diarreia crônica em vez de constipação, o efeito laxante natural pode agravar o quadro.
Para quem tem SII (Síndrome do Intestino Irritável), o kiwi é considerado uma fruta “Low FODMAP” (baixa fermentação), sendo muito mais seguro do que maçãs, peras ou melancia, que costumam causar distensão abdominal.










