Se você vive esquecendo onde deixou as chaves ou o nome daquela pessoa que acabou de encontrar, a solução pode estar no seu jardim ou na prateleira de temperos. O alecrim (Rosmarinus officinalis), historicamente conhecido como a “erva da lembrança”, teve a sua fama confirmada pela neurociência moderna. Estudos revelam que esta planta comum não só aumenta o estado de alerta imediato, como possui compostos que protegem o cérebro contra a degeneração causada pela idade.
O “efeito inalação”: Como o cheiro afeta a cognição?
O que torna o alecrim único é que você não precisa necessariamente comê-lo para sentir os efeitos; basta respirá-lo. Pesquisadores da Northumbria University descobriram que a inalação do óleo essencial de alecrim pode melhorar a “memória prospectiva” (a capacidade de lembrar de fazer coisas no futuro, como tomar um remédio ou enviar um e-mail) em até 75%.
O segredo está num composto chamado 1,8-cineol. Quando inalado, ele passa para a corrente sanguínea através do nariz e pulmões, chegando ao cérebro onde atua inibindo as enzimas que destroem a acetilcolina — um neurotransmissor vital para o foco e o raciocínio rápido. Basicamente, o cheiro do alecrim funciona como um “marca-texto” químico, ajudando o cérebro a reter informações com mais clareza.
No vídeo a seguir, a Nutricionista Patricia Leite, com mais de 8 milhões de seguidores, fala um pouco dos benefícios do alecrim:
Proteção contra o “enferrujamento” cerebral
Além do efeito imediato no foco, o alecrim é uma arma poderosa a longo prazo. Ele é rico em ácido carnósico, um antioxidante que protege especificamente as células neurais contra o ataque dos radicais livres.
Estudos publicados na PubMed sugerem que o ácido carnósico pode ajudar a prevenir a neurodegeneração associada ao Alzheimer e ao envelhecimento, combatendo a inflamação crônica no hipocampo (a sede da memória). É como aplicar um “antiferrugem” nas conexões cerebrais, mantendo-as ágeis por mais tempo.
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Chá ou Óleo Essencial: Qual o melhor método?
Depende do seu objetivo. Veja algumas opções:
- Para Foco Imediato (Trabalho/Estudo): A inalação é superior. Tenha um vaso de alecrim fresco na mesa de trabalho e esfregue as folhas entre os dedos periodicamente, ou use um difusor com óleo essencial de alecrim (quimiotipo cineol).
- Para Proteção a Longo Prazo: O consumo oral (chá ou tempero) garante a ingestão dos polifenóis protetores. O chá deve ser feito por infusão (não ferva as folhas, apenas jogue a água quente sobre elas e abafe por 10 minutos) para preservar os óleos voláteis.

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Quem deve ter cuidado (Contraindicações)?
Apesar de natural, o alecrim é um estimulante potente. O seu consumo em doses terapêuticas (chás fortes ou óleo concentrado) exige cautela para três grupos principais:
- Hipertensos: O alecrim pode elevar ligeiramente a pressão arterial.
- Epiléticos: O composto cânfora presente na planta pode, em casos raros e doses altas, desencadear convulsões em pessoas predispostas.
- Grávidas: O consumo excessivo deve ser evitado devido ao risco teórico de estímulo uterino.
Para a maioria das pessoas, porém, usar o alecrim como tempero diário ou aromaterapia é uma intervenção segura e eficaz para manter a mente afiada.









