Depois de retirar o gesso, muitas pessoas relatam uma sensação intensa de coceira na região imobilizada, acompanhada de descamação e hipersensibilidade ao toque. Esse desconforto costuma surgir logo nas primeiras horas, quando a pele volta a ter contato com o ar e a luz, e os nervos retomam sua atividade normal. Embora possa ser bastante incômoda, essa coceira geralmente faz parte de um processo natural de adaptação do corpo após o período de imobilização, como explica a pesquisa “The neurobiology of itch”.
Por que sentimos coceira depois de tirar o gesso
A principal palavra-chave para entender esse fenômeno é a reativação dos nervos. Enquanto o membro está engessado, as terminações nervosas ficam parcialmente “protegidas” de estímulos externos, como atrito, temperatura e contato com o ar. Quando o gesso é removido, esses nervos voltam a receber sinais de forma intensa, e o cérebro interpreta muitos desses novos estímulos como coceira e formigamento, principalmente nos primeiros dias.
Ao mesmo tempo, a oxigenação da pele muda de forma brusca. A área que estava coberta por semanas passa a ter contato com o oxigênio do ambiente, com a umidade natural e com partículas presentes no ar. A camada mais superficial da pele, ressecada e descamando, entra em processo de renovação celular acelerada, o que, somado à retomada da circulação local, contribui diretamente para o surgimento da coceira após o gesso.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Lopes:
@dandoumamao Se você já usou gesso, sabe o quanto incomoda em certos momentos! Já vi paciente coçar com colher, com caneta e até com faca! Conta aqui nos comentários o que você usaria para coçar? (Agora não vai usar mais nada né?) #DrArthurCerqueira #ortopedia #saude #saopaulo #espinosa ♬ som original – dandoumamao
Como a reativação dos nervos e a oxigenação da pele influenciam a coceira
Os nervos periféricos que transmitem sensações de toque, dor e temperatura passam por um período de relativa inatividade durante a imobilização. Quando o gesso é retirado, esses nervos retomam a condução normal de sinais, muitas vezes acompanhada de formigamento, hipersensibilidade e coceira. Trata-se de uma resposta natural do sistema nervoso ao reencontro com estímulos externos, que pode variar de pessoa para pessoa.
Já a oxigenação da pele exerce papel central na recuperação da região imobilizada. A pele que ficou abafada sob o gesso tem menor ventilação e tende a perder parte da sua barreira de proteção. Com o retorno do contato com o ar, há aumento do fluxo sanguíneo local, melhoria na troca de gases e aceleração da renovação celular. Esse conjunto de alterações provoca descamação intensa e sensações cutâneas diversas, entre elas a coceira pós-gesso.

Quais são as principais causas da coceira e como aliviar de forma segura
De forma geral, a coceira após tirar o gesso pode ser explicada por um conjunto de fatores. Entre os mais citados por profissionais de saúde estão: reativação nervosa, alterações na circulação, ressecamento cutâneo e irritações leves. Entender essas causas ajuda a escolher as formas de alívio mais adequadas e a evitar atitudes que possam prejudicar a recuperação, como coçar com força ou usar objetos pontiagudos.
Algumas atitudes simples, orientadas por equipes médicas, costumam diminuir bastante o incômodo. A hidratação com produtos indicados, o uso de água em temperatura amena e a escolha de roupas de tecido mais macio sobre a área afetada são exemplos frequentes. Em casos específicos, o profissional pode sugerir cremes calmantes, pomadas com agentes reparadores ou medicamentos contra alergia, sempre avaliando o estado da pele e o histórico da pessoa.
| Causas da coceira após tirar o gesso | Medidas comuns de alívio |
|---|---|
| Reativação dos nervos periféricos e aumento da sensibilidade local | Evitar coçar intensamente, proteger a região com roupas macias e seguir orientações médicas |
| Maior oxigenação da pele e aumento da circulação na área imobilizada | Compressas frias suaves, descanso adequado do membro e exposição gradual ao ambiente |
| Pele ressecada, descamando, após semanas sob o gesso | Uso de hidratantes recomendados pelo profissional de saúde e higiene com sabonete suave |
| Acúmulo de suor, células mortas e resíduos sob o gesso | Limpeza cuidadosa após a retirada, sem esfregar demais, e observação de possíveis sinais de irritação |
| Tecido cicatricial ou áreas sensíveis próximas à fratura ou cirurgia | Acompanhamento em consultas, evitar fricção intensa e uso de produtos específicos quando indicados |
Quais cuidados práticos ajudam a lidar com a coceira pós-gesso
Após entender por que a coceira ocorre, muitos procuram maneiras práticas de tornar o período mais confortável. A recomendação mais comum é adotar cuidados simples e consistentes, respeitando os limites da pele e do membro que ainda está em recuperação. Coçar de forma agressiva ou utilizar objetos para alcançar áreas mais sensíveis pode causar feridas, desencadear infecções e atrasar a reabilitação.
Alguns cuidados gerais frequentemente indicados incluem atitudes que protegem a pele sensível e favorecem a recuperação gradual. A seguir estão exemplos de medidas que costumam ser recomendadas por profissionais de saúde:
- Manter a pele limpa, usando água morna e sabonete suave;
- Evitar água muito quente, que pode aumentar o ressecamento e a coceira;
- Aplicar hidratante adequado, principalmente após o banho, se houver liberação médica;
- Usar roupas leves e de tecido macio, reduzindo o atrito na área;
- Observar sinais de vermelhidão intensa ou feridas e comunicar a equipe de saúde.
Em muitos casos, a coceira depois de tirar o gesso diminui gradualmente em alguns dias ou semanas, conforme a pele se renova e os nervos se adaptam à nova rotina de estímulos. A orientação profissional é essencial para diferenciar o que faz parte do processo esperado daquilo que pode indicar alergia, infecção ou outra condição que exija atenção específica, permitindo um retorno mais seguro e confortável às atividades do dia a dia.








