Investir fortunas em skincare pode ser inútil se você passa oito horas por noite amassando seu rosto contra o travesseiro. A prática de dormir de barriga para cima (decúbito dorsal) é considerada por dermatologistas como a estratégia antienvelhecimento mais barata e eficaz que existe, pois é a única posição que neutraliza completamente o atrito do tecido e a ação da gravidade sobre a pele, prevenindo vincos que o Botox não consegue apagar.
Por que o travesseiro cria vincos profundos?
A pele humana é elástica, mas não é imune à compressão contínua e repetitiva. Um estudo publicado no Aesthetic Surgery Journal demonstra que a distorção mecânica da pele facial durante o sono resulta em “linhas de sono” verticais que se tornam permanentes com o tempo.
Diferente das rugas de expressão, causadas pela contração muscular, essas marcas são causadas pelo peso da cabeça pressionando a derme contra o tecido. Ao dormir de lado ou de bruços, você está literalmente “passando a ferro” rugas no seu rosto, quebrando o colágeno em áreas como a testa, bochechas e queixo.

A gravidade piora a flacidez ao dormir de lado?
Sim, a gravidade puxa a pele para baixo de forma assimétrica quando você dorme de lado, agravando o “bigode chinês” e a flacidez nas bochechas. A Cleveland Clinic alerta que essa pressão constante acelera a perda de elasticidade em apenas um lado do rosto, criando desarmonia facial ao longo dos anos.
Além disso, dormir de costas favorece a drenagem de fluidos. Isso evita aquele inchaço matinal característico (bolsas sob os olhos) que ocorre quando os líquidos se acumulam na face devido à má posição, garantindo uma aparência mais descansada logo ao acordar.
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Existe diferença entre rugas de expressão e de sono?
É crucial distinguir esses dois tipos, pois os tratamentos são radicalmente diferentes. Enquanto as rugas de expressão (como os pés de galinha ao sorrir) são horizontais ou acompanham a musculatura, as rugas de sono costumam ser verticais ou diagonais.
A American Academy of Dermatology explica que neuromoduladores (como toxina botulínica) não funcionam bem para rugas de sono, pois o problema não é o músculo, mas a compressão da pele. A única prevenção real para essas linhas específicas é a mudança postural, eliminando o contato físico do rosto com a cama.
No vídeo a seguir, o Dr Bruno Albernaz, com mais de 120 mil seguidores, fala algumas dicas para evitar isso:
Como treinar o corpo para não virar à noite?
Mudar um hábito de sono de uma vida inteira é difícil e exige um período de adaptação física e neurológica. O corpo tende a voltar inconscientemente para a posição fetal por conforto e segurança.
Para facilitar essa transição, utilize estas estratégias de contenção:
- Travesseiro sob os joelhos: Isso alivia a tensão na lombar, tornando a posição de costas mais confortável.
- Travesseiro em “U”: Usar um travesseiro de viagem ou de corpo ao redor do pescoço impede que a cabeça caia para o lado.
- Barreiras laterais: Coloque travesseiros firmes de cada lado do tronco para evitar que você gire durante o sono profundo.
- Lençol pesado: A sensação de peso sobre o peito pode acalmar a ansiedade de estar “exposto” de barriga para cima.
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Quem deve evitar essa posição de sono?
Apesar dos benefícios estéticos, dormir de costas não é indicado para todos, especialmente para quem sofre de distúrbios respiratórios. A Sleep Foundation adverte que essa posição favorece o colapso das vias aéreas superiores devido à gravidade puxando a língua para trás.
Se você ronca alto ou tem apneia obstrutiva do sono, priorize sua respiração e oxigenação em vez da estética. Nesses casos, o uso de fronhas de seda ou cetim pode ser uma alternativa intermediária, pois elas reduzem o atrito com a pele, mesmo que não eliminem a compressão.










