Se você sempre sentiu que casas “capa de revista” pareciam impessoais demais, a tendência do Cluttercore organizado chega em 2026 para validar o seu desejo de preencher espaços. Longe de ser uma apologia à sujeira ou desordem, esse movimento estético abraça o “caos curado”: uma celebração intencional de objetos, memórias e coleções que transformam uma casa fria em um ninho acolhedor e cheio de vida.
O que diferencia o Cluttercore da simples bagunça?
A linha tênue entre um ambiente “Cluttercore” e um quarto desarrumado reside em uma palavra: intencionalidade. Enquanto a bagunça é acidental e estressante, o Cluttercore organizado é um exercício de design onde cada item é posicionado para ser visto e apreciado, criando uma estética de abundância controlada.
Esse estilo é como uma evolução do maximalismo, onde o foco não é apenas o excesso pelo excesso, mas a narrativa. Não se trata de deixar roupas jogadas na cadeira, mas de exibir sua coleção de livros antigos, discos de vinil e cerâmicas artesanais de forma que eles componham a textura visual do ambiente, como um museu particular da sua própria história.

Por que o cérebro busca conforto visual na “bagunça”?
A psicologia do design explica esse fenômeno através do conceito de nesting (aninhamento). Após anos de incertezas globais e digitais, nosso cérebro primitivo busca segurança em ambientes que pareçam “habitados” e protegidos. Paredes vazias e superfícies limpas demais podem, inconscientemente, sinalizar escassez ou frieza clínica.
Cercar-se de objetos familiares atua como uma âncora emocional. Esses itens funcionam como extensões da nossa identidade; olhar para uma lembrança de viagem ou um presente de infância libera pequenas doses de dopamina e reduz a ansiedade, criando uma sensação tátil de pertencimento que o minimalismo extremo raramente consegue oferecer.
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Como aplicar a tendência sem cair no caos?
Para adotar o visual sem transformar sua sala em um depósito, é preciso seguir regras de agrupamento e curadoria. O segredo é criar “ilhas de interesse” em vez de espalhar objetos aleatoriamente por todas as superfícies planas.
Veja os pilares para manter a elegância no excesso:
- Agrupamento Temático: Junte itens semelhantes (como vasos de vidro ou bonecos de ação) para que o cérebro os leia como uma única “coleção” organizada, e não como ruído visual.
- A Regra da Cor: Utilize uma paleta de cores coesa para os objetos expostos. Se você tem muitos itens díspares, agrupá-los por tom cria uma harmonia imediata.
- Verticalidade: Use estantes altas e prateleiras flutuantes para tirar a “bagunça” do chão e das mesas de uso diário, levando o olhar para cima.
- Respiro Visual: Deixe algumas áreas propositalmente vazias para que os olhos possam descansar entre as coleções.

O minimalismo morreu definitivamente em 2026?
Não exatamente, mas ele perdeu sua hegemonia fria. O que vemos agora é o declínio do “minimalismo de hospital” em favor de um minimalismo quente ou do próprio Cluttercore.
A tendência para 2026 não é sobre rejeitar a organização, mas sobre rejeitar a impessoalidade. Mesmo quem prefere poucos móveis está adicionando camadas de texturas, mantas e arte pessoal. O luxo agora não é o espaço vazio, mas a riqueza da personalidade impressa em cada centímetro quadrado da casa.
Quais objetos contam as melhores histórias no décor?
No Cluttercore, o valor sentimental supera o valor financeiro. Itens que antes ficavam escondidos em caixas no armário agora ganham protagonismo. A ideia é que qualquer visitante, ao entrar na sua sala, consiga “ler” quem você é apenas observando as paredes e prateleiras.
O foco está em objetos artesanais, imperfeitos e herdados. Uma opção é misturar o antigo e o novo: uma câmera analógica herdada do avô ao lado de uma planta exótica, ou ingressos de shows emoldurados junto a obras de arte clássicas. É essa mistura anacrônica e afetuosa que define a alma da casa contemporânea.










