A hegemonia da televisão como o “altar” da sala de estar chegou ao fim. Em 2026, a tendência do Lounge de Conversa (Conversation Lounge) redefine o layout com o modo circular dos ambientes sociais, retirando as telas do centro das atenções para priorizar o contato visual e a descompressão mental, transformando a casa em um santuário de socialização real e conforto acústico.
Por que tirar a TV da sala principal?
A mudança não é apenas estética, mas comportamental. Após décadas de layouts voltados para uma única parede (onde fica o aparelho), o design de interiores responde agora à saturação digital. O conceito de digital detox arquitetônico busca criar zonas livres de estímulos eletrônicos, onde o foco é a presença humana.
Remover a TV da sala de estar principal e deslocá-la para um “media room” ou quarto secundário elimina a distração constante, permitindo que o cérebro relaxe e que as conversas fluam sem a competição de ruídos de fundo ou notificações visuais.

Como criar um layout focado na interação?
O segredo do Lounge de Conversa é a circularidade. Em vez do tradicional sofá em “L” encostado na parede e virado para frente, a nova configuração aposta em ilhas de mobiliário que se olham. A ideia é que ninguém fique de costas para ninguém e que todos tenham acesso visual aos rostos dos outros ocupantes.
Para aplicar isso, considere a regra dos “joelhos próximos”:
- Disposição frente a frente: Use dois sofás idênticos um de frente para o outro ou um sofá combinado com duas poltronas robustas fechando o círculo.
- Mesa de centro funcional: Ela deixa de ser apenas decorativa e passa a ser o apoio para jogos de tabuleiro, petiscos e livros, incentivando atividades analógicas.
- Circulação fluida: O mobiliário deve “flutuar” no centro do tapete, afastado das paredes, criando uma sensação de intimidade e “ninho”.

O que é o conforto acústico nesse contexto?
Sem o som constante da televisão preenchendo o vazio, a acústica do ambiente torna-se protagonista. Uma sala de conversa precisa ser silenciosa e acolhedora, evitando o eco frio que torna o diálogo cansativo. O design sensorial de 2026 investe pesado em materiais que absorvem o som.
Para alcançar essa “calma auditiva”, você pode fazer o uso excessivo de têxteis: cortinas de linho pesadas que vão do teto ao chão, tapetes de alta espessura e painéis de madeira ou tecido nas paredes. Esses elementos funcionam como amortecedores naturais, garantindo que a voz humana seja o som mais claro e agradável do espaço.
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A lareira (ou estante) é a nova TV?
Se tiramos a tela preta, para onde olhamos quando há silêncio? O Lounge de Conversa exige um novo ponto focal visual que não seja digital. Em projetos clássicos, a lareira retoma seu posto de honra, oferecendo a “televisão primitiva” do fogo, que acalma e hipnotiza sem exigir processamento cognitivo.
Para casas sem lareira, a tendência é o “maximalismo de memórias”: estantes de livros do chão ao teto, uma obra de arte de grande formato ou uma janela com vista para o jardim (design biofílico). O objetivo é oferecer um descanso para os olhos que estimule a contemplação ou a curiosidade, servindo como gancho para iniciar novos assuntos.
Isso significa o fim da tecnologia na sala?
Não se trata de virar um eremita, mas de tornar a tecnologia invisível. A tendência Shy Tech (tecnologia tímida) sugere que, se houver áudio, ele venha de caixas de som embutidas e ocultas no teto ou paredes, usadas para música ambiente suave, e não para consumo de mídia frenético.
A iluminação também se torna tecnológica, mas focada no bem-estar: sistemas inteligentes que ajustam a temperatura da cor das lâmpadas conforme o ciclo circadiano, imitando a luz do sol para manter os ocupantes energizados durante o dia e relaxados com luz âmbar à noite, favorecendo o diálogo intimista.










