Acreditar que “só mais cinco minutinhos” fará você acordar mais disposto é uma armadilha fisiológica, pois o perigo do botão soneca reside justamente na fragmentação do ciclo de sono final. Ao voltar a dormir por um curto período, você força o cérebro a iniciar um novo ciclo que será bruscamente interrompido, resultando em uma sensação de atordoamento muito pior do que se tivesse levantado no primeiro toque.
Por que 5 minutos extras destroem sua energia?
O sono humano funciona em ciclos de aproximadamente 90 minutos, e os minutos finais da noite geralmente são ricos em sono REM (movimento rápido dos olhos), essencial para o processamento mental. Quando você aciona a função soneca, seu cérebro entende que é hora de mergulhar novamente em um ciclo profundo, mas o alarme toca minutos depois, “arrancando” sua consciência de um estado restaurador para a vigília de forma traumática.
Especialistas da Cleveland Clinic explicam que esse tempo curto não é suficiente para completar nenhum estágio restaurador do sono. O resultado é um sono picotado e de má qualidade que, em vez de descansar, confunde os mecanismos hormonais de despertar, deixando o corpo sem saber se deve relaxar ou ficar alerta.

O que é a “inércia do sono” e como ela afeta você?
A sensação de peso na cabeça, confusão mental e desejo incontrolável de voltar para a cama tem nome: inércia do sono. Esse estado transitório é normal ao acordar, mas abusar do botão soneca intensifica e prolonga esse efeito, podendo fazer com que a grogueira dure até quatro horas após o despertar.
Segundo a Sleep Foundation, ao interromper repetidamente o início de um novo ciclo de sono, você acumula níveis mais altos de adenosina (substância que causa sonolência) no cérebro. Em vez de limpar a “névoa mental”, a soneca a torna mais densa, prejudicando sua capacidade de tomada de decisão e reflexos logo pela manhã.
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Como a interrupção do sono REM prejudica a mente?
Acordar no meio da fase REM é particularmente agressivo para a cognição, pois é nesse estágio que o cérebro consolida memórias e regula emoções. Quando o alarme fragmenta esses momentos finais de sonho, você perde os benefícios neurológicos desse estágio e substitui a clareza mental por irritabilidade e ansiedade.
Um relatório do National Institutes of Health (NIH) sugere que a fragmentação do sono pode ser tão prejudicial quanto a privação total de sono em termos de desempenho cognitivo. O hábito crônico de sonecar treina seu corpo a ter despertares incompletos, o que pode afetar seu humor e produtividade ao longo de todo o dia.
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Quais sinais indicam que o “soneca” está te fazendo mal?
Se você depende de múltiplos alarmes para funcionar, é provável que seu corpo esteja sofrendo de privação de sono crônica ou desalinhamento do ritmo circadiano. O uso do soneca mascara a necessidade real de dormir mais cedo ou de melhorar a higiene do sono.
Fique atento aos sintomas de que esse hábito está sabotando suas manhãs:
- Despertar confuso: Você não sabe que dia é ou onde está ao acordar.
- Mau humor matinal: Irritabilidade excessiva na primeira hora do dia.
- Cansaço rebote: Sentir mais sono 30 minutos depois de levantar do que quando o alarme tocou.
- Dependência de estimulantes: Necessidade imediata de café forte para conseguir raciocinar.

Como treinar o corpo para acordar no primeiro toque?
A melhor estratégia é ajustar o alarme para o último horário possível em que você precisa levantar, eliminando a opção de negociação com o travesseiro. Isso permite que você durma continuamente até o momento real de despertar, garantindo que o sono seja consolidado e não fragmentado.
A Mayo Clinic recomenda expor-se à luz natural ou acender as luzes imediatamente ao ouvir o alarme. A luz suprime a produção de melatonina (hormônio do sono) e sinaliza ao corpo que o dia começou, ajudando a dissipar a inércia do sono muito mais rápido do que qualquer “cinco minutinhos” extras.










