Pesquisas recentes reacenderam o debate sobre o papel da alimentação na saúde do cérebro, especialmente em relação ao consumo de queijos integrais. Em um cenário em que o envelhecimento da população aumenta o número de diagnósticos de demência, qualquer possível fator de proteção passa a ser observado com atenção por pesquisadores e profissionais de saúde.
Queijo integral realmente pode influenciar o risco de demência
Um grande estudo de coorte realizado na Suécia e publicado na Neurology acompanhou dezenas de milhares de pessoas por vários anos para avaliar se havia relação entre o consumo de queijo integral gorduroso e o risco de desenvolver demência. Os participantes registraram seus hábitos alimentares, incluindo a quantidade de queijo rico em gordura ingerida diariamente, e foram monitorados por um longo período para identificar o aparecimento de casos da doença.
Ao comparar indivíduos que consumiam porções mais altas de queijos ricos em gordura com aqueles que ingeriam quantidades menores, os pesquisadores observaram uma diferença estatística relevante na incidência de demência. O grupo que consumia mais queijo de leite integral apresentou menor proporção de diagnósticos ao longo do acompanhamento, incluindo um risco reduzido de demência vascular, forma associada a alterações na circulação sanguínea cerebral.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo do Dr. Diego Tareszkiewicz (@diegotareszkiewicz):
@diegotareszkiewicz Estudo observacional sueco com 27.670 adultos, acompanhados por cerca de 25 anos, mostrou que o consumo de queijos e cremes integrais esteve associado a menor risco de demência. Indivíduos que consumiam ≥50 g/dia de queijo integral apresentaram 13% menos risco de demência e 29% menos risco de demência vascular. O consumo de creme integral (≥20 g/dia) esteve ligado a 16% de redução do risco. Laticínios low-fat não mostraram benefício significativo. O estudo aponta associação, não causalidade, reforçando o papel da qualidade nutricional das gorduras na saúde cerebral. Meu livro 📕 está no link da Bio. Pare de ser enganado. Abra o olho. Cuide de você
♬ original sound – Diego Tareszkiewicz
Por que o queijo gorduroso pode influenciar a saúde do cérebro
Pesquisadores e nutricionistas levantam algumas hipóteses para explicar por que o queijo gorduroso pode estar ligado a um risco menor de demência. Uma delas envolve a presença de vitaminas lipossolúveis, como A, D e K2, que dependem da gordura para serem absorvidas e desempenham papel importante na saúde vascular, no sistema imune e na regulação de processos inflamatórios.
Outra possível explicação está relacionada ao metabolismo da glicose. Alimentos ricos em gordura, consumidos em pequenas porções, podem ajudar a reduzir picos de açúcar no sangue quando ingeridos junto com carboidratos. Como o diabetes tipo 2 é um fator de risco conhecido para demência, um controle melhor da glicemia ao longo dos anos pode contribuir para menor desgaste cognitivo, além de favorecer a estabilidade energética do cérebro.
Comer mais queijo realmente diminui o risco de demência
Apesar dos resultados chamarem atenção, especialistas em nutrição e neurologia ressaltam que o aumento do consumo de queijo integral não deve ser encarado como estratégia isolada de prevenção. O estudo avaliou quantidades moderadas, geralmente pequenas porções diárias, e não um consumo excessivo ou descontrolado desse tipo de laticínio.
Quando ingerido em grandes quantidades, o queijo gorduroso pode elevar o colesterol e contribuir para o acúmulo de placas nas artérias, aumentando o risco de acidente vascular cerebral e de demência de origem vascular. Por isso, a interpretação dos dados caminha na direção da moderação: porções reduzidas como parte de um cardápio equilibrado, e não como protagonista da alimentação.
Principais hábitos que ajudam a reduzir o risco de demência
Profissionais de saúde ressaltam que a prevenção da demência passa por um conjunto de atitudes ao longo da vida, e não pela escolha de um único alimento. Organizações internacionais de saúde indicam que o risco pode ser reduzido ao combinar cuidados com alimentação, prática de atividade física, controle de doenças crônicas e atenção à audição, ao sono e ao consumo de álcool e tabaco.
Nesse contexto mais amplo, o queijo integral pode ser incluído em pequenas porções dentro de uma dieta variada, desde que associado a outros comportamentos saudáveis. Entre as recomendações mais citadas por especialistas, destacam-se hábitos que atuam simultaneamente na saúde cardiovascular e na proteção cognitiva ao longo dos anos:
- Manter uma alimentação baseada em alimentos minimamente processados, com frutas, legumes, verduras e grãos integrais.
- Praticar ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, sempre que possível.
- Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia com acompanhamento médico regular.
- Evitar tabagismo e limitar o consumo de bebidas alcoólicas.
- Cuidar da audição e buscar avaliação quando houver perda auditiva ou zumbidos persistentes.

Como encaixar o queijo integral em uma alimentação equilibrada
Uma forma prática de compreender o papel do queijo gorduroso é enxergá-lo como parte de um padrão alimentar completo, e não como protagonista. Em vez de grandes quantidades em todas as refeições, o consumo moderado tende a ser mais compatível com as evidências atuais sobre saúde do cérebro e do coração.
- Preferir porções pequenas de queijos integrais, como brie, gouda ou queijos curados, distribuídas ao longo da semana.
- Combinar o queijo com vegetais, frutas e grãos integrais, em vez de associá-lo apenas a embutidos e alimentos ultraprocessados.
- Observar o impacto no peso corporal e em exames de colesterol e triglicerídeos, ajustando as quantidades se necessário.
- Buscar equilíbrio entre fontes de gordura, incluindo azeite de oliva, oleaginosas e peixes ricos em ômega-3.
O interesse em queijos gordurosos como possível fator de proteção contra a demência reflete um movimento mais amplo de revisão do papel das gorduras na dieta. As evidências atuais sugerem que a qualidade da gordura, o contexto alimentar e o estilo de vida como um todo exercem influência maior do que um único produto isolado. Dentro desse cenário, o queijo integral pode ter espaço, desde que inserido em um padrão alimentar variado, associado a atividade física regular e acompanhamento periódico da saúde.









