Ficar muito tempo sentado, se movimentar pouco e adiar atividades físicas parecem hábitos inofensivos, mas o sedentarismo impacta o corpo de formas silenciosas. Além dos músculos “óbvios”, como pernas e braços, a falta de movimento enfraquece regiões internas e profundas que sustentam a postura, a respiração e até funções básicas do dia a dia. Entender esses efeitos é essencial para prevenir dores, perda de força e limitações funcionais.
O que acontece com os músculos quando o corpo fica parado?
Quando o corpo permanece sedentário, os músculos entram em desuso e perdem força, resistência e coordenação. Esse processo, chamado de atrofia por desuso, ocorre mesmo sem perda de peso aparente. As fibras musculares reduzem de tamanho e eficiência, e o sistema nervoso passa a ativá-las com menos precisão.
Além disso, o sedentarismo diminui a circulação local e a oxigenação muscular, o que favorece rigidez, encurtamentos e dores. Com o tempo, tarefas simples, como subir escadas ou carregar compras, exigem mais esforço do que deveriam.
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Quais músculos são afetados além de pernas e braços?
Músculos profundos e pouco lembrados sofrem muito com o sedentarismo, mesmo sem dor imediata. Entre eles estão os estabilizadores do tronco, responsáveis por manter o corpo alinhado e protegido.
Antes de detalhar cada grupo, observe alguns músculos frequentemente impactados:
- Músculos do assoalho pélvico
- Músculos profundos do abdômen (core)
- Músculos intercostais, ligados à respiração
Essas regiões atuam silenciosamente, mas sua fraqueza desencadeia problemas em cadeia.
Como o sedentarismo afeta o cérebro silenciosamente?
O sedentarismo afeta o cérebro ao reduzir a circulação sanguínea, a oxigenação e a produção de substâncias essenciais para a memória, o foco e o equilíbrio emocional, segundo o artigo científico “Sedentary Behavior and Lifespan Brain Health”. Quando o corpo se movimenta pouco, o cérebro recebe menos estímulos físicos e químicos que mantêm as conexões neurais ativas, o que pode acelerar o declínio cognitivo ao longo do tempo.
A falta de atividade física está associada a maior risco de ansiedade, depressão e dificuldades de concentração. O movimento regular estimula a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, fundamentais para o humor e a motivação. Sem esse estímulo, o cérebro entra em um estado de “economia de energia”, afetando raciocínio, memória e clareza mental mesmo em pessoas jovens.
Entenda a conexão vital entre a força física e a longevidade do seu cérebro. O vídeo é do canal Marcio Atalla, que conta com mais de 500 mil inscritos, e detalha como o sedentarismo e a perda de massa muscular nas pernas elevam os riscos de morte e demência:
Como o sedentarismo enfraquece o core e a postura?
O sedentarismo enfraquece o core, conjunto de músculos que estabiliza a coluna e sustenta a postura. Inclui o transverso do abdômen, multífidos e músculos lombares profundos. Quando passam muito tempo inativos, a coluna perde suporte e fica mais suscetível a sobrecargas, segundo artigos científicos recentes do PubMed Central.
O resultado costuma ser dor lombar recorrente, rigidez ao acordar e postura curvada. Mesmo pessoas que “não sentem dor” podem estar acumulando desequilíbrios que se manifestam mais tarde.
O impacto nos músculos da respiração surpreende?
Sim, o sedentarismo também afeta músculos respiratórios, reduzindo a eficiência da respiração. O diafragma e os intercostais precisam de movimento para manter amplitude e força. Longos períodos sentados, especialmente com postura curvada, limitam essa ação.
Com isso, a respiração tende a ficar mais curta e superficial, impactando energia, concentração e até o controle do estresse. A sensação de cansaço frequente pode ter relação direta com essa limitação muscular.

E os músculos do assoalho pélvico, o que muda?
O sedentarismo pode enfraquecer os músculos do assoalho pélvico, mesmo sem sintomas imediatos. Esses músculos sustentam órgãos internos e participam do controle urinário e da estabilidade do tronco.
A falta de movimento e de estímulos adequados reduz a tonicidade da região. Com o tempo, podem surgir desconfortos, perda de estabilidade e impacto negativo na qualidade de vida, especialmente em mulheres e pessoas acima de 50 anos.
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Como o sedentarismo afeta músculos do pescoço e da face?
Músculos do pescoço e até da face também sofrem com a inatividade associada a telas e postura fixa. Manter a cabeça projetada à frente sobrecarrega músculos cervicais, levando a tensão, dores de cabeça e rigidez.
Além disso, a pouca variação de movimento reduz a circulação local, favorecendo desconfortos persistentes. Esse quadro é comum em quem passa horas no computador ou no celular sem pausas ativas.

Quais sinais indicam que músculos “esquecidos” estão sofrendo?
Alguns sinais sutis indicam que músculos profundos estão enfraquecidos pelo sedentarismo. Eles nem sempre aparecem como dor intensa, mas como limitações progressivas.
Veja a tabela abaixo com sinais comuns e o que eles podem indicar:
| Sinal percebido | Possível músculo afetado |
|---|---|
| Dor lombar recorrente | Core e multífidos |
| Respiração curta ao esforço | Diafragma e intercostais |
| Postura curvada frequente | Estabilizadores do tronco |
| Rigidez no pescoço | Músculos cervicais profundos |
| Desconforto pélvico | Assoalho pélvico |
Como reverter os efeitos do sedentarismo nesses músculos?
A reversão começa com movimento regular e consciente, não necessariamente com exercícios intensos. Atividades simples, feitas com constância, reativam músculos esquecidos e melhoram a coordenação.
Algumas estratégias eficazes incluem:
- Pausas ativas a cada 60 minutos sentado
- Exercícios de mobilidade e fortalecimento do core
- Caminhadas regulares e respiração consciente
O mais importante é a regularidade. Pequenas mudanças diárias ativam músculos que você nem imagina, protegendo o corpo, melhorando a postura e devolvendo eficiência a funções básicas. O sedentarismo é silencioso, mas o movimento também pode ser — e extremamente poderoso.









