O Herpes-Zóster, popularmente conhecido como “cobreiro”, é uma infecção viral que afeta muitas pessoas que já tiveram catapora em algum momento de suas vidas. Ele é provocado pelo mesmo vírus da catapora, o varicela-zóster, que pode permanecer dormente no organismo e se reativar em situações de baixa imunidade. A forma mais comum de manifestação ocorre em indivíduos com mais de 60 anos, ou em pessoas cujo sistema imunológico está comprometido devido a condições como o uso prolongado de corticoides, tratamento com quimioterapia, ou doenças como AIDS e lúpus.
Este vírus emergente tem o potencial de causar uma condição chamada neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor intensa e prolongada após o desaparecimento das erupções cutâneas. O tratamento, geralmente, envolve o uso de antivirais e analgésicos para reduzir os sintomas e acelerar a cicatrização. Porém, a única maneira eficaz de prevenir a doença é por meio da vacinação, que atualmente não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil.
Por que o SUS não oferece a vacina contra Herpes-Zóster?
O Ministério da Saúde decidiu, com base na recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), não incluir a vacina contra o Herpes-Zóster em sua lista de vacinas. A decisão foi oficializada em 2025, devido aos altos custos associados ao programa de vacinação. A vacina recombinante adjuvada, aprovada pela Anvisa em 2021, mostrou-se eficaz, mas a incorporação ao SUS envolveria um custo estimado em R$ 5,2 bilhões em cinco anos, para atingir o público-alvo de idosos com 80 anos ou mais e imunocomprometidos. Mesmo com negociações para abaixar o custo, a vacina ainda ultrapassava o orçamento que o SUS pode sustentar.

Quais são os fatores limitantes para a vacinação?
Atualmente, a vacina está disponível apenas na rede privada de saúde, onde cada dose pode custar cerca de R$ 843, totalizando R$ 1.686 para o esquema de duas doses. Este alto custo limita significativamente o acesso ao imunizante, especialmente para idosos e pessoas com vulnerabilidades imunológicas. A ausência da vacina no SUS também significa que muitos daqueles que mais se beneficiariam, particularmente os grupos de risco, têm dificuldade em obter proteção contra o vírus.
Qual o impacto da prevenção através da vacinação?
Os benefícios da vacinação vão além da prevenção da infecção. Ela ajuda a reduzir internações hospitalares, o sofrimento devido à neuralgia pós-herpética e aumenta a qualidade de vida dos pacientes. A vacina é a maneira mais eficiente de prevenir o Herpes-Zóster e suas complicações, desbloqueando um caminho para menos dor e mais saúde na vida dos idosos e imunocomprometidos.
A decisão de não incorporar a vacina ao SUS ainda pode ser revisitada, conforme indicado pelo Ministério da Saúde. Introduzir a vacina no sistema público poderá se tornar viável no futuro, caso ocorram reduções nos custos, novas descobertas científicas ou mudanças na economia que permitam uma alocação mais ampla de recursos.
Portanto, o debate sobre a inclusão da vacina contra Herpes-Zóster no SUS continua. O equilíbrio entre custo, eficácia e impacto na saúde pública é um desafio contínuo para as autoridades de saúde na busca de oferecer proteção a todos os cidadãos.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









