A compreensão do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem passado por transformações significativas nos últimos anos. Tradicionalmente, o autismo era interpretado principalmente por suas dificuldades, principalmente em comunicação e interação social. No entanto, novas abordagens nas áreas da Psicologia Evolucionista e Genética de Populações sugerem que o autismo pode ser uma variação estratégica mantida pela seleção natural.
Essa perspectiva considera que, apesar das dificuldades inerentes ao TEA, muitos autistas exibem habilidades notáveis, especialmente em sistematização e reconhecimento de padrões. Para vários pesquisadores, essas capacidades extraordinárias podem ter desempenhado um papel importante na evolução social e cognitiva humana, sugerindo uma vantagem evolutiva no passado.
Como a Genética Contribui para o Entendimento do TEA?
Estudos genéticos recentes trazem à tona informações cruciais sobre a evolução do cérebro humano em relação ao autismo. Pesquisa de Starr e Fraser, publicada na revista Molecular Biology and Evolution, explorou a evolução de neurônios excitatórios no neocórtex humano, que desempenham um papel vital na cognição complexa. Esses neurônios aparentemente evoluíram de maneira rápida em humanos em comparação com outros primatas, sugerindo um impulso para funções cognitivas superiores.

O estudo também revelou um fato surpreendente: essa evolução acelerada coincidiu com uma diminuição na expressão de genes associados ao desenvolvimento do TEA. Isso levanta a hipótese de que a evolução de nossa inteligência possa ter vindo com a redução de genes protetores do neurodesenvolvimento, sugerindo um impacto no aumento dos traços autísticos.
Quais Fatores Contribuem para o Aumento da Prevalência do Autismo?
Relatórios do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA indicam uma prevalência crescente do TEA, com um diagnóstico a cada 36 crianças. Parte desse aumento pode ser atribuído a mudanças nos critérios de diagnóstico e maior conscientização. Entretanto, há discussões sobre fatores adicionais que podem desempenhar papel nesse crescimento, como fatores genéticos discutidos anteriormente.
A hipótese de acasalamento assortativo, proposta por Simon Baron-Cohen, sugere que a sociedade moderna pode estar facilitando uniões entre pessoas com traços cognitivos semelhantes, resultando em maior probabilidade de autismo na prole. Essa ideia levanta questões sobre a influência das relações sociais e profissionais na herança genética.
O Que o Futuro Reserva para uma Sociedade Neurodiversa?
A possibilidade de um futuro dominado por indivíduos com perfis neurodivergentes levanta questões socioculturais importantes. Além do potencial impacto de uma elite cognitiva emergente, a discussão destaca a necessidade de combater conceitos preconceituosos e capacitistas. A aceitação da neurodiversidade como um componente essencial da diversidade humana é crucial para garantir uma sociedade inclusiva e evoluída.
Para enfrentar esses desafios, os sistemas educacionais devem ser adaptados para atender às necessidades de crianças e adolescentes com TEA. Esta abordagem inclusiva não só promove uma sociedade mais equitativa, mas também reconhece o valor intrínseco de todos os indivíduos, independentemente de suas capacidades cognitivas.
Em última análise, o autismo deve ser visto como uma parte essencial e crescente do desenvolvimento evolutivo humano. Ao abraçar a diversidade e promover a equidade, as sociedades podem se fortalecer, assegurando oportunidades para todos. Essa perspectiva coloca a inclusão como peça fundamental para o sucesso e progresso humano.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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