O iceberg A-23A, que se desprendeu da Antártida em 1986, está passando por uma transformação impressionante: sua cor mudou de branco neve para um azul intenso em pouquíssimo tempo. Essa mudança dramática não é apenas bonita de se ver, ela indica que o gigante de gelo está nos seus últimos dias de existência, acelerando rapidamente seu processo de desintegração enquanto deriva por águas mais quentes entre as Ilhas Malvinas e a Ilha Geórgia do Sul.
O que a mudança de cor revela sobre o estado atual do iceberg?
A transformação do A-23A de branco para azul ciano aconteceu porque água derretida começou a se acumular em cavidades na superfície do gelo. Esse não é um “iceberg azul” clássico, formado pela compressão natural do gelo ao longo do tempo, mas sim um sinal claro de derretimento acelerado.
Satélites que acompanham o iceberg há décadas registraram várias características que explicam essa mudança de aparência:
- A água do degelo fica presa em depressões na superfície, criando piscinas azuis que dão ao iceberg sua nova coloração vibrante e inconfundível.
- O peso dessa água acumulada pressiona as rachaduras existentes no gelo, forçando-as a se abrirem mais rapidamente e fragmentando o bloco de gelo.
- As bordas do iceberg apresentam um efeito de rampa-fosso causado pela curvatura do gelo que derrete na linha d’água, impedindo que a água escoe naturalmente.
- Imagens de satélite mostram regiões onde a água derretida já perfurou o iceberg, criando uma mistura de gelo e água salgada que acelera ainda mais a decomposição.
Qual foi a trajetória incomum desse iceberg ao longo de quase 40 anos?
Depois de se desprender da plataforma de gelo Filchner em 1986, o A-23A teve uma jornada bem diferente da maioria dos icebergs. Ele ficou encalhado no fundo do Mar de Weddell por aproximadamente 30 anos, permanecendo praticamente inalterado todo esse tempo.
Em 2023, finalmente se soltou, mas logo ficou preso em uma corrente circular chamada coluna de Taylor por vários meses. Só em março de 2025 conseguiu se libertar de vez e começar sua deriva final rumo à destruição completa.

Como o tamanho do iceberg mudou durante seu processo de desintegração?
A redução do A-23A tem sido dramática, especialmente nos últimos meses. Em janeiro de 2025, ele ainda era considerado o maior iceberg do mundo, com uma área de 3.640 quilômetros quadrados. Mas a partir de junho do mesmo ano, começou a perder pedaços em ritmo crescente.
Os números mostram a velocidade impressionante desse colapso:
🧊 Os números mostram a velocidade impressionante desse colapso
Um painel visual com a queda de área do iceberg e os sinais de desintegração acelerada.
⏳ Linha do tempo do colapso
Dados em km²-
Setembro/2025A área já havia caído para 1.700 km² após o desprendimento de vários fragmentos grandes.
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Set → Jan/2026Em apenas quatro meses, perdeu mais 518 km².
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Janeiro/2026Restaram apenas 1.182 km², indicando aceleração do processo.
📊 Leitura rápida
ResumoO A-23A está à beira da completa desintegração, com rachaduras crescendo à medida que a água derretida pesa sobre a estrutura.
Não espera que o iceberg sobreviva até o final do verão austral.
Para onde vai o iceberg e o que acontecerá com ele?
O A-23A está se direcionando para uma região conhecida como cemitério de icebergs, próxima à Ilha Geórgia do Sul. Lá, ele vai derreter completamente e se fundir novamente ao oceano, encerrando sua jornada de quase 40 anos.
Chris Shuman expressou gratidão pelos recursos de satélite que permitiram documentar toda essa trajetória notavelmente longa e cheia de acontecimentos. É raro conseguir acompanhar um iceberg por tanto tempo com tantos detalhes, e essa observação ajuda cientistas a entenderem melhor como esses gigantes de gelo se comportam ao longo do tempo.










