Durante muito tempo, a depressão foi explicada quase exclusivamente como um desequilíbrio químico no cérebro. Hoje, a ciência avança para uma compreensão mais ampla, mostrando que o sistema nervoso e o sistema imunológico estão profundamente conectados. Essa interação coloca a inflamação como uma peça-chave para entender por que alguns quadros depressivos são mais resistentes ao tratamento tradicional.
A inflamação pode estar envolvida na depressão?
Sim, pesquisas recentes publicadas no PubMed Central indicam que a inflamação de baixo grau pode contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de alguns tipos de depressão. Pessoas com esse perfil costumam apresentar níveis elevados de citocinas inflamatórias, que interferem na comunicação entre neurônios e nos circuitos cerebrais ligados ao humor, à motivação e ao prazer.
Esse modelo ajuda a explicar por que certos pacientes não respondem bem apenas a antidepressivos clássicos, abrindo espaço para abordagens complementares que considerem o estado inflamatório do organismo.
Sistema nervoso e inflamação: novos caminhos no tratamento da depressão
Evidências mostram que a comunicação entre cérebro e inflamação influencia o humor, abrindo espaço para abordagens terapêuticas mais eficazes.
🧠 A conexão cérebro–inflamação
O sistema nervoso e o sistema imunológico se comunicam de forma bidirecional, impactando diretamente a saúde mental.
Inflamações persistentes podem contribuir para sintomas depressivos.
🌱 Novas estratégias de tratamento
A abordagem integrada combina intervenções médicas, neurológicas e mudanças no estilo de vida.
Tratamento mais eficaz da depressão e melhora do bem-estar mental.
Como o sistema nervoso participa desse processo?
O sistema nervoso central regula e também sofre influência direta da inflamação. Em situações de estresse crônico, trauma emocional ou doenças inflamatórias, ocorre uma ativação persistente do sistema imune, que pode afetar o funcionamento cerebral.
Esse processo, conhecido como neuro inflamação, está associado a sintomas como fadiga intensa, lentificação cognitiva, apatia e alterações no sono — manifestações comuns em quadros depressivos.
Entenda como a ansiedade e a depressão influenciam diretamente o funcionamento do seu cérebro e sistema nervoso. O vídeo é do canal Uma visita ao Corpo Humano, focado em educação anatômica e fisiológica, e detalha o papel de estruturas como a amígdala e o hipocampo, além do impacto de neurotransmissores como a serotonina no humor:
Onde entram os avanços da imunologia?
A imunologia moderna tem mostrado que é possível modular o sistema imune de forma precisa, em vez de apenas o suprimir. Um exemplo importante dessa linha de pesquisa é o estudo Low-dose IL-2 therapy in autoimmune diseases: An update review, que revisa como a interleucina-2 em baixa dose pode reequilibrar respostas inflamatórias ao estimular células T reguladoras.
Embora esse estudo seja focado em doenças autoimunes, ele é frequentemente citado no debate científico por demonstrar que regular a inflamação de maneira fina e controlada é viável, reforçando o interesse em estratégias semelhantes para condições em que inflamação e sistema nervoso se cruzam — como em alguns casos de depressão.
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Isso significa que IL-2 trata depressão?
Não. A terapia com IL-2 em baixa dose não é um tratamento para depressão. O valor desse estudo está em mostrar que a inflamação não é um processo fixo e descontrolado, mas algo que pode ser ajustado com precisão quando bem compreendido.
Esse conhecimento contribui para a área emergente da imunopsiquiatria, que busca identificar subgrupos de pacientes e desenvolver tratamentos mais personalizados, combinando saúde mental, sistema nervoso e imunidade.

O que muda na prática clínica?
O principal avanço é a ideia de que a depressão não é uma condição única e igual para todos. Em vez de uma abordagem padronizada, cresce o interesse em identificar perfis biológicos específicos, como aqueles associados à inflamação, para orientar estratégias terapêuticas mais eficazes.
Veja a tabela abaixo com um resumo dessa mudança de paradigma:
| Abordagem tradicional | Nova abordagem integrada |
|---|---|
| Foco apenas em neurotransmissores | Foco em cérebro + inflamação |
| Tratamento único | Tratamento personalizado |
| Resposta variável | Maior precisão terapêutica |
| Visão isolada do cérebro | Visão corpo–mente integrada |
A relação entre sistema nervoso e inflamação não invalida os tratamentos existentes, mas expande o horizonte da ciência. Ao integrar imunologia, neurologia e psicologia, surgem caminhos mais promissores, realistas e humanos para compreender — e tratar — a depressão.










