Durante muito tempo, o vinho branco foi tratado como a “segunda opção” quando o assunto é cuidado com a saúde. Em conversas informais, em reportagens e até em rodas de especialistas, o vinho tinto costuma receber mais destaque. O branco, por outro lado, é frequentemente associado a uma bebida leve, agradável, mas com pouca relevância nutricional.
Vinho branco faz mal à saúde ou pode ter algum benefício
A imagem de que o vinho branco é sempre a escolha menos saudável surgiu, em grande parte, por causa dos antioxidantes. O vinho tinto é fermentado com as cascas das uvas, ricas em compostos como o resveratrol, enquanto o vinho branco geralmente passa por fermentação sem essa etapa prolongada com as cascas, o que reduz a concentração desses compostos fenólicos.
No entanto, a saúde não depende apenas da quantidade de um único componente. Fatores como metabolismo, resposta inflamatória, efeitos no sono, impacto nos níveis de gordura no sangue e até a tolerância individual ao álcool também entram na conta. Em um contexto de consumo moderado, alguns estudos sugerem que o vinho branco pode se inserir em um padrão alimentar equilibrado sem representar, por si só, um vilão automático.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da cardiologista Dra Bruna Santi (@cardiobrunasanti):
@cardiobrunasanti Vinho faz bem para o coração? 🍷🫀 Você já se perguntou quanto de álcool seria seguro consumir? Assiste o vídeo para saber mais! ❇️ Lembrando: Não consumir nenhuma quantidade de álcool é muito benéfico para saúde em geral e melhora a qualidade do sono! Quanto é 1 dose de álcool (14g)? 🍷Vinho = 150ml 🍺Cerveja = 350ml 🍸Destilados = 45 ml ➡️ Até 1 dose de álcool por dia para mulheres e 2 doses para homens não parece aumentar diretamente o risco de eventos cardiovasculares em geral. Porém, ‼️pensando em câncer, doenças do fígado e arritmias, como fibrilação atrial, qualquer quantidade pode aumentar o risco. Então se você não bebe, não comece a beber pensando em proteger seu coração! E se você já faz o consumo, atente para não exagerar na dose. Dra. Bruna Santi | Cardiologista CRMRS 45229 RQE 41872 #vinho #alcool #coracao #saude #cancer #cirrose #arritmias #cuidadocomasaude #planejamento #cardiologia #cardiologista #medicinadoestilodevida #alimentacaosaudavel #habitos #prevencao #dieta #longevidade #performace #habitossaudaveis #rotina #exercicio #atividadefisica #mudancadehabitos ♬ som original – Dra Bruna Cardiologista
O que os estudos atuais indicam sobre vinho branco e saúde
Quando o foco deixa de ser apenas a comparação com o vinho tinto, o vinho branco aparece em um cenário mais complexo. Alguns trabalhos científicos têm observado que, para determinados grupos, essa bebida pode estar associada a efeitos pontuais em marcadores cardiovasculares e na função dos vasos sanguíneos, embora as evidências ainda sejam limitadas e devam ser interpretadas com cautela, como a pesquisa “Acute effects of beer on endothelial function and haemodynamics: a single-blind, cross-over study in healthy volunteers”.
Pesquisas recentes e relatos clínicos sugerem que o vinho branco pode trazer algumas respostas diferentes no organismo, especialmente em pessoas sensíveis a certos componentes do tinto. Nessas situações específicas, são citados benefícios e percepções como:
- Contribuir para a melhora de alguns parâmetros de colesterol, como relação entre LDL e HDL;
- Apoiar a função endotelial e dos vasos sanguíneos, favorecendo a circulação;
- Ser metabolizado de forma mais confortável por algumas pessoas, em comparação ao vinho tinto;
- Provocar menos reações inflamatórias em indivíduos sensíveis a taninos e histaminas do vinho tinto.
Quais desconfortos o vinho branco pode evitar em pessoas sensíveis
Além de aspectos laboratoriais, relatos clínicos e observacionais mostram que parte das pessoas sente menos desconforto após o consumo de vinho branco. Em comparação ao tinto, alguns indivíduos referem menos sintomas relacionados a cefaleia, rubor facial e mal-estar digestivo, especialmente quando já conhecem sua própria sensibilidade.
Essas diferenças podem estar ligadas a níveis mais baixos de taninos e histaminas no vinho branco, substâncias que, em pessoas predispostas, tendem a desencadear reações desconfortáveis. Assim, o rótulo de “pior escolha” perde força quando se considera a experiência individual, a quantidade ingerida e a resposta do organismo ao álcool como um todo.
Como encaixar o vinho branco em um estilo de vida equilibrado
Apesar dos pontos positivos apontados por alguns estudos, o vinho branco continua sendo uma bebida alcoólica, com riscos claros em caso de excesso. A palavra-chave é sempre a moderação, respeitando limites de consumo, horários e frequência, além de avaliar se o uso faz sentido diante do histórico pessoal de saúde e dos objetivos de bem-estar.
Diretrizes de saúde geralmente associam qualquer possível benefício ao consumo moderado, e não ao uso diário em grandes quantidades. Quando a ingestão ultrapassa os limites recomendados, os riscos tendem a superar qualquer efeito interessante observado em pesquisas, incluindo maior chance de doenças hepáticas, dependência e prejuízos ao sono.
- Considerar o histórico de saúde, especialmente em casos de doenças hepáticas, cardíacas ou uso de medicamentos;
- Evitar o uso para relaxar o sono de forma recorrente, já que o álcool pode prejudicar a qualidade das fases mais profundas;
- Atentar para o consumo calórico, já que o vinho branco também adiciona energia à dieta diária;
- Respeitar limites de consumo considerados seguros por guias de saúde reconhecidos.
Outro aspecto relevante é o contexto em que o vinho branco é consumido. Quando associado a refeições equilibradas, hidratação adequada e hábitos saudáveis, tende a ser visto como parte de um padrão de vida mais organizado. Por outro lado, quando usado como recurso frequente para aliviar estresse ou como compensação alimentar, aumenta a chance de trazer consequências indesejadas, como ganho de peso e piora da relação com o álcool.

O vinho branco pode ser uma escolha adequada para algumas pessoas
O debate atual não busca transformar o vinho branco em um remédio ou em um item obrigatório na rotina. A questão central é entender que a antiga narrativa, que colocava o vinho tinto como única opção “aceitável” e o branco como bebida sem mérito algum, é cada vez menos compatível com o conjunto de evidências disponíveis e com a importância da individualização das escolhas.
Para algumas pessoas, o vinho branco pode representar uma alternativa com menos desconfortos físicos em comparação ao vinho tinto, mais compatível com o próprio organismo e com o ritmo de vida. Com o acesso ampliado a informações e pesquisas, a tendência é que a conversa sobre vinho branco e saúde se torne menos baseada em mitos e mais centrada em evidências, contexto e autoconhecimento, reforçando que nenhuma bebida alcoólica é isenta de risco e que a decisão de consumir ou não deve ser tomada de forma consciente.









