Ao decorar uma sala, a cortina é frequentemente tratada apenas como um acessório para bloquear a luz, mas ela é, na verdade, uma ferramenta arquitetônica poderosa. O erro mais comum que comete quem não é designer de interiores é instalar o varão ou trilho imediatamente acima da moldura da janela e limitar a largura do tecido ao tamanho exato do vidro.
A regra de ouro: vá para o alto e para os lados
Para reverter essa sensação e criar uma ilusão de ótica de amplitude, o segredo está na posição da instalação. A regra é simples: instale a cortina o mais alto possível.
Se você tem molduras de gesso (sanca), o trilho deve ser embutido ou fixado logo abaixo delas. Se não houver gesso, o varão deve ser fixado rente ao teto, e não na borda da janela. Isso obriga o olho a percorrer toda a extensão da parede, criando uma linha vertical longa que “estica” o ambiente e dá a impressão de que a sala é muito mais alta do que realmente é.

Largura: não esconda a luz natural
O segundo pilar desse erro está na largura. Quando o varão tem o mesmo tamanho da janela, a cortina aberta acaba cobrindo as laterais do vidro, bloqueando a entrada de luz natural. Menos luz significa um ambiente visualmente menor.
A solução é a técnica da sobra lateral. O varão deve exceder a janela em cerca de 20 a 30 centímetros para cada lado. Assim, quando a cortina estiver aberta, o tecido ficará recolhido sobre a parede, deixando o vidro totalmente exposto. Isso faz a janela parecer mais larga e maximiza a luminosidade, o que é vital para a sensação de espaço.
Leia também: Teto alto vs Teto baixo: como a altura do pé-direito muda a sua criatividade ou foco
O comprimento: a cortina deve tocar o chão?
Sim. Cortinas curtas que terminam no parapeito da janela são visualmente “cortadas” e transmitem uma sensação de desleixo ou de ambiente provisório, exceto em situações muito específicas (como acima de móveis ou pias).
Para a elegância e a amplitude, o tecido deve ir até o chão. Existem três caimentos aceitáveis:
- Beijando o chão: O tecido toca levemente o piso. É o visual mais moderno e sob medida.
- Flutuando: O tecido termina 1 ou 2 centímetros acima do chão. É o mais prático para a limpeza e evita que a barra fique suja.
- Arrastando (Puddle): Sobram de 5 a 10 centímetros de tecido no chão. É romântico e clássico, mas acumula poeira e exige arrumação constante.
Evite o visual “calça pula-brejo”, onde a cortina termina 10 ou 15 centímetros acima do chão, pois isso quebra a linha vertical que buscamos criar.

Tecidos e cores para ampliar
Além da instalação, o material influencia o tamanho percebido. Em salas pequenas, evite tecidos pesados, veludos escuros ou estampas grandes que criam “peso visual”.
Prefira tecidos fluidos e cores claras (branco, off-white, linho natural ou cinza claro) que se fundam com a cor das paredes. Essa continuidade cromática elimina barreiras visuais, fazendo com que as paredes pareçam recuar e o espaço se expandir. Se precisar de escurecimento (blackout), opte por camadas duplas onde a frente seja leve e o forro funcional fique escondido.










