Muitas pessoas limpam a casa constantemente e não compreendem a razão do acúmulo veloz de pó, mas a resposta reside frequentemente na eletricidade estática gerada pelos têxteis sintéticos da decoração. Materiais como o poliéster e o nylon transformam cortinas e tapetes em verdadeiros ímanes de sujidade, dificultando a manutenção da limpeza doméstica.
Por que é que os tecidos sintéticos funcionam como ímanes?
A grande diferença entre um ambiente limpo e um empoeirado está na física, especificamente na eletricidade estática. Têxteis sintéticos, derivados do petróleo, são isolantes elétricos que acumulam carga estática facilmente através do atrito com o ar ou com o uso diário.
Essa carga cria um campo magnético invisível que atrai ativamente as partículas de pó que flutuam no ambiente. Em vez de o pó cair no chão, onde poderia ser aspirado, ele fixa-se nas superfícies verticais das cortinas ou nas fibras do sofá, criando uma camada cinzenta difícil de remover apenas com um espanador.

Como é que as fibras naturais ajudam a repelir as partículas?
Materiais orgânicos como o algodão, o linho, a lã e a seda possuem propriedades físicas opostas: são “respiráveis” e tendem a ser neutros em relação à estática. Por reterem naturalmente um pouco mais de humidade do ambiente, dissipam a carga elétrica antes que esta se torne forte o suficiente para atrair detritos.
Ao optar por uma cortina de linho ou um tapete de algodão, a sujidade não é atraída magneticamente para o tecido. A gravidade age normalmente, fazendo com que o pó se deposite no pavimento, o que facilita imensamente a rotina de limpeza, já que a sujidade não fica incrustada nas fibras.
O próprio tecido está a gerar mais sujidade?
Além de atrair a sujidade externa, os sintéticos contribuem para o volume de pó através da libertação de microplásticos. Com o atrito do dia a dia — sentar no sofá ou abrir as cortinas —, estas fibras plásticas microscópicas partem-se e soltam-se, passando a compor grande parte do pó doméstico.
Enquanto a fibra natural se decompõe, a poeira de microplástico persiste no ambiente e pode ser inalada. Portanto, o acúmulo de pó em casas com excesso de sintéticos não é apenas sujidade vinda da janela, mas o próprio mobiliário a degradar-se lentamente.
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Quais são os principais vilões da decoração?
Nem todos os itens têm o mesmo impacto, mas grandes superfícies verticais e têxteis de alto atrito são os mais problemáticos na retenção de ácaros e partículas.
Os materiais que deve evitar se sofre com alergias ou pó excessivo incluem:
- Cortinas de voil sintético: Filtram o vento e capturam o pó antes que o ar entre.
- Tapetes de polipropileno: Geram muita estática ao caminhar.
- Mantas polares (fleece) ou de microfibra: Possuem uma área de superfície enorme para retenção de partículas.
- Almofadas de pelúcia artificial: Acumulam pó profundamente nas fibras longas.
- Estofos 100% poliéster: Atraem pelos de animais e cabelo com facilidade.

É possível resolver o problema sem trocar tudo?
Se substituir toda a decoração por fibras naturais não for viável financeiramente, é possível mitigar a estática aumentando a humidade do ar. Ambientes muito secos favorecem o acúmulo de carga elétrica; logo, o uso de humidificadores ajuda a neutralizar o efeito magnético dos sintéticos.
Outra tática eficiente é o uso de sprays antiestáticos caseiros ou amaciadores diluídos durante a limpeza das superfícies. Na lavagem das roupas de cama e banho, substituir o amaciador comum por vinagre de limpeza também ajuda a relaxar as fibras e a reduzir a tensão elétrica, diminuindo a atração de pó após a secagem.










