A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está prestes a iniciar um novo estudo que visa avaliar a incorporação de uma injeção semestral de prevenção ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa marca um passo importante na luta contra o vírus, utilizando a vacina lenacapavir, desenvolvida pela Gilead Sciences. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso deste medicamento como PrEP (profilaxia pré-exposição), uma escolha que promete revolucionar a forma como se previne a infecção pelo HIV-1.
O lenacapavir destaca-se por sua alta eficácia e pela praticidade de administração, já que precisa ser aplicado apenas duas vezes ao ano. Essa característica é um avanço significativo, considerando as necessidades de adesão e acessibilidade no tratamento profilático do HIV. A Anvisa enfatiza a indicação do fármaco para adolescentes a partir de 12 anos e adultos que pesem no mínimo 35 quilogramas, desde que o teste para HIV-1 resulte negativo antes do início do tratamento.
O que é a profilaxia pré-exposição ao HIV?
A profilaxia pré-exposição, ou PrEP, é uma estratégia de prevenção que utiliza medicamentos antirretrovirais para evitar a infecção pelo HIV em pessoas com maior risco de exposição ao vírus. Esta abordagem tem se mostrado eficaz em vários contextos, ampliando as opções de prevenção junto ao uso de preservativos e outras medidas. O uso do lenacapavir como PrEP reforça essa estratégia, oferecendo uma solução duradoura e menos dependente de rotinas diárias.

Como a Fiocruz está conduzindo este estudo?
O estudo, denominado ImPrEP LEN Brasil, concentra-se em grupos específicos da população mais vulneráveis à infecção pelo HIV. Estão incluídos homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, todos entre 16 e 30 anos. O objetivo é avaliar a efetividade do lenacapavir em ambientes reais. As cidades contempladas para o projeto são São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu, refletindo o compromisso em atingir diversas regiões do Brasil.
Quando o lenacapavir estará disponível no Brasil?
Conforme anunciado pela Fiocruz, as doses do lenacapavir já foram fornecidas pela Gilead Sciences. A administração do medicamento depende agora da chegada de agulhas específicas, necessárias para a aplicação subcutânea, ao Brasil. A expectativa é que, uma vez superado este ponto logístico, a vacina possa começar a ser aplicada, oferecendo uma nova esperança na prevenção do HIV.
Quais são as implicações para o SUS?
Se incorporado ao SUS, o lenacapavir poderá transformar a forma como o sistema de saúde público lida com a prevenção do HIV. A facilidade de uma injeção semestral é particularmente importante em um cenário onde a adesão aos medicamentos diários representa um desafio. Esta mudança pode aumentar consideravelmente o alcance dos programas de PrEP, contribuindo para a diminuição das taxas de infecção pelo HIV no país e fortalecendo a resposta nacional à epidemia.
Essa iniciativa da Fiocruz, aliada às decisões da Anvisa, demonstra o compromisso do Brasil em adotar soluções de saúde inovadoras e acessíveis. O estudo se insere em um contexto maior de esforços globais para erradicar o HIV, alinhando o país às estratégias internacionais mais avançadas. Portanto, o sucesso deste estudo poderá servir de modelo e inspiração para outras nações na luta contra o HIV. As políticas futuras dependerão dos resultados destas iniciativas pioneiras.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









