Secador, chapinha, babyliss e escovas secadoras podem transformar o visual em poucos minutos, mas o uso frequente e inadequado dessas ferramentas é uma das principais causas de Quebra Capilar. O calor em excesso altera a estrutura da fibra, resseca a cutícula e enfraquece o córtex, tornando o fio mais rígido, opaco e propenso a partir.
Quando o cabelo é exposto a temperaturas muito altas, a água presente na fibra evapora rapidamente, criando microfissuras e deixando o fio mais frágil. Além disso, o uso de ferramentas térmicas em cabelos já danificados por química ou descoloração potencializa ainda mais o risco de quebra. A repetição diária desse processo agride progressivamente o cabelo, que muitas vezes começa a partir antes mesmo de chegar ao comprimento desejado.
Para reduzir esses danos, é fundamental utilizar protetores térmicos, que criam uma espécie de “barreira” entre o calor e a fibra capilar, ajudando a minimizar a perda de água e o desgaste das cutículas. Também é importante ajustar a temperatura conforme o tipo de fio, evitar passar a chapinha diversas vezes na mesma mecha e manter uma distância segura do jato de ar do secador em relação ao couro cabeludo e ao comprimento do cabelo.
Quais são os impactos dos tratamentos químicos?
Alisamentos, relaxamentos, colorações, descolorações e permanentes alteram a estrutura interna do fio para modificar textura, forma ou cor. Esse processo, feito por meio de substâncias químicas, rompe e reorganiza ligações estruturais do cabelo, o que inevitavelmente enfraquece a fibra em algum grau. Quando os procedimentos são frequentes, mal executados ou combinados sem intervalo adequado, o cabelo perde elasticidade, fica mais fino, poroso e sujeito à quebra.

Químicas muito agressivas podem comprometer o córtex, que é a parte responsável pela resistência do fio. Descolorações sucessivas, por exemplo, removem pigmentos e lipídios importantes, abrindo demasiadamente a cutícula e tornando o fio incapaz de reter água e nutrientes. Já os alisamentos e relaxamentos interferem na forma da fibra, o que pode causar ruptura se o cabelo já estiver fragilizado ou se o tempo de ação e a concentração do produto forem inadequados.
Além disso, a sobreposição de procedimentos — como alisar, descolorir e tonalizar no mesmo cabelo — aumenta expressivamente o risco de corte químico, situação em que o fio se rompe de maneira brusca, muitas vezes próxima à raiz. Por isso, é essencial respeitar o tempo de recuperação entre os tratamentos, seguir rigorosamente as orientações do profissional e manter um cronograma de cuidados focado em reconstrução, nutrição e hidratação para devolver força, maleabilidade e proteção ao cabelo quimicamente tratado.
Como os fatores ambientais e hábitos influenciam na saúde dos fios?
Sol, vento, poluição, cloro, sal do mar e mudanças bruscas de temperatura também interferem diretamente na saúde capilar. A radiação UV, por exemplo, degrada proteínas e oxida os pigmentos do fio, o que pode resultar em desbotamento, ressecamento e perda de brilho. Já o cloro e o sal retiram a oleosidade natural que protege a fibra, deixando o cabelo mais áspero, embaraçado e suscetível à quebra mecânica durante a escovação.
Além dos fatores externos, alguns hábitos cotidianos contribuem para o enfraquecimento dos fios. Pentear o cabelo com força, principalmente quando está molhado, utilizar elásticos muito apertados, prender os fios constantemente no mesmo ponto e dormir com os cabelos úmidos são práticas que aumentam o atrito e a tensão sobre a fibra. Com o tempo, esses pequenos desgastes se somam e podem levar à quebra ao longo do comprimento e à formação de pontas duplas.
O estilo de vida também tem impacto significativo. Estresse prolongado, noites mal dormidas e sedentarismo podem afetar o ciclo de crescimento do cabelo, tornando-o mais fino e frágil. Além disso, o uso excessivo de produtos com álcool, shampoos muito adstringentes e lavagens em excesso removem a camada lipídica protetora, contribuindo para o ressecamento e a perda de elasticidade. Ajustar a rotina de cuidados, proteger o cabelo em ambientes mais agressivos (como praia e piscina) e adotar hábitos mais gentis na hora de lavar, secar e pentear são medidas fundamentais para preservar a integridade dos fios.
A nutrição pode melhorar a resistência capilar?
A saúde do cabelo não depende apenas de cuidados externos. A nutrição adequada exerce papel central na resistência, no brilho e no crescimento dos fios. O cabelo é formado, em grande parte, por proteínas, e a falta de ingestão proteica suficiente pode deixar o fio mais fino, fraco e quebradiço. Da mesma forma, vitaminas e minerais específicos participam diretamente da formação da fibra capilar e do funcionamento adequado dos folículos.
Nutrientes como ferro, zinco, biotina, vitaminas do complexo B, vitamina D e ácidos graxos essenciais (como o ômega-3) são importantes para um crescimento saudável e para a manutenção da estrutura do fio. Deficiências nutricionais podem se manifestar em queda acentuada, perda de densidade, fios opacos e quebra ao longo do comprimento. Por isso, uma alimentação variada, rica em frutas, verduras, legumes, fontes de proteína de boa qualidade, grãos integrais e gorduras saudáveis, contribui diretamente para cabelos mais fortes e resilientes.
Em alguns casos, quando há suspeita de carências específicas ou queda excessiva, pode ser indicado acompanhamento profissional para avaliação mais detalhada e, se necessário, o uso de suplementos. No entanto, a base de um cabelo resistente está em um estilo de vida equilibrado: boa alimentação, hidratação adequada, sono de qualidade e manejo do estresse. Aliados a cuidados externos consistentes, esses fatores criam o ambiente ideal para que o cabelo cresça mais forte, com menos tendência à quebra e melhor capacidade de se recuperar das agressões diárias.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










