A busca pela longevidade geralmente foca em dieta e exercícios, mas cientistas descobriram que o segredo para uma vida centenária pode começar muito antes de você dar o primeiro passo: no mês em que você nasceu. Enquanto a genética e o estilo de vida são cruciais, um estudo surpreendente sugere que a época do nascimento deixa uma “marca biológica” que afeta nossa durabilidade a longo prazo.
Pesquisadores analisaram dados de mais de 1.500 centenários e compararam com seus irmãos e cônjuges para isolar fatores ambientais. A conclusão? Existe uma “temporada da longevidade” que parece dar uma vantagem estatística real na corrida contra o tempo.
Por que o mês de nascimento afeta a longevidade?
A teoria principal, apoiada por pesquisadores da University of Chicago, é a do “desenvolvimento precoce”. As condições ambientais durante a gestação e nos primeiros meses de vida — como a temperatura, a exposição a infecções sazonais e a disponibilidade de vitaminas frescas na dieta da mãe — moldam a saúde do sistema imunológico para o resto da vida.
Bebês que escapam do pico de doenças infecciosas do inverno logo após o nascimento tendem a carregar menos “cicatrizes inflamatórias” em seus sistemas, chegando à velhice com uma reserva biológica mais robusta.
Quais meses garantem o “bônus” de vida?
O estudo, conduzido pelos especialistas Leonid Gavrilov e Natalia Gavrilova, revelou que os bebês nascidos no outono (no hemisfério norte, especificamente setembro, outubro e novembro) têm uma probabilidade significativamente maior de viver até os 100 anos do que aqueles nascidos em outras épocas.
O ranking da longevidade segundo os dados:
- Setembro – Novembro: Os grandes campeões. Estatisticamente, apresentam as maiores chances de se tornarem centenários. Acredita-se que a proteção contra as doenças de verão e o clima ameno nos primeiros meses de vida contribuam para essa resistência.
- Março – Maio e Julho: Surpreendentemente, estes meses apresentaram até 40% menos centenários em comparação com os meses de outono. A exposição a infecções respiratórias no início da vida pode ser um fator de risco a longo prazo.
- Dezembro – Fevereiro: Ficam em um meio-termo, sem a vantagem clara do outono, mas sem os riscos elevados da primavera.

O que diz a ciência?
Os resultados foram claros e consistentes mesmo quando comparados entre irmãos (que compartilham a mesma genética e infância), reforçando que o fator “mês” é decisivo. Segundo a pesquisa publicada pela University of Chicago, “nascer no outono oferece um efeito protetor contra doenças sazonais que podem impactar a longevidade final”.
Além disso, um estudo paralelo da Columbia University mapeou doenças ao longo da vida e corroborou que o mês de nascimento influencia o risco de desenvolver condições cardiovasculares e neurológicas, peças-chave para chegar bem à terceira idade.
Nascidos em outros meses vivem menos?
Não entre em pânico. O mês de nascimento é apenas uma das muitas cartas no baralho da vida. Embora os nascidos em outubro tenham uma vantagem estatística inicial, hábitos como não fumar, controlar o estresse e manter uma vida social ativa pesam muito mais na balança final.
A ciência mostra a tendência, mas quem escreve a história (e decide se vai comer salada ou fast-food hoje) é você.
Referências bibliográficas
GAVRILOV, L. A.; GAVRILOVA, N. S. Season of Birth and Exceptional Longevity: Comparative Study of American Centenarians, Their Siblings, and Spouses. Journal of Aging Research, 2011.
BOLAND, M. R. et al. Birth month affects lifetime disease risk: a phenome-wide method. Journal of the American Medical Informatics Association, 2015.








