O alecrim (Rosmarinus officinalis) é tradicionalmente associado à memória e, segundo evidências da neurociência, possui compostos com ação nootrópica. Esses componentes estão relacionados ao aumento do estado de alerta e à proteção dos neurônios contra processos de envelhecimento, contribuindo para a manutenção da função cognitiva e da memória ao longo do tempo.
Como o aroma do alecrim afeta o raciocínio?
O alecrim se destaca pela rapidez com que exerce seus efeitos cognitivos, mesmo sem ingestão. Pesquisas conduzidas pela Northumbria University demonstraram que a inalação do óleo essencial da planta está associada a melhorias significativas na memória prospectiva, capacidade relacionada ao planejamento e à execução de tarefas futuras.
Esse efeito está ligado ao 1,8-cineol, um composto volátil que é absorvido pelas vias respiratórias e alcança rapidamente o sistema nervoso central. No cérebro, a substância atua reduzindo a degradação da acetilcolina, neurotransmissor essencial para atenção, memória e raciocínio, prolongando a eficiência da comunicação neural.

Leia também: Fim das prateleiras abertas na cozinha? Por que os armários fechados voltaram a ser regra.
Como o alecrim protege o cérebro ao longo do tempo?
Além do efeito imediato do aroma, o consumo do alecrim está associado a benefícios neuroprotetores de longo prazo. A planta é rica em ácido carnósico, um antioxidante que atua diretamente na proteção das células neurais contra danos oxidativos causados pelos radicais livres, processo frequentemente relacionado ao declínio cognitivo.
Estudos indexados na PubMed indicam que o ácido carnósico pode contribuir para a prevenção da neurodegeneração associada ao envelhecimento, especialmente por sua ação anti-inflamatória no hipocampo, região central para a memória. Enquanto ervas como a lavanda tendem a favorecer estados de relaxamento, o alecrim atua no sentido oposto, apoiando a clareza mental e a manutenção da função cognitiva ao longo dos anos.
No vídeo a seguir, a Nutricionista Patricia Leite, com mais de 8 milhões de inscritos, fala um pouco dos benefícios do alecrim:
Como usar para obter o efeito “Nootrópico”
Para usufruir destes benefícios cognitivos, a forma de uso depende do seu objetivo:
- Para Foco Imediato (Trabalho/Estudo): A via olfativa é superior. Mantenha um vaso de alecrim fresco na mesa e esfregue as folhas entre os dedos periodicamente para libertar os óleos, ou utilize um difusor pessoal.
- Para Proteção a Longo Prazo: O consumo oral garante a ingestão dos polifenóis. Prepare um chá por infusão (sem ferver as folhas) ou utilize-o generosamente como tempero em azeites e assados.
O alerta vermelho: quando o estimulante vira inimigo
Embora natural, o alecrim é um estimulante circulatório e neural potente. Por essa razão, pessoas que sofrem de hipertensão arterial não controlada devem evitar o consumo excessivo do chá ou suplementos concentrados, pois a erva pode elevar a pressão sanguínea e a frequência cardíaca momentaneamente.
Outro grupo de risco importante inclui os portadores de epilepsia. O composto 1,8-cineol, o mesmo que “liga” a memória, pode baixar o limiar convulsivo em altas concentrações (principalmente no uso de óleos essenciais puros). Por fim, uma regra prática de ouro: devido à sua ação de despertar o cérebro, evite a inalação ou ingestão após as 17h, ou o preço do foco diurno será uma noite de insônia agitada.










