Roer as unhas é um hábito comum, muitas vezes automático, que costuma aparecer em momentos de tensão, tédio ou concentração. Embora seja frequentemente associado à ansiedade, a ciência mostra que o comportamento é mais complexo: envolve mecanismos do cérebro ligados à regulação emocional, ao controle de impulsos e até à busca por estímulo.
Roer as unhas é sinal de ansiedade?
Nem sempre; a ciência indica que roer as unhas está associado à regulação emocional, não apenas à ansiedade. Pesquisas em psicologia comportamental classificam o hábito como um comportamento repetitivo focado no corpo, usado para aliviar estados internos desconfortáveis, como nervosismo, frustração ou inquietação.
Isso explica por que muitas pessoas roem as unhas também em situações neutras, como assistir a um filme ou pensar intensamente. O gesto ajuda a descarregar energia mental acumulada e pode trazer alívio momentâneo, mesmo sem a pessoa perceber.

O hábito está ligado ao cérebro e ao controle de impulsos?
Sim, roer as unhas envolve circuitos cerebrais ligados ao impulso e à recompensa. Estudos em neurociência apontam que o comportamento ativa sistemas de alívio rápido, semelhantes aos envolvidos em outros hábitos repetitivos, como mexer no cabelo ou estalar os dedos.
Quando o controle inibitório está reduzido — por estresse, cansaço ou sobrecarga cognitiva — o cérebro tende a recorrer a comportamentos automáticos que já foram “aprendidos” como calmantes. Por isso, o hábito pode surgir com mais frequência em períodos exigentes.
Antes de avançar, vale observar fatores que costumam intensificar o comportamento:
- Situações de estresse, expectativa ou pressão
- Estados de tédio prolongado ou falta de estímulo
- Cansaço mental e sobrecarga de tarefas
Roer as unhas pode estar relacionado ao perfeccionismo?
Sim, a ciência associa o hábito a traços de perfeccionismo e insatisfação. Estudos mostram que pessoas com altos padrões internos podem recorrer a comportamentos repetitivos quando sentem que algo está “fora do lugar” — seja uma tarefa inacabada, seja uma sensação interna difícil de nomear.
Nesses casos, roer as unhas funciona como válvula de escape para a frustração. O gesto não resolve a causa, mas reduz temporariamente a tensão, o que reforça o ciclo e torna o hábito persistente ao longo do tempo.
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Há riscos físicos e impactos para a saúde?
Sim, roer as unhas pode trazer riscos físicos quando o hábito é frequente. A ciência aponta desde microlesões na pele até maior exposição a bactérias e fungos, além de impactos nos dentes e na articulação da mandíbula.
Também há consequências indiretas: dor, inflamação e vergonha social podem aumentar o estresse — o que, paradoxalmente, intensifica o próprio hábito. Por isso, compreender a função psicológica do gesto é essencial para interromper o ciclo.
Veja a tabela abaixo com um resumo dos principais impactos observados:
| Aspecto afetado | Possível consequência |
|---|---|
| Pele e unhas | Feridas, inflamações, infecções |
| Boca e dentes | Desgaste dentário |
| Saúde emocional | Reforço do ciclo de estresse |
| Vida social | Constrangimento ou evitação |

Como a ciência recomenda lidar com o hábito?
A ciência recomenda substituir o comportamento por estratégias de regulação mais eficazes. Em vez de focar apenas em “parar”, abordagens comportamentais sugerem identificar gatilhos e oferecer alternativas que cumpram a mesma função de alívio.
Estratégias eficazes incluem manter as mãos ocupadas, usar estímulos táteis alternativos e trabalhar técnicas de redução do estresse. Em casos persistentes, a terapia cognitivo-comportamental tem bons resultados ao atuar sobre impulsos e padrões automáticos.
Em resumo, roer as unhas não é falta de força de vontade, mas uma tentativa do cérebro de se autorregular. Ao entender o que o hábito sinaliza — ansiedade, tédio, perfeccionismo ou sobrecarga — fica mais fácil escolher caminhos que tragam alívio real e duradouro, sem prejuízos à saúde.










