A recente discussão sobre Dietas Sem Glúten reacendeu muitos debates sobre sua eficácia para a perda de peso. O ator Matt Damon, por exemplo, atribuiu sua transformação física a esse regime dietético. Porém, o que a ciência revela é uma história bem mais complexa do que apenas eliminar uma proteína. Alguns indivíduos de fato se beneficiam ao excluir o glúten, mas isso geralmente é devido a condições médicas específicas, como a doença celíaca, que afeta uma pequena parcela da população.
O glúten é uma proteína presente em grãos como trigo, cevada e centeio, elementos comuns na alimentação cotidiana. Enquanto a maioria das pessoas consome tais alimentos sem problemas, quem tem doença celíaca deve evitá-los rigorosamente devido à resposta imunológica adversa que podem desencadear. Além disso, existe a sensibilidade ao glúten não celíaca, que, embora menos compreendida, causa sintomas desconfortáveis para alguns indivíduos, como inchaço e desconforto abdominal.
Por que muitas pessoas acreditam que eliminar o glúten faz emagrecer?
O que se observa é que muitas vezes a perda de peso em Dietas Sem Glúten resulta de uma redução calórica indireta. Ao cortar alimentos como pães e massas, que são ricos em carboidratos, é comum o consumo calórico total diminuir. Isso não é fruto de mágica: menos ingestão de carboidratos leva a uma diminuição dos estoques de glicogênio, que retêm água. Como resultado, há uma rápida perda de peso inicial, muitas vezes confundida erroneamente com perda de gordura.

Adicionalmente, é frequente que aqueles que seguem Dietas Sem Glúten substituam alimentos processados por opções mais saudáveis e naturais, o que também contribui para um menor consumo calórico. Há estudos preliminares que indicam que adotar tal dieta pode resultar em perda de peso, mas isso está mais relacionado a mudanças alimentares abrangentes do que à remoção específica do glúten.
Quais são os riscos de eliminar o glúten sem necessidade médica?
Para pessoas sem restrições alimentares específicas, evitar o glúten pode resultar em deficiências nutricionais. Alimentos com glúten são fontes importantes de fibras e vitaminas do complexo B. Além disso, estudos sugerem que uma ingestão baixa de glúten pode aumentar o risco de doenças como diabetes tipo 2 e condições cardíacas. Produtos industrializados sem glúten geralmente compensam a ausência dessa proteína com mais açúcares e gorduras, resultando em perfis nutricionais menos saudáveis.
O que deveria guiar a escolha por uma dieta sem glúten?
Optar por não consumir glúten deve ser uma decisão informada e baseada em necessidades de saúde claras. Pessoas com indicações médicas, como a doença celíaca, certamente devem seguir essas orientações para evitar complicações. No entanto, para a população em geral, a perda de peso sustentada e saudável costuma depender de uma dieta equilibrada e de hábitos alimentares moderados.
É fundamental que as escolhas alimentares sejam feitas com base em evidências científicas e em consulta com profissionais de saúde. Dietas populares que prometem resultados rápidos podem ser atraentes, mas é importante considerar seus efeitos a longo prazo. Sempre que possível, buscar fontes alimentares integrais e manter uma dieta diversificada pode fornecer os nutrientes necessários para uma boa saúde sem abrir mão do sabor e da satisfação alimentar.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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