Compreender a relação entre alimentação, metabolismo e sono é essencial, principalmente no contexto de condições como o Diabetes Tipo 2. Recentemente, a revista Frontiers in Nutrition publicou um estudo que aprofundou a conexão entre dieta, controle glicêmico e padrões de sono. A pesquisa utilizou dados de mais de 66 mil participantes do National Health and Nutrition Examination Survey, o que proporcionou insights valiosos sobre como alterações metabólicas influenciam o descanso noturno de indivíduos diabéticos.
O estudo revelou que pessoas com diabetes enfrentam mais dificuldades para dormir e apresentam maior prevalência de distúrbios do sono. Especificamente, pessoas com diabetes mostraram uma tendência a ter jornadas de sono mais curtas e, paradoxalmente, também mais longas do que o ideal de sete a nove horas recomendadas para adultos. Tales irregularidades podem ser atribuídas a oscilações glicêmicas, como hipoglicemias noturnas, que interferem diretamente na consolidação do sono, conforme explica a neurologista Letícia Soster.
Como a Diabetes Tipo 2 afeta o sono?
A Diabetes Tipo 2 é caracterizada por resistência à insulina e altos níveis de glicose no sangue, o que pode ter impactos significativos no sono. Além de gerar variações na glicose, a condição também está ligada a uma inflamação crônica que impacta hormônios reguladores do sono, como o cortisol e a melatonina. Estas alterações hormonais podem fragmentar o sono e necessitar de uma abordagem mais abrangente para garantir o bem-estar dos indivíduos.
Pessoas com diabetes que procuram um controle glicêmico estrito podem experimentar maior dificuldade para dormir devido à complexidade do manejo clínico. A utilização de múltiplos medicamentos e o risco de hipoglicemia noturna podem contribuir para essa situação. Portanto, enfatiza-se a importância de abordar o sono como um componente vital da saúde, ao lado de uma dieta equilibrada e da atividade física.

Qual é o papel da alimentação na qualidade do sono?
A dieta emerge como um fator central na gestão do sono, especialmente em diabéticos. Dietas pobres em proteínas têm sido associadas a desfechos adversos no sono, independentemente dos níveis de glicose no sangue. Em contrapartida, a ingestão de carboidratos complexos, como grãos integrais, ajuda a estabilizar os níveis de glicose, favorecendo padrões de sono mais saudáveis.
Proteínas magras, como peixes e aves, também desempenham um papel crucial, contribuindo para a regulação de neurotransmissores ligados ao sono. Quando a dieta é rica em proteínas, ela tende a estabilizar níveis de glicose mais eficazmente do que uma dieta focada em carboidratos rápidos, como observa a neurologista.
Quais as dicas para melhorar a qualidade do sono?
Independentemente da condição de saúde, implementar práticas de “higiene do sono” pode ser benéfico. Criar uma rotina para dormir e acordar sempre no mesmo horário auxilia na regulação do ciclo sono-vigília. Evitar luzes brilhantes e atividades estimulantes antes de dormir, manter o quarto escuro e limitar o consumo de estimulantes são passos fundamentais para assegurar um sono reparador.
Outro ponto importante é evitar refeições pesadas ou ricas em carboidratos antes de dormir, reduzindo, assim, o risco de picos glicêmicos que podem fragmentar o sono. Desta forma, ao considerar o sono um pilar da saúde, é possível melhorar o bem-estar geral e o controle do diabetes, oferecendo melhor qualidade de vida aos pacientes.
Embora o estudo forneça dados valiosos, é essencial que essas conclusões sejam interpretadas com cautela, principalmente devido à natureza associativa da pesquisa. Futuras investigações clínicas podem ajudar a delinear de maneira mais clara as interações entre dieta, metabolismo e sono.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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