Ao notar um aumento na quantidade de fios no ralo do chuveiro ou na escova, a primeira reação da maioria das pessoas é trocar o xampu ou buscar loções fortificantes. No entanto, médicos dermatologistas e tricologistas alertam: o cabelo é um tecido de rápida proliferação e, por isso, é um dos primeiros a “sentir” quando algo não vai bem no funcionamento interno do corpo.
A queda capilar, muitas vezes tratada apenas como um incômodo estético, funciona como um biomarcador. Segundo especialistas, ela é a forma que o organismo encontra de sinalizar que está poupando energia ou que faltam nutrientes essenciais para funções vitais, deixando a manutenção dos fios em segundo plano.
A diferença entre renovação e perda real
É fundamental entender o ciclo natural. O ser humano perde, em média, de 60 a 100 fios por dia. Isso faz parte da renovação saudável. O sinal de alerta acende quando essa quantidade aumenta drasticamente ou quando o volume total do cabelo diminui visivelmente (o rabo de cavalo fica mais fino ou o couro cabeludo mais aparente).
Nesses casos, a causa raramente é externa (como um creme errado), mas sim interna.
Os 3 principais “ladrões” de cabelo
Investigações clínicas apontam que, na maioria dos casos de eflúvio telógeno (queda intensa e difusa), três fatores são os protagonistas:
1. Deficiências Nutricionais Silenciosas A anemia por deficiência de ferro é uma das causas mais comuns em mulheres. Mesmo sem anemia diagnosticada, níveis baixos de ferritina (reserva de ferro) já são suficientes para interromper o crescimento dos fios. Outros nutrientes críticos incluem a Vitamina B12, Vitamina D e Zinco. Sem esse “combustível”, o folículo entra em repouso precoce.
2. O “Efeito Cortisol” (Estresse) Não é lenda urbana: o estresse físico ou emocional intenso libera cortisol e adrenalina, substâncias que provocam uma inflamação microscópica nos folículos pilosos. Isso pode antecipar a queda dos fios em até três meses após o evento estressante — seja uma doença, uma cirurgia ou um período de ansiedade no trabalho.
3. Desequilíbrios Hormonais A tireoide funciona como o “maestro” do metabolismo. Tanto o hipotireoidismo (tireoide lenta) quanto o hipertireoidismo podem causar cabelos secos, frágeis e queda difusa. Além disso, alterações nos hormônios andrógenos (como na Síndrome dos Ovários Policísticos) podem levar à calvície de padrão feminino.
O papel do intestino
Estudos recentes também conectam a saúde capilar à microbiota intestinal. Um intestino inflamado absorve mal os nutrientes. Você pode estar comendo bem, mas se o seu corpo não absorve as vitaminas, o cabelo não recebe a nutrição necessária, resultando em fios fracos e sem brilho.
Quando procurar ajuda médica?
A orientação é buscar um dermatologista se a queda persistir por mais de dois meses ou se houver coceira, vermelhidão ou falhas circulares (peladas). O diagnóstico geralmente envolve:
- Exame físico: Tricoscopia (análise ampliada do couro cabeludo).
- Exames de sangue: Para checar ferritina, tireoide, vitaminas e hormônios.
Tratar a queda de cabelo exige paciência, pois o ciclo capilar é lento. Recuperar a saúde interna é o primeiro passo para ver o reflexo no espelho meses depois.









