O ciclo mensal traz consigo uma variedade de desafios, e um dos mais comuns é a pressão financeira que costuma ser mais pronunciada no fim do mês. Esta tensão pode se manifestar de várias formas, afetando tanto o bem-estar físico quanto o emocional. A acumulação de preocupações relacionadas às contas por pagar, ao aluguel e às responsabilidades domésticas acaba gerando um desgaste que não apenas esgota a energia mental, mas também causa efeitos colaterais, um dos quais é a diminuição do desejo sexual. Este fenômeno, apesar de ser bastante comum, ainda gera bastante dúvidas e preocupações.
A pressão do fim do mês também concentra outras formas de estresse. Não se trata apenas de questões financeiras; o cansaço físico contribui significativamente para essa sensação de sobrecarga. O corpo naturalmente reage ao tentar conservar energia em situações de alta tensão. Quando o estresse toma conta, o cérebro adota um modo de sobrevivência, priorizando questões imediatas de sobrevivência em detrimento de prazeres e relaxamento. Consequentemente, a Libido cai como um efeito secundário desta estratégia de autopreservação, refletindo não uma falta de amor ou de interesse, mas sim uma resposta fisiológica ao estresse.
O estresse financeiro eleva os níveis de cortisol, um hormônio ligado ao estado de alerta e à tensão. Este aumento de cortisol tem um impacto direto no desejo sexual, que tende a diminuir quando o corpo está constantemente em estado de estresse. Além do hormônio, cabe mencionar que a mente frequentemente se deixa consumir por preocupações incessantes: “Como pagar as contas?” ou “Será que o dinheiro vai dar?” são pensamentos recorrentes que ocupam a mente, tornando difícil se desconectar e se entregar a momentos de intimidade. O sexo, que demanda entrega e conexão, acaba por perder a espontaneidade.
O cansaço acumulado ao longo do mês, muitas vezes intensificado por jornadas de trabalho mais longas ou por uma rotina mais apertada, faz com que a paciência e o humor se deteriorem. A irritação se torna mais frequente, e com ela surgem pequenos conflitos que, paradoxalmente, criam uma barreira ainda maior à intimidade. O desejo sexual, que depende de um certo nível de conforto emocional para florescer, se vê sufocado sob a avalanche de estresse e desentendimentos.
Muitas pessoas, erroneamente, acabam se culpando por essa falta de desejo, interpretando-a como um sinal de que algo está errado em suas vidas pessoais ou em seus relacionamentos afetivos. Essa culpa só aumenta a pressão mental, criando um ciclo vicioso de preocupação e estresse. É vital reconhecer que a libido tem suas variações naturais ao longo do tempo. Compreender que essas flutuações são normais ajuda a reduzir a carga emocional e cria espaço para um diálogo mais aberto e com menos julgamentos.
Importa lembrar que, na maioria dos casos, o problema não está na relação em si, mas sim no que está acontecendo naquele momento específico. O fim do mês é uma fase transitória que, uma vez superada, tende a restaurar os níveis de desejo e intimidade no casal. Ter clareza sobre isso e compartilhar a compreensão mútua pode fortalecer ainda mais os laços entre os parceiros.
Embora nem sempre seja possível eliminar completamente o estresse financeiro, existem maneiras práticas de mitigar seu impacto sobre a vida íntima. Comunicar-se de forma clara e honesta, focando no que se sente ao invés de culpar o outro, pode diminuir a tensão emocional. Fazer conexões diárias que não exigem sexo, como abraços ou conversas, ajuda a nutrir a relação. Pequenos momentos de pausa em meio à rotina caótica são preciosos e podem revitalizar o corpo e mente, abrindo caminho para o relaxamento e retorno do desejo.
Garantir um ritmo saudável de sono e alimentação também é crucial, já que ambos influenciam diretamente na disposição e libido. E, por fim, proteger o espaço de descanso dos problemas financeiros assegura que a intimidade não seja contaminada por preocupações externas, preservando um ambiente propício ao relaxamento e à conexão emocional.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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