Com a chegada do verão, muitas regiões do Brasil, especialmente litorâneas, observam um aumento notável nos casos de doenças conhecidas como Gastroenterites. Este período do ano, com suas altas temperaturas e praias cheias, não só coloca à prova a saúde da população, mas também evidencia a necessidade de melhores hábitos de controle de doenças e diagnóstico. Notícias recentes indicam que o número de casos de Doença Diarreica Aguda (DDA) ultrapassou os 10 mil apenas em Santa Catarina, durante as primeiras semanas do ano de 2026.
Os principais culpados por essa situação envolvem diversos fatores, como a ingestão de alimentos de origem duvidosa e a exposição a águas não próprias para o banho. Este tipo de ambiente se torna um terreno fértil para a proliferação de patógenos responsáveis pela gastroenterite. Apesar do termo genérico “virose” ser frequentemente utilizado para descrever tais quadros, é essencial reconhecer que as causas podem variar amplamente e, assim, demandar estratégias de tratamento diferentes e adequadas.
Como diferenciar os tipos de Gastroenterite?
Popularmente, os sintomas de dor abdominal e urgência para evacuar parecem iguais, independentemente da causa subjacente. No entanto, a perspectiva biológica da gastroenterite revela múltiplas nuances. Basicamente, essas doenças são categorizadas em três tipos principais, baseando-se nos agentes causadores:

- Vírus: Norovírus e Rotavírus são os agentes virais mais comuns, frequentemente responsáveis por surtos rápidos.
- Bactérias: Incluem salmonelas e E. coli, cujos sintomas tendem a ser mais inflamatórios e graves.
- Parasitas: Agentes como Giardia e Ameba demonstram um processo evolutivo mais arrastado.
O diagnóstico inadequado dessas condições pode levar a tratamentos não eficazes, especialmente em casos virais, onde o uso desnecessário de antibióticos traz mais danos do que benefícios, contribuindo para o aumento da resistência bacteriana.
Qual é a importância dos testes rápidos para gastroenterite?
Até alguns anos atrás, médicos e pacientes enfrentavam demora de dias para receber resultados de culturas fecais. Foi então que os avanços tecnológicos, sobretudo os testes sindrômicos por PCR multiplex direto, revolucionaram o cenário. Estes testes fornecem um panorama abrangente das infecções gastrointestinais em cerca de uma hora, auxiliando na identificação do patógeno principal e de possíveis coinfecções.
A diferença que essa tecnologia traz não se limita à eficiência diagnóstica individual. Ela também fortalece a capacidade das autoridades sanitárias em controlar surtos locais, permitindo que ações preventivas sejam implementadas de forma mais rápida e eficaz.
O que fazer ao apresentar sintomas de gastroenterite?
Sentir náuseas, diarreia ou qualquer sinal de mal-estar exige atenção. Algumas práticas devem ser adotadas imediatamente: evitar o uso de medicamentos que inibem o trânsito intestinal sem orientação médica, já que a diarreia pode ser o meio que o corpo encontra para eliminar as toxinas indesejadas. Ressalta-se, também, a importância da hidratação constante com soro caseiro ou soluções adequadas encontradas nas farmácias. Além disso, ajustar a dieta, optando por alimentos como arroz branco, bananas e caldos de frango sem gordura, pode aliviar os sintomas.
Quais medidas podem prevenir a gastroenterite no verão?
Adotar precauções pode ser determinante para evitar doenças gastrointestinais. Veja algumas dicas essenciais:
- Priorize água mineral lacrada quando estiver em locais desconhecidos e preste atenção ao consumo de gelo de fonte duvidosa.
- Nas praias, evite alimentos que estragam facilmente sob o calor, como maionese e molhos caseiros.
- Mantenha rigor na higiene das mãos, recorrendo a água e sabão, já que o álcool em gel não substitui a limpeza adequada.
Casos mais severos de gastroenterite devem ser avaliados por profissionais da saúde, especialmente quando associam febre alta, desidratação, dor intensa e presença de sangue nas fezes. Atenção a esses sintomas pode não só assegurar a recuperação do paciente, mas também prevenir a disseminação das infecções no ambiente. Ao cuidar de si mesmo, também se cuida da comunidade e das redes de saúde locais.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










