A Progeria, formalmente conhecida como síndrome de Hutchinson-Gilford, é uma condição genética rara que acelera o processo de envelhecimento em crianças. Essa anomalia resulta de uma mutação no gene LMNA, responsável por codificar proteínas essenciais para a estrutura do núcleo celular, levando ao desenvolvimento precoce de características típicas da velhice e à redução significativa da expectativa de vida.
Entenda a origem genética da progeria e a mutação no gene LMNA?
A origem do envelhecimento acelerado está em uma mutação pontual no gene LMNA, localizado no cromossomo 1 e crucial para a produção das proteínas lâmina A e C. A mutação mais comum, c.1824CT, ativa um sítio de splicing incorreto, gerando a progerina, uma proteína defeituosa que prejudica a integridade do envelope nuclear.
O acúmulo de progerina compromete funções essenciais, como a replicação do DNA, a expressão gênica e a resposta ao estresse celular. Esse desequilíbrio afeta a estabilidade das células, favorece o envelhecimento precoce dos tecidos e contribui para o surgimento das manifestações clínicas típicas da síndrome.
Para compreender melhor a progeria, assista ao vídeo a seguir, no qual Michelle Bolsonaro aborda o tema de forma clara e didática no canal Michelle Bolsonaro.
Quais são os primeiros sinais da progeria em crianças?
Ao nascer, bebês com progeria podem parecer saudáveis, mas entre 6 e 24 meses começam a surgir sinais característicos. Entre os primeiros indicadores estão a falha no ganho de peso, crescimento abaixo do esperado e alterações na pele, que se torna mais fina, enrugada e com menor elasticidade.
Outros achados incluem perda de cabelo, sobrancelhas e cílios, além de uma fácies típica com olhos proeminentes, nariz afilado e maxilar subdesenvolvido. Essas crianças também apresentam lipodistrofia, com perda de gordura subcutânea e massa muscular, o que contribui para a estatura bastante reduzida e aspecto de envelhecimento precoce.
Por que as complicações cardiovasculares são tão críticas na progeria?
A complicação mais relevante na progeria é a aterosclerose acelerada, que surge em idade muito precoce. O acúmulo de progerina leva à perda de células musculares lisas nas artérias principais, resultando em endurecimento vascular, calcificação e formação de placas ateromatosas instáveis.
Essas alterações estruturais provocam um risco elevado de eventos cardiovasculares graves, como infartos e acidentes vasculares cerebrais, geralmente na infância ou adolescência. Apesar do desenvolvimento cognitivo permanecer preservado, a falência do sistema cardiovascular é a principal causa de morte, em média por volta dos 13 anos.

Quais tratamentos ajudam a prolongar e melhorar a qualidade de vida na progeria?
Embora não exista cura, o manejo multidisciplinar tem papel central para melhorar a qualidade de vida e prolongar a sobrevivência. Acompanhamento com cardiologistas, endocrinologistas, fisioterapeutas e nutricionistas permite intervenções precoces e individualizadas, reduzindo complicações.
Entre as abordagens mais utilizadas destacam-se medidas clínicas e de suporte que visam proteger o sistema cardiovascular e manter a funcionalidade do paciente:
- Uso de aspirina e estatinas para reduzir eventos cardiovasculares, prevenindo coágulos e controlando o colesterol.
- Fisioterapia regular para manter força muscular, mobilidade articular e independência funcional.
- Nutrição especializada para compensar dificuldades de ganho de peso e garantir adequada ingestão calórica e de micronutrientes.
- Monitoramento cardíaco rigoroso, com exames periódicos para detectar precocemente alterações vasculares e cardíacas.
Qual é o futuro das pesquisas em terapias genéticas para a progeria?
O avanço em tecnologias de edição genética, como CRISPR/Cas9, traz perspectivas promissoras para a correção direta da mutação no gene LMNA. Estudos pré-clínicos investigam não apenas a reparação do DNA, mas também formas de suprimir seletivamente a produção de progerina, reduzindo seus efeitos tóxicos sobre as células.
Estratégias experimentais, como inibidores de farnesilação e oligonucleotídeos antisense, vêm sendo testadas para atenuar o impacto da progerina no envelope nuclear. Embora ainda não existam terapias genéticas aprovadas, os resultados iniciais são encorajadores e apontam para um futuro em que distúrbios genéticos raros, como a progeria, possam ser tratados de forma mais eficaz e personalizada.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









