A Anemia Ferropriva, desencadeada pela deficiência de ferro no organismo, representa um desafio de saúde pública que pode ser manejado com estratégias alimentares bem planejadas. O ferro é crucial para a produção de hemoglobina e para a oxigenação dos tecidos, e sua escassez acarreta sintomas como fadiga intensa, palidez e queda no desempenho físico e cognitivo.
Quais as principais fontes alimentares de ferro?
O ferro divide-se em duas formas: ferro heme e ferro não heme. O ferro heme, presente em alimentos de origem animal como carnes vermelhas, aves e vísceras, apresenta alta taxa de absorção, podendo chegar a cerca de 35%.
Já o ferro não heme, encontrado em alimentos de origem vegetal, tem absorção mais limitada, variando entre 2% e 20%. Por isso, dietas baseadas em plantas exigem atenção redobrada às combinações alimentares e ao aporte total de ferro.
Para compreender melhor os alimentos ricos em ferro, assista ao vídeo a seguir, no qual a Patrícia Leite explica o assunto de forma clara e didática no canal Nutricionista Patrícia Leite.
Quais os vegetais que ajudam a combater a anemia ferropriva?
Os vegetais verde-escuros e as leguminosas são aliados importantes no aporte de ferro não heme. Quando combinados adequadamente, podem contribuir significativamente para a prevenção e o tratamento da anemia ferropriva.
A seguir, alguns grupos de alimentos vegetais se destacam pela boa densidade mineral e pelo potencial de inclusão em refeições do dia a dia:
- Leguminosas: feijão-preto, lentilha e grão-de-bico, preferencialmente demolhados para reduzir fitatos e melhorar a absorção.
- Folhas verdes escuras: couve, espinafre e brócolis, com absorção de ferro potencializada quando combinadas com fontes de vitamina C.
- Sementes: sementes de abóbora, gergelim e girassol, que oferecem boa densidade mineral em pequenas porções.
- Frutas secas: damasco seco, uva-passa e tâmara, que podem ser utilizadas como lanches ou em preparações culinárias.
Quais os alimentos que devem ser evitados junto às fontes de ferro?
Na anemia ferropriva, é importante atentar não apenas ao que incluir na dieta, mas também ao que evitar próximo às principais refeições ricas em ferro. Alguns alimentos e bebidas podem reduzir significativamente a absorção do mineral.
Substâncias como taninos, cálcio em excesso, oxalatos e ácido fosfórico interferem negativamente nesse processo, devendo ser consumidas em horários afastados das fontes de ferro:
☕ Alimentos e Bebidas que Reduzem a Absorção de Ferro
| Alimento ou Bebida | Composto Interferente | Efeito na Absorção de Ferro |
|---|---|---|
| Café e Chás (preto, verde, mate) | Taninos e polifenóis | Inibem a absorção do ferro não heme proveniente dos vegetais. |
| Leite e Derivados | Cálcio | Compete com o ferro pelos mesmos receptores intestinais. |
| Chocolate | Oxalatos | Reduzem a disponibilidade e o aproveitamento do ferro. |
| Refrigerantes à Base de Cola | Ácido fosfórico | Prejudica a absorção e pode interferir no metabolismo mineral. |
💡 Dica: Consuma esses alimentos e bebidas em horários afastados das principais refeições para não comprometer a absorção do ferro.
Quais as estratégias para potencializar a absorção do ferro?
A combinação de ferro com vitamina C é uma das formas mais eficazes de aumentar a absorção, especialmente do ferro não heme presente em vegetais e leguminosas. Alimentos cítricos e frutas ricas em ácido ascórbico são ótimos aliados nesse processo.
Adicionar laranja, limão, acerola ou outras frutas ricas em vitamina C às refeições e utilizar panelas de ferro no preparo dos alimentos pode contribuir para o aporte diário. Além disso, evitar o consumo simultâneo de inibidores de absorção ajuda a otimizar o aproveitamento do mineral.

Qual a importância do diagnóstico laboratorial e acompanhamento médico?
Embora a dieta seja fundamental no combate à anemia ferropriva, o diagnóstico correto é indispensável, pois a condição pode ter origens diversas, como perdas sanguíneas, baixa ingestão ou problemas de absorção intestinal.
Somente com exames laboratoriais é possível definir o tratamento adequado e a necessidade de suplementação. O acompanhamento médico e nutricional evita complicações, como a hemocromatose por excesso de ferro, garantindo correção segura e individualizada da deficiência.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








