Muitas pessoas arrancam do jardim verdadeiros tesouros da nutrição sem saber. Espécies como a beldroega, o dente-de-leão e a ora-pro-nóbis são ricas em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, mas continuam sendo tratadas como ervas daninhas. Conhecidas como PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), essas espécies oferecem um valor nutricional que, em muitos casos, supera o de hortaliças tradicionais encontradas nas feiras.
O que são as plantas nutritivas que crescem sozinhas no jardim?
As PANCs são plantas comestíveis que nascem de forma espontânea em quintais, calçadas, terrenos baldios e canteiros. Apesar de serem frequentemente confundidas com mato, essas espécies possuem folhas, raízes, flores e sementes com alto teor de nutrientes essenciais para a alimentação humana.
O termo PANC foi criado em 2007 pelo biólogo Valdely Kinupp, que catalogou cerca de 1.500 espécies vegetais comestíveis subutilizadas no Brasil. Segundo pesquisadores da área de nutrição, a alimentação brasileira gira em torno de apenas 20 a 30 espécies de plantas, enquanto existem milhares de opções nutritivas crescendo livremente nos biomas do país.
Quais nutrientes essas plantas oferecem para a sua alimentação?
O perfil nutricional das plantas consideradas mato é surpreendente. A beldroega (Portulaca oleracea), por exemplo, é uma das maiores fontes vegetais de ômega 3, além de fornecer vitamina C, potássio, magnésio e ferro. Já o dente-de-leão é rico em vitaminas A, B e C, com propriedades diuréticas e digestivas reconhecidas há séculos.
Entre as principais contribuições nutricionais dessas plantas estão:
- Proteínas de alto valor biológico, como no caso da ora-pro-nóbis, que pode conter de 25% a 35% de proteína em massa seca
- Fibras alimentares que auxiliam o funcionamento intestinal e promovem saciedade
- Compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória, como flavonoides e carotenoides
- Minerais essenciais como cálcio, ferro, zinco e manganês em concentrações superiores às de muitas hortaliças convencionais

Quais são as plantas mais nutritivas que podem estar no seu quintal?
Diversas espécies comestíveis crescem espontaneamente em jardins brasileiros sem precisar de nenhum cuidado especial. Conhecê-las é o primeiro passo para aproveitar essa fonte gratuita de nutrição e diversificar a dieta com alimentos funcionais.
Algumas das mais comuns e nutritivas incluem:
- Beldroega: planta rasteira e suculenta, rica em ômega 3, vitamina A e minerais como potássio e magnésio
- Dente-de-leão: suas folhas são consumidas em saladas e refogados, oferecendo ferro, potássio e vitaminas do complexo B
- Ora-pro-nóbis: conhecida como “carne dos pobres” pelo alto teor proteico, fornece também vitamina C, cálcio e ácido fólico
- Taioba: folha nutritiva rica em ferro e vitamina A, consumida refogada em diversas regiões do Brasil
- Caruru (Amaranthus): fonte de proteínas, fibras e minerais com propriedades antioxidantes comprovadas
O que a ciência diz sobre a nutrição dessas plantas?
Uma revisão bibliográfica publicada na revista Research, Society and Development avaliou o potencial nutricional e antioxidante das PANCs com base em estudos das plataformas SciELO, PubMed e Science Direct. Os resultados evidenciaram que essas plantas possuem excelente composição nutricional, sendo ricas em macronutrientes e compostos bioativos que poderiam ampliar e diversificar significativamente a dieta da população brasileira. Você pode conferir o estudo completo no artigo “Potencial nutricional e antioxidante das Plantas Alimentícias Não Convencionais e seu uso na alimentação”.
Além da riqueza nutricional, pesquisas apontam que espécies como o caruru e o dente-de-leão possuem propriedades hepatoprotetoras, hipoglicemiantes e antimicrobianas. Esses achados reforçam a importância de incluir essas plantas na alimentação como estratégia de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.
Como começar a incluir essas plantas nutritivas na dieta?
O primeiro passo é aprender a identificar corretamente cada espécie antes de consumi-la. Embora muitas plantas sejam comestíveis e nutritivas, existem variedades tóxicas que podem ser confundidas com espécies alimentícias. Guias como o catálogo da Embrapa e o livro de Kinupp e Lorenzi são referências confiáveis para essa identificação.
Na cozinha, as possibilidades são variadas. Folhas de beldroega e dente-de-leão combinam perfeitamente em saladas e sucos verdes. A ora-pro-nóbis pode ser refogada, adicionada a sopas ou usada na preparação de massas e pães enriquecidos com proteína vegetal. A taioba refogada substitui com vantagem nutricional a couve em diversas receitas.
Incluir essas plantas na alimentação é uma forma acessível e sustentável de melhorar a qualidade da nutrição. Ao valorizar as espécies que crescem espontaneamente no jardim, você diversifica o cardápio com alimentos ricos em vitaminas, minerais e compostos bioativos, fortalecendo a saúde e contribuindo para a preservação da biodiversidade alimentar brasileira.










