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Início Jardinagem

Planta considerada mato é muito nutritiva e pode estar crescendo no seu jardim

Por Gabriel Leme
21/02/2026
Em Jardinagem
Beldroega crescendo no quintal: considerada mato por muitos, é uma das plantas mais ricas em ômega 3, vitaminas e minerais que podem estar no seu jardim.

Beldroega crescendo no quintal: considerada mato por muitos, é uma das plantas mais ricas em ômega 3, vitaminas e minerais que podem estar no seu jardim.

Muitas pessoas arrancam do jardim verdadeiros tesouros da nutrição sem saber. Espécies como a beldroega, o dente-de-leão e a ora-pro-nóbis são ricas em vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, mas continuam sendo tratadas como ervas daninhas. Conhecidas como PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais), essas espécies oferecem um valor nutricional que, em muitos casos, supera o de hortaliças tradicionais encontradas nas feiras.

O que são as plantas nutritivas que crescem sozinhas no jardim?

As PANCs são plantas comestíveis que nascem de forma espontânea em quintais, calçadas, terrenos baldios e canteiros. Apesar de serem frequentemente confundidas com mato, essas espécies possuem folhas, raízes, flores e sementes com alto teor de nutrientes essenciais para a alimentação humana.

O termo PANC foi criado em 2007 pelo biólogo Valdely Kinupp, que catalogou cerca de 1.500 espécies vegetais comestíveis subutilizadas no Brasil. Segundo pesquisadores da área de nutrição, a alimentação brasileira gira em torno de apenas 20 a 30 espécies de plantas, enquanto existem milhares de opções nutritivas crescendo livremente nos biomas do país.

Quais nutrientes essas plantas oferecem para a sua alimentação?

O perfil nutricional das plantas consideradas mato é surpreendente. A beldroega (Portulaca oleracea), por exemplo, é uma das maiores fontes vegetais de ômega 3, além de fornecer vitamina C, potássio, magnésio e ferro. Já o dente-de-leão é rico em vitaminas A, B e C, com propriedades diuréticas e digestivas reconhecidas há séculos.

Entre as principais contribuições nutricionais dessas plantas estão:

  • Proteínas de alto valor biológico, como no caso da ora-pro-nóbis, que pode conter de 25% a 35% de proteína em massa seca
  • Fibras alimentares que auxiliam o funcionamento intestinal e promovem saciedade
  • Compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória, como flavonoides e carotenoides
  • Minerais essenciais como cálcio, ferro, zinco e manganês em concentrações superiores às de muitas hortaliças convencionais
Folhas frescas de ora-pro-nóbis prontas para consumo: planta espontânea com alto teor de proteína vegetal e grande valor nutricional.
Folhas frescas de ora-pro-nóbis prontas para consumo: planta espontânea com alto teor de proteína vegetal e grande valor nutricional.

Quais são as plantas mais nutritivas que podem estar no seu quintal?

Diversas espécies comestíveis crescem espontaneamente em jardins brasileiros sem precisar de nenhum cuidado especial. Conhecê-las é o primeiro passo para aproveitar essa fonte gratuita de nutrição e diversificar a dieta com alimentos funcionais.

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Algumas das mais comuns e nutritivas incluem:

  • Beldroega: planta rasteira e suculenta, rica em ômega 3, vitamina A e minerais como potássio e magnésio
  • Dente-de-leão: suas folhas são consumidas em saladas e refogados, oferecendo ferro, potássio e vitaminas do complexo B
  • Ora-pro-nóbis: conhecida como “carne dos pobres” pelo alto teor proteico, fornece também vitamina C, cálcio e ácido fólico
  • Taioba: folha nutritiva rica em ferro e vitamina A, consumida refogada em diversas regiões do Brasil
  • Caruru (Amaranthus): fonte de proteínas, fibras e minerais com propriedades antioxidantes comprovadas

O que a ciência diz sobre a nutrição dessas plantas?

Uma revisão bibliográfica publicada na revista Research, Society and Development avaliou o potencial nutricional e antioxidante das PANCs com base em estudos das plataformas SciELO, PubMed e Science Direct. Os resultados evidenciaram que essas plantas possuem excelente composição nutricional, sendo ricas em macronutrientes e compostos bioativos que poderiam ampliar e diversificar significativamente a dieta da população brasileira. Você pode conferir o estudo completo no artigo “Potencial nutricional e antioxidante das Plantas Alimentícias Não Convencionais e seu uso na alimentação”.

Além da riqueza nutricional, pesquisas apontam que espécies como o caruru e o dente-de-leão possuem propriedades hepatoprotetoras, hipoglicemiantes e antimicrobianas. Esses achados reforçam a importância de incluir essas plantas na alimentação como estratégia de promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas.

Como começar a incluir essas plantas nutritivas na dieta?

O primeiro passo é aprender a identificar corretamente cada espécie antes de consumi-la. Embora muitas plantas sejam comestíveis e nutritivas, existem variedades tóxicas que podem ser confundidas com espécies alimentícias. Guias como o catálogo da Embrapa e o livro de Kinupp e Lorenzi são referências confiáveis para essa identificação.

Na cozinha, as possibilidades são variadas. Folhas de beldroega e dente-de-leão combinam perfeitamente em saladas e sucos verdes. A ora-pro-nóbis pode ser refogada, adicionada a sopas ou usada na preparação de massas e pães enriquecidos com proteína vegetal. A taioba refogada substitui com vantagem nutricional a couve em diversas receitas.

Incluir essas plantas na alimentação é uma forma acessível e sustentável de melhorar a qualidade da nutrição. Ao valorizar as espécies que crescem espontaneamente no jardim, você diversifica o cardápio com alimentos ricos em vitaminas, minerais e compostos bioativos, fortalecendo a saúde e contribuindo para a preservação da biodiversidade alimentar brasileira.

Tags: dente de leãoplanta
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