A chegada de um bebê é frequentemente idealizada como um momento de profunda alegria, mas, para muitas mulheres, este período pode ser marcado por emoções inesperadas, como tristeza intensa e desconexão. É importante ressaltar que não se sentir radiante após o parto pode estar relacionado a condições como a Depressão Pós-Parto, que possui causas biológicas e psicossociais bem definidas, tornando essencial compreender a distinção entre o cansaço comum e essa depressão para garantir o bem-estar da mãe e o vínculo saudável com o bebê.
Por que a depressão pós-parto ocorre?
Esse estado não resulta de escolha ou fraqueza, mas de uma complexa interação hormonal, emocional e social. Após o nascimento, há uma queda expressiva nos níveis de estrogênio e progesterona, o que pode desestabilizar a química cerebral e afetar o humor de forma significativa.
Soma-se a isso a privação de sono, o estresse da nova rotina, mudanças na identidade da mulher e eventuais dificuldades no aleitamento. De acordo com o Ministério da Saúde, falta de apoio social, histórico prévio de ansiedade ou depressão e situações de violência ou conflito familiar aumentam a vulnerabilidade durante o puerpério.
Para compreender melhor os sintomas, as causas e o tratamento da depressão pós-parto, assista ao vídeo a seguir, no qual o especialista explica o assunto de forma clara e didática no canal Saúde da Mente.
Quais são os principais sinais de alerta da depressão pós-parto?
Distinguir entre o “baby blues”, mais leve e transitório, e a depressão pós-parto, mais persistente e incapacitante, é essencial para buscar ajuda no momento adequado. Na depressão pós-parto, os sintomas duram semanas ou meses e interferem de forma importante no funcionamento diário da mãe.
Esses sinais podem comprometer a capacidade de realizar tarefas cotidianas, cuidar de si e estabelecer laços com o bebê, prejudicando também o convívio com o parceiro e a rede de apoio. Entre as manifestações mais frequentes estão tristeza constante, irritabilidade, cansaço intenso, alterações de sono e apetite, culpa excessiva e pensamentos intrusivos.
Como é feito o diagnóstico da depressão pós-parto?
O diagnóstico é realizado por profissionais de saúde mental ou médicos, utilizando entrevistas clínicas e ferramentas como a Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), que ajudam a avaliar a gravidade dos sintomas e possíveis riscos associados. A aplicação desses instrumentos deve sempre ser acompanhada de escuta atenta e acolhedora.
Mais do que um teste, o diagnóstico considera o contexto de vida da paciente, seu histórico emocional, a rede de apoio disponível e eventuais fatores de risco. A relação de confiança estabelecida durante as consultas pós-parto é crucial para que a mulher se sinta à vontade para compartilhar suas experiências e pensamentos sem medo de julgamento.

Quais tratamentos são indicados para a depressão pós-parto?
O tratamento costuma ser multidisciplinar, combinando psicoterapia, medicação quando necessária e ajustes na rotina da mãe. A Terapia Cognitivo-Comportamental destaca-se por sua eficácia em modificar padrões de pensamento negativos, fortalecendo a autoestima maternal e favorecendo o vínculo com o bebê.
Além das intervenções clínicas, algumas medidas práticas podem auxiliar na recuperação e na proteção da saúde mental durante o puerpério. É importante que a mulher e sua rede de apoio conheçam essas estratégias:
- Delegar tarefas domésticas e de cuidado ao bebê sempre que possível.
- Garantir períodos regulares de descanso e sono, mesmo que curtos.
- Realizar caminhadas leves ou exercícios físicos autorizados pelo médico.
- Manter alimentação equilibrada e hidratação adequada ao longo do dia.
- Participar de grupos de apoio para puérperas ou mães, presenciais ou online.
Quando e como buscar ajuda profissional para depressão pós-parto
Se a mulher se identifica com os sintomas descritos, especialmente quando são intensos ou persistem por mais de duas semanas, é fundamental buscar orientação profissional o quanto antes. Conversar abertamente com o obstetra, o pediatra ou um psicólogo nas consultas de rotina pode ser um primeiro passo importante.
Reconhecer a necessidade de apoio não significa fraqueza, mas cuidado consigo mesma e com o bebê. Com o suporte adequado, incluindo acompanhamento especializado e envolvimento da família, a maternidade pode recuperar aspectos positivos e saudáveis, promovendo o equilíbrio emocional necessário para essa fase tão delicada e transformadora.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271








