A coceira ou sensação de desconforto nas pernas ao se deitar à noite pode indicar deficiência de ferro no organismo, frequentemente associada à Síndrome das Pernas Inquietas, um distúrbio neurológico caracterizado pela necessidade imperativa de movimentar as pernas durante o repouso, mais comum em mulheres e pessoas com baixos níveis de ferritina no sangue.
O que é a síndrome das pernas inquietas?
A síndrome das pernas inquietas, também chamada doença de Willis-Ekbom, é um distúrbio sensório-motor que causa sensações desagradáveis nas pernas durante o repouso. Os sintomas incluem formigamento, coceira, queimação e uma sensação difícil de descrever, que melhora apenas com o movimento.
Essas manifestações tendem a se intensificar no final da tarde e à noite, prejudicando a qualidade do sono e o bem-estar diário. Estima-se que o problema impacte de 5% a 15% da população, com maior incidência entre mulheres e aumento de ocorrência durante a gestação.
Para compreender melhor se a síndrome das pernas inquietas pode estar relacionada à ansiedade, assista ao vídeo a seguir, no qual o Dr. Drauzio Varella explica o assunto de forma clara e didática no canal Drauzio Varella.
Como a deficiência de ferro provoca desconforto nas pernas?
O ferro desempenha papel crucial no sistema nervoso central, participando da produção e regulação da dopamina, neurotransmissor que controla movimentos e sensações. Quando os níveis de ferro estão baixos no cérebro, essa regulação fica prejudicada, favorecendo o surgimento dos sintomas da síndrome.
Estudos mostram que níveis de ferritina inferiores a 75 microgramas por litro aumentam o risco de desenvolver a síndrome das pernas inquietas. Como a ferritina indica os estoques de ferro no corpo, sua redução pode desencadear as sensações desconfortáveis típicas desse problema.
Quais são os benefícios do tratamento com ferro nessa condição?
Pesquisas científicas reforçam a ligação entre deficiência de ferro e síndrome das pernas inquietas, demonstrando que corrigir essa carência tende a aliviar os sintomas. Tanto o ferro intravenoso quanto o oral podem ser eficazes, dependendo da gravidade do quadro e do perfil do paciente.
Um estudo publicado em 2024 na revista American Journal of Hematology mostrou melhora significativa dos sintomas com a reposição de ferro. A pesquisa também revelou que pacientes com anemia por deficiência de ferro têm prevalência de síndrome das pernas inquietas de cinco a seis vezes maior que a da população geral.

Quando a reposição de ferro é recomendada?
A deficiência de ferro pode causar sintomas em diferentes partes do corpo, indo além do desconforto nas pernas. Reconhecer precocemente esses sinais permite investigar a causa e iniciar o tratamento adequado, evitando a progressão para anemia mais grave.
Entre as manifestações mais comuns que podem sugerir falta de ferro, destacam-se:
- Cansaço excessivo e falta de energia no dia a dia;
- Palidez de pele e mucosas, como lábios e parte interna das pálpebras;
- Dificuldade de concentração e redução do desempenho intelectual;
- Unhas frágeis, queda de cabelo e maior vulnerabilidade a infecções.
Quando é necessário procurar aconselhamento médico?
Se houver coceira, formigamento ou desconforto nas pernas ao deitar que prejudica o sono, é fundamental buscar avaliação médica. O profissional poderá diagnosticar a síndrome das pernas inquietas, investigar causas como deficiência de ferro e solicitar exames de sangue, incluindo hemoglobina e ferritina.
O tratamento deve ser individualizado e pode envolver reposição de ferro, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, medicamentos específicos. A suplementação de ferro não deve ser iniciada por conta própria, pois o excesso desse mineral também traz riscos e exige acompanhamento profissional adequado.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









