Quanto você consegue apertar com a mão? A força de preensão das mãos virou alvo de pesquisas por um motivo direto: ela reflete o estado geral da musculatura do corpo, e isso tem consequências que vão muito além dos punhos.
O que é exatamente a força de preensão das mãos?
É a força máxima que a mão e o antebraço conseguem gerar ao apertar um objeto. A medição é feita com um dinamômetro, aparelho portátil que registra o resultado em quilogramas.
O teste dura poucos minutos: três repetições em cada mão, com um intervalo entre elas. O maior valor registrado é o que importa para a avaliação clínica.

Por que a ciência passou a levar esse teste tão a sério?
A musculatura esquelética não funciona de forma isolada. Ela está ligada ao metabolismo, ao sistema cardiovascular e à resposta inflamatória do organismo. Quando a força cai, esses sistemas costumam estar comprometidos também.
Segundo o estudo The association of handgrip strength with all-cause and cardiovascular mortality, publicado no periódico Frontiers in Cardiovascular Medicine, adultos com baixa força de preensão apresentaram risco até 3,45 vezes maior de morte por qualquer causa em comparação aos com força elevada.
Quais doenças esse indicador ajuda a prever?
Estudos indicam associação entre baixa força de preensão e maior risco de doenças cardiovasculares, sarcopenia (perda de massa muscular relacionada à idade), diabetes tipo 2, declínio cognitivo e hospitalização prolongada.
Entre os desfechos mais pesquisados estão:
- Doenças cardiovasculares: força baixa está ligada a maior mortalidade por infarto e AVC
- Sarcopenia: perda muscular acelerada, comum após os 50 anos, detectável pela preensão
- Declínio cognitivo: estudos apontam correlação com pior desempenho em testes de memória
- Quedas e fraturas: força reduzida aumenta o risco de acidentes em idosos
- Internações prolongadas: pacientes com preensão baixa têm recuperação mais lenta
Quais são os valores considerados normais?
Os pontos de corte variam conforme sexo, idade e o consenso científico adotado. Em geral, valores abaixo de 27 kg para homens e 16 kg para mulheres são usados como referência para identificar fraqueza clinicamente relevante, segundo o grupo europeu de sarcopenia (EWGSOP).
Leia também: As pessoas mais inteligentes da turma toda costumam nascer nesses meses
A influência do sexo e da idade
A força de preensão tende a atingir seu pico na quarta década de vida e cai progressivamente após os 60 anos. Homens apresentam valores médios mais altos que mulheres em todas as faixas etárias.
É possível melhorar a força de preensão?
Sim. Exercícios resistidos, especialmente musculação com foco em membros superiores, são os mais eficazes. A alimentação também importa: ingestão adequada de proteínas e, em alguns casos, suplementação com aminoácidos como a leucina, contribuem para a manutenção muscular.

Esse teste já deveria fazer parte das consultas de rotina?
Especialistas em geriatria e gerontologia defendem que a força de preensão seja incluída na avaliação clínica padrão, principalmente para pessoas acima dos 50 anos. O dinamômetro custa pouco e o teste é não invasivo.
O aperto da mão já não é apenas um cumprimento. Para a medicina, é uma janela para o estado funcional do organismo, e a ciência segue acumulando evidências de que ignorar esse número pode ser um erro custoso.










