Um obelisco de mármore branco marca o ponto mais central do continente sul-americano. Ele fica no coração de Cuiabá, capital do Mato Grosso, uma cidade fundada pela busca de ouro em 1719 e que hoje abriga quase 692 mil pessoas entre rios, ipês e um calor que os moradores chamam, com humor, de “Cuiabrasa”.
Por que Cuiabá ocupa o centro geodésico do continente?
O Marechal Cândido Rondon determinou as coordenadas em 1909, e o Exército Brasileiro confirmou os cálculos décadas depois. O marco está na Praça Pascoal Moreira Cabral, no centro histórico, onde funcionou o antigo Campo d’Ourique. A curiosidade vai além do mapa: Cuiabá é equidistante dos oceanos Atlântico e Pacífico, o que ajudou a moldar sua vocação como entroncamento logístico do Centro-Oeste.
A posição geográfica também explica a diversidade de biomas ao redor. Em menos de 100 km, o morador transita entre o cerrado, o Pantanal e áreas de transição amazônica.

Qualidade de vida na capital mato-grossense
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Cuiabá é de 0,785, o mais alto do estado segundo o IBGE. A escolarização entre crianças de 6 a 14 anos alcança 96,33%, e o PIB per capita chegou a R$ 59.997 em 2023. Bairros como Bosque da Saúde e Jardim Itália oferecem ruas arborizadas, condomínios planejados e acesso rápido a hospitais e escolas.
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Universidade de Cuiabá (UNIC) sustentam a vida acadêmica e movimentam a economia de serviços. O salário médio mensal é de 3,9 salários mínimos, o maior do estado.
Explore a capital do agronegócio e a porta de entrada para o Pantanal, uma cidade com mais de 300 anos de história e cultura vibrante. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, que conta com mais de 300 mil inscritos, e apresenta Cuiabá, destacando o seu centro histórico, a rica gastronomia baseada em peixes e as belezas naturais que rodeiam a capital mato-grossense:
Onde o cuiabano encontra lazer e natureza?
A fama de “Cidade Verde” vem da arborização urbana visível até de cima. Os moradores aproveitam parques e rios sem precisar sair do perímetro urbano.
- Parque Mãe Bonifácia: 77 hectares de cerrado preservado com cinco trilhas, pistas de caminhada e mirante para o pôr do sol. O nome homenageia uma curandeira africana do século XIX que ajudava escravizados fugitivos.
- Orla do Porto: revitalizada às margens do Rio Cuiabá, reúne restaurantes de peixe, feiras de artesanato e vista para a ponte sobre o rio.
- Parque Massairo Okamura: pistas de ciclismo, quadras e áreas de convivência no bairro Morada do Ouro.
- Chapada dos Guimarães: a 65 km pela MT-251, o parque nacional oferece cachoeiras, mirantes e trilhas para quem quer escapar no fim de semana.
A mesa cuiabana tem sotaque próprio
A gastronomia local mistura influências indígenas, portuguesas e africanas com ingredientes do cerrado e do Pantanal. O prato mais querido é a Maria Izabel, arroz com carne serenada (seca ao sereno da noite), eleita favorita por 29% dos cuiabanos em pesquisa espontânea. A receita remonta ao período colonial.
No Mercado do Porto, peixeiros preparam pintado, pacu e piraputanga na hora. A mojica de pintado, o bolo de arroz cuiabano e o furrundu (doce de mamão com rapadura) completam o cardápio regional. Em vez de café, famílias tradicionais tomam guaraná ralado em jejum.

Siriri e viola de cocho: a cultura que resiste
Cuiabá preserva tradições que poucos brasileiros conhecem. O siriri e o cururu são danças populares com raízes indígenas e influências africanas e portuguesas, acompanhadas pela viola de cocho, instrumento esculpido em tora de madeira inteiriça. O modo de fazer a viola foi registrado como Patrimônio Imaterial do Brasil pelo IPHAN em 2004.
A Festa de São Benedito, uma das mais antigas do país, mobiliza moradores e visitantes com fé, música e pratos regionais. No bairro São Gonçalo Beira Rio, grupos de siriri ensaiam o ano todo e mantêm viva a tradição oral transmitida entre gerações.
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Quando o calor dá trégua na capital do Mato Grosso?
Cuiabá tem clima tropical com duas estações bem marcadas. O calor é intenso na maior parte do ano, mas o período seco (maio a setembro) traz noites mais amenas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à capital mato-grossense?
O Aeroporto Internacional Marechal Rondon fica a 8 km do centro e recebe voos de todas as regiões. Por terra, a BR-070 liga Cuiabá a Brasília (1.130 km) e a BR-364 conecta a cidade a Goiânia e ao norte do estado. A conurbação com Várzea Grande, separada apenas pelo rio, forma uma área metropolitana que ultrapassa 1 milhão de habitantes.
Conheça a cidade que pulsa no coração do continente
Cuiabá combina uma identidade cultural rara, acesso a dois dos maiores biomas do planeta e um ritmo de crescimento que não apaga suas tradições. Poucos lugares no Brasil oferecem essa mistura de gastronomia com sotaque próprio, danças centenárias e natureza a menos de uma hora do centro.
Você precisa sentir o calor, o tempero e o som da viola de cocho para entender por que tanta gente escolhe a capital mato-grossense para viver.









