A 540 km do Recife, um arquipélago de origem vulcânica guarda o único ponto de concentração de golfinhos rotadores em todo o Oceano Atlântico. Fernando de Noronha reúne 21 ilhas em apenas 26 km², com águas tão transparentes que a visibilidade submersa ultrapassa 40 metros em dias bons.
De presídio político a Patrimônio Natural da Humanidade
O navegador Américo Vespúcio chegou ao arquipélago em 1503 e o descreveu como um lugar de “infinitas águas e infinitas árvores”. Em 1504, a ilha foi doada a Fernão de Loronha, tornando-se a primeira capitania hereditária do Brasil, mas nunca ocupada pelo donatário. Ao longo dos séculos, o arquipélago serviu como sistema de defesa militar, presídio político e base de guerra na Segunda Guerra Mundial.
A virada veio em 1988, quando 70% do território foi declarado Parque Nacional Marinho. Em 2001, a UNESCO reconheceu Noronha como Patrimônio Natural da Humanidade, citando a importância do arquipélago para a reprodução de tartarugas, tubarões e mamíferos marinhos.

Quais praias visitar no arquipélago pernambucano?
A ilha principal tem dois lados distintos: o Mar de Dentro, voltado para o Brasil, com águas calmas entre abril e outubro, e o Mar de Fora, voltado para a África, com ondas mais fortes. A maioria das praias do Parque Nacional exige ingresso, vendido no Centro de Visitantes do Boldró.
- Baía do Sancho: acessível por escadaria entre fendas rochosas, é considerada uma das praias mais bonitas do país. Ideal para mergulho livre.
- Baía dos Porcos: pequena faixa de areia com vista para o Morro Dois Irmãos, acessível pelo canto esquerdo da Cacimba do Padre.
- Praia do Leão: principal ponto de desova da tartaruga-verde entre dezembro e maio, com bancadas de recife visíveis na maré baixa.
- Praia do Atalaia: piscinas naturais com acesso controlado por trilha guiada e limite diário de visitantes.
- Praia da Cacimba do Padre: faixa extensa, procurada por surfistas entre dezembro e janeiro, quando as ondas ficam mais consistentes.
Realize o sonho de visitar um dos santuários marinhos mais preservados do mundo, com águas turquesas e vida selvagem exuberante. O vídeo é do canal Mentes Flutuantes, que conta com mais de 70 mil inscritos, e apresenta Fernando de Noronha em 4 dias, visitando a Baía do Sancho, o Morro dos Dois Irmãos e mergulhando com tubarões e tartarugas:
Os golfinhos que giram sete vezes no ar
Fernando de Noronha é o lugar no mundo com maior probabilidade de se observar golfinhos rotadores em grandes grupos. Esses cetáceos realizam saltos com até sete rotações em torno do próprio eixo e frequentam a Baía dos Golfinhos para descanso e reprodução. Grupos de até 2.046 indivíduos foram registrados pelo Projeto Golfinho Rotador, que monitora a espécie desde 1990.
O banho na baía é proibido, mas o Mirante dos Golfinhos, a 55 metros acima do nível do mar, oferece observação gratuita com binóculos dos pesquisadores. O melhor horário é entre 5h30 e 8h, quando os grupos chegam do alto-mar.

O que comer entre uma praia e outra em Noronha?
A gastronomia da ilha gira em torno de frutos do mar frescos e temperos nordestinos. Os ingredientes que não são pescados chegam do continente por navio ou avião, o que eleva os preços.
- Peixe na folha de bananeira: assado lentamente, presente em quase todos os restaurantes. Pargo e cavala são as opções mais comuns.
- Bolinho de tubalhau: versão local do bolinho de bacalhau, feita com carne de tubarão salgada, servida no Museu dos Tubarões.
- Tapioca recheada: doce ou salgada, vendida em cafés e bares da Vila dos Remédios e da Floresta Nova.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
A temperatura da água varia pouco ao longo do ano, entre 26°C e 28°C. O ar fica entre 25°C e 30°C quase sempre. As chuvas se concentram no primeiro semestre.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao arquipélago saindo do continente?
Voos diretos partem do Recife (1h10) e de Natal (1h). Operadoras como Azul e Gol fazem a rota. Ao desembarcar, o visitante paga a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), proporcional ao número de dias na ilha. O ingresso do Parque Nacional Marinho é cobrado à parte e vale por dez dias consecutivos. Informações atualizadas estão no portal oficial do arquipélago.
Um santuário que exige paciência e recompensa com silêncio
Noronha cobra taxas, limita visitantes e controla trilhas. Em troca, entrega um ecossistema marinho raro, praias sem barracas e o privilégio de dividir o mar com golfinhos que giram no ar antes de mergulhar de volta ao azul.
Você precisa acordar antes do sol, subir ao mirante e esperar os rotadores chegarem do alto-mar para entender por que este arquipélago no meio do Atlântico é, desde 1503, descrito como paraíso.










